7 de maio de 2021

A caminhada para elas ainda é longa

A vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, vestida de branco, subiu no palco para discursar após a vitória do democrata Joe Biden na cidade de Wilmington, do Estado norte-americano Dalaware. Qual o significado do branco? É a referência ao movimento sufragista feminino e também dá continuidade ao ritual simbólico adotado pela primeira mulher afro-americana eleita para o Congresso, em 1968.

O primeiro país a reconhecer o direito ao sufrágio feminino foi a Nova Zelândia, em 1893. Na sequência, foi fundada a União Nacional pelo Sufrágio Feminino na Inglaterra, capitaneada por Millicent Fawcett (1847-1929). Em 1903, entra em cena a ativista britânica Emmeline Pankhurst (1858-1928), fundadora da União Social e Política das Mulheres.

No Brasil, na primeira década do século XX as mulheres reivindicavam o direito de voto. As pioneiras foram a advogada Myrthes de Campos (1875-1965), primeira mulher a ingressar na Ordem dos Advogados do Brasil, e a professora Leolinda Daltro (1859-1935), fundadora do Partido Republicano Feminino, em 1910. As duas tiveram seus pedidos negados, mas plantaram a semente do sufrágio feminino.

Foi em 1927, em Mossoró, Rio Grande do Norte, que aconteceu a primeira concessão de voto à mulher, fruto das reivindicações femininas por igualdade social lideradas — em âmbito nacional — pela bióloga paulista Bertha Lutz (1894-1976), sendo a professora Celina Guimarães Viana (1890-1972) a primeira brasileira a possuir título de eleitor. 

As mulheres conquistaram, em todo o território nacional, o direito de votar e serem votadas em 1932, nos primeiros anos do governo de Getúlio Vargas, através do Decreto nº 21.076, que permitiu o voto feminino, efetivamente consolidado na Constituição de 1934, mesmo ano em que a primeira mulher foi eleita deputada federal, a médica e escritora Carlota Pereira de Queirós (1892-1982).

A primeira senadora do Brasil foi a professora amazonense Eunice Michiles, só em 1979. 

A expansão da presença da mulher na arena política não ocorreu espontaneamente. Em decorrência de pressões internacionais, o Brasil implementou a reserva de vaga de candidatura por gênero. Ocorre que a reserva de vagas também tem se mostrado insuficiente para que mulheres concorram em condições de igualdade com os homens. Muitos partidos não destinam verbas para as candidaturas femininas ou as destinam em quantidade insuficiente e muito próximo ao dia da votação, quando não são mais eficazes para reverter as tendências do pleito.

A caminhada ainda é longa. Não se deve medir esforços para dar continuidade ao legado de nossas heroínas que destrancaram a chave da porta do protagonismo na vida política para as próximas gerações do gênero feminino. Ainda é preciso abrir toda a porta, mantê-la escancarada e ocupar os cômodos da casa pública, ao lado dos colegas do gênero masculino e em pé de igualdade com eles. No guarda-roupa dos quartos dessa casa há várias roupas brancas aguardando um corpo feminino que lhes dê vida e utilidade.

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