Desde o famoso porre de Noé, na tradição bíblica, o álcool é tido por muitos como a causa primeira e última de todos os males. Jesus que, segundo os evangelhos, não veio para demolir nada e na prática mudou tudo, não via as coisas desse jeito. No casamento, em Canaã, achou que haveria muita tristeza depois que o vinho acabou. Não há registro se os convidados enxugavam muito ou se havia muito penetra na festa. Há ainda a possibilidade, sempre presente, da falta de organização que impera até hoje na maioria dos eventos. O fato é que o vinho acabou.
Fazer o que? Substituir por cerveja? Suco de qualquer coisa? Naquela época, com certeza não havia uma distribuidora nas redondezas. Cerveja já existia, mas não era popular. Talvez faltasse dinheiro, também. Mas, quem tem Jesus por primo não passa aperreio. “Pede pra mãe dele! Afinal, mãe é mãe”.Pediram pra mãe e o vinho apareceu.
A lição que essa passagem nos mostra é que até mesmo o divino Mestre era a favor da alegria. Mesmo que essa alegria fosse fortuita ou provocada pelo consumo de álcool. Muitos dos seguidores dele, que se dizem cristãos, acreditam que o vinho não era alcoólico. Ledo engano: Não havia tecnologia para a produção de vinho sem álcool.
Então Jesus bebia? Tudo indica que sim. Se não vejamos novamente os evangelhos: “Veio João Batista que não comia nem bebia e disseram que ele tinha demônio. Veio o filho do homem que come e bebe e todos o chamam de glutão e bebedor de vinho”. Está na bíblia. Já naquela época havia os invejosos, maledicentes, julgadores de comportamento alheio. Aqueles que julgavam que entendiam de tudo e não compreendiam nada.
Já que estamos falando em bíblia, lembremos da história da viúva de Onan que se disfarçou de prostituta para arrancar a semente da vida do próprio sogro. Bem, se ela se “disfarçou” é porque já havia prostitutas atuantes nos primórdios da história bíblica. Ela foi considerada “sábia” por usar desse expediente para poder ser mãe, uma vez que seu marido preferira se masturbar em vez de “conhecer” sua esposa e, por isso foi punido com a morte. Não interessa discutir aqui a estranha lei que mata um inocente masturbador e enaltece a prostituta, e sim mostrar que as prostitutas são muito mais antigas do que o hábito de sentar numa mesa de bar para beber. Não são os bares que trazem as prostitutas à luz. Nem são as prostitutas que montam bares, embora dono de bar seja tratado como a “outra”, a usurpadora da paz familiar.
Um encontro recente de donos de bar, em Manaus, mostrou uma coisa curiosa: Se, por um lado, os bares são freqüentados por profissionais do sexo e bêbados chatos, por outro também existe um número muito maior de freqüentadores de bar que não bebem bebida alcoólica, pelo simples fato de não gostarem dela ou de seus efeitos. Contudo, o bar continua sendo o que sempre foi: um local de alegria e descontração.
Então, por que meti a bíblia no meio da história? Muito simples: A maioria das pessoas que pede o fechamento dos bares se diz seguidora da bíblia. Encontram fundamentos bíblicos para seus pleitos. Eu também gosto de ler a bíblia. Não costumo guardar capítulos e versículos na cabeça e até peço desculpas por citar a bíblia despreocupado com os termos ipsis literis como lá estão escritos. Eu prefiro ficar com algumas partes da bíblia que, ao meu ver, expressam melhor o amor de Deus, como por exemplo: “Não vim para julgar o mundo, e sim salvá-lo”; “A medida que usardes para julgar é com que sereis julgados”; “Perdoar setenta vezes sete vezes ao teu irmão” e por ai afora.
Os bares, assim como a maioria dos lugares, não são lugares cem por cento virtuosos. Aceitar clientes como eles são, sem questionar, também significa seguir a bíblia e não querer julgar o cliente, o amigo, o vizinho ou quem quer que seja.
Àqueles que costumam vociferar contra isso e aquilo, cito uma outra passagem bíblica: “Nada que entra pela boca do homem pode lhe fazer mal, mas sim o que sai do seu coração”. Em outras palavras: Enquanto vo

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