2020, um ano para esquecer? Claro que não!

“Em dado momento da crise sanitária, a Suframa começou a desenhar a diversificação industrial através da formalização do Polo Industrial da Saúde, particularmente, no segmento d medicina tropical. Afinal, temos os insumos vitais e cérebros de competência internacional.”

Wilson Périco(*) wils[email protected]

Temos motivos diversos para lamentar, especialmente, as vidas humanas, incluindo familiares e amigos. Entretanto, sobram razões para reconhecer descobertas importantes e lições preciosas que vieram a reboque da dureza enfrentada. Podemos dizer que, apesar de tudo, estamos muito mais fortes que um ano atrás. E esta fortaleza, que nos capacita a superar novas adversidades, nasceu de nossa capacidade de pensar em conjunto. Conjugar os verbos fundametais na primeira pessoa do plural. Hoje, sem dúvida, é muito mais elucidativo trocar o “eu faço e aconteço”, pelo “nós compartilhamos e descobrimos saídas”. Foi assim que, em lugar de ficar em casa depois de passar o cadeado nos portões da empresa, descobrimos que, graças ao avanço tecnológico, pudemos desenhar caminhos alternativos para não deixar cair a peteca da economia, muito menos virar as costas para as demandas do tecido social, para nossos heróis na linha de frente de combate à pandemia e para a vulnerabilidade social que a COVID-19 agravou.

Criativos e participativos

Nessa movimentação criativa e participativa, descobrimos o lado parceiro de cada companheiro. Fomentamos a solidariedade que todos trazem dentro de si e nos surpreendemos ao constatar que ela é mais surpreendente do que supúnhamos. Basta passar os olhos pelos registros documentais da Ação Social Integrada das entidades do Polo Industrial de Manaus. Cada doação de associados ou empresas/instituições parceiras traduziu o compromisso – não estamos falando da responsabilidade social formal – de cada um com o cinturão da fome que persiste em nosso redor e com os riscos da própria vida que os profissionais da saúde corriam para salvar vidas.

“Nó em pingo d’água”

Produzir – sem nunca tê-lo feito – Equipamentos de Proteção Individual, álcool em gel, toda sorte de artefatos que pudessem salvar vidas e assegurar tranquilidade aos nossos colaboradores… isso não tem preço. E o frenesi desta correria de poupar vida de nossos semelhantes nos fez descobrir que este Polo Industrial está capacitado para – usando um jargão popular – “dar nó em pingo d’água”. Isso ainda precisa ser olhado e pensado com vagar. Não faz sentido seguir limitados por razões obscuras a 0,6% dos estabelecimentos industriais do Brasil. Temos que colocar essas descobertas na pauta prioritária do ano que se inicia.

Saúde e diversificação

Em dado momento da crise sanitária, a Suframa começou a desenhar a diversificação industrial através da formalização do Polo Industrial da Saúde, particularmente, no segmento da medicina tropical. Afinal, temos os insumos vitais e cérebros de competência internacional. Por que não revisitar essa intuição? Na formatação original do CBA, Centro de Biotecnologia da Amazônia, a estrutura operacional colocaria em rede os grandes laboratórios nacionais, alguns respeitados pelo mundo afora. Pensando bem, temos talheres, pratos, ingredientes e muita fome para administrar. Isso mesmo, administrar. É só querer, como quisemos a Embrapa que desembarcou na explosão do agronegócio, como quisemos fazer aviões e decolamos na Embraer, e como quisemos biocombustível para substituir o diesel de origem fóssil e predatória. Em qualquer negaria, porém, temos que esvaziar o formalismo do PPB, um entrave de empregos e oportunidades.

Direito ao trabalho

Como esquecer um ano que nos trouxe tantas lições que nos obrigaria escrever muitas páginas para compartilhar o lado luz da escuridão pandêmica. E essa luz está em cada um de nós. Em cada um dos participantes das conferências que produziram sugestões objetivas e redentoras, no âmbito da junção institucional do Comitê Indústria ZFM COVID-19, formado por FIEAM, CIEAM, ELETROS e ABRACICLO, – ora transformado na Convergência Empresarial da Amazônia – assessorado por um mutirão fantástico de colaboradores. Entre eles, renomados especialistas em planejamento, economia e direito tributário, responsáveis pela elaboração detalhada de proposta denominada Nova ZFM – Desenvolvimento sustentável da Amazônia: diversificação produtiva e promoção da Bioeconomia a partir da Zona Franca de Manaus.

Temos, pois, o mote, a trilha e o mapa de onde queremos chegar. 2021 já se anuncia e não nos permite dispersão. Se juntos somos mais fortes, que se acheguem os desafios! Apenas exigimos o direito de fazer o melhor do que sabemos: gerar emprego, riqueza e oportunidades, com responsabilidade.

(*) Wilson Périco é economista, empresário, presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas e coordenador da Convergência Empresarial da Amazônia.

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