Não só de janeiro, mas de todo o ano, a Praça 14 de Janeiro, um dos bairros mais queridos de Manaus, completará 121 anos, lógico, no dia 14 de janeiro. Berço do samba da capital amazonense, as comemorações não poderiam ser de outra maneira senão com muito samba e, pra agradar a todos, forró.
Alexandre Marques, presidente da escola de samba Vitória Régia, é quem está à frente da organização do aniversário do bairro, disse que as comemorações começam na sexta-feira (11) e só encerram no dia 14, no entorno da quadra da escola de samba.
“Dentro da quadra acontecerão shows com bandas de forró, enquanto do lado de fora teremos o sambista Júnior Rodrigues, os grupos “Embala Samba” e “Azaração e Curtição” e a bateria da nossa verde e rosa”.
Na madrugada do dia 13 para o dia 14 é a vez da tradicional queima de fogos, seguida pela degustação do bolo gigante, de quase dois metros quadrados, servido a todos os presentes.
Outro evento que, este ano, fará parte das comemorações do aniversário da Praça 14, será o lançamento do selo “Parque Memorial Quilombo dos Palmares”. Oficialmente o selo foi lançado pelos Correios em 19 de novembro do ano passado, na cidade de União dos Palmares, em Alagoas, mas numa deferência especial aos pioneiros negros do bairro oriundos do Maranhão, os Correios do Amazonas farão um novo lançamento atendendo a uma solicitação do Fórum de Mulheres Afroameríndias e Caribenhas, coordenadas por Francy Guedes, cujo bisavô foi um desses pioneiros.
O evento ocorrerá no domingo (13), às 21h, em frente à quadra da Vitória Régia. A Praça 14 é tradicional por manter viva suas raízes culturais. Boa parte dos moradores é composta por descendentes de ex-escravos maranhenses, trazidos para cá pelo então governador, também maranhense, Eduardo Gonçalves Ribeiro (1892/1896). Eles são os responsáveis por preservar suas crenças, costumes e memória.
“Com o lançamento do selo, o objetivo é dar visibilidade à cultura negra no Amazonas, tornando essa data um marco para a década que será de combate ao racismo, e ele se concretiza a partir de uma parceria entre os Correios, Fórum de Mulheres Afroameríndias e Caribenhas, o Consulado Geral da Venezuela e a coordenação da Marcha Mundial de Mulheres”, falou Luquesia Lemos, diretora regional dos Correios.

A morte de Pimenta

O nome Praça 14 de Janeiro resultou de uma revolta popular, deflagrada em 14 de janeiro de 1892, contra o governador Gregório Thaumaturgo de Azevedo (1891/1892). A insatisfação da população de Manaus foi motivada pelo atraso nos pagamentos do funcionalismo e fornecedores e pela falta de assistência social aos habitantes.
O movimento foi liderado por Almino Álvares Afonso, Leonardo Malcher e Lima Bacuri, opositores políticos de Thaumaturgo. A situação ficou insustentável quando uma multidão de pessoas foi às ruas do Centro da cidade, numa imensa manifestação em direção ao Palácio do Governo (atual Paço Municipal), na Praça D. Pedro II, exigindo a renúncia de Thaumaturgo de Azevedo.
Durante a confusão, o soldado João Fernandes Pimenta, do Esquadrão de Cavalaria do Batalhão da Polícia de Segurança do Estado, que guardava a entrada do Palácio, foi morto com um tiro no peito. Thaumaturgo ainda conseguiu se manter no cargo até 27 de fevereiro, quando renunciou. Eduardo Ribeiro foi nomeado em seguida, para governar o Amazonas. Em homenagem ao soldado assassinado, a Praça 14, então chamada de Praça da Conciliação, foi denominada Praça Fernandes Pimenta. Ainda em 1892, o bairro foi oficialmente batizado de Praça 14 de Janeiro, em referência à data da morte de Pimenta, mas principalmente pela manifestação popular que ajudou a colocar Eduardo Ribeiro na cadeira de governador.

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