“Torço pela continuidade, mas quem escala o time é o povo”

Um governador que dividiu opiniões; reuniu a maior base de apoio político da história do Amazonas em torno de seu nome; bateu recordes de popularidade; percorreu o mundo como um peregrino, defendendo a Amazônia e trouxe à tona o maior debate coletivo da história: a preservação ambiental – talvez esta seja uma definição ideal de Eduardo Braga (PMDB), chefe do Executivo estadual por 7 anos. Como ex-governador, Braga continua acumulando poder e influência e desponta como o grande articulador das próximas eleições. Pré-candidato ao Senado e, apontado pelos especialistas e por todas as pesquisas de opinião, como dono absoluto de uma das vagas, Braga tem a possibilidade de eleger seu sucessor, elerger-se senador e assumir de vez o papel de protagonista nas discussões ambientais em todo o planeta, entrando por uma porta que ele mesmo abriu.
Em entrevista ao Jornal do Commercio, um Eduardo Braga aparentemente mais aliviado e com a sensação de dever cumprido, disse que vai usar sua influência e sua relação com o povo, para buscar a continuidade das ações iniciadas por ele. Deixou claro que manterá a sua lealdade ao presidente da República, Lula; acenou como apaziguador da tensão pré-eleitoral, mas ninguém duvida: o candidato Eduardo Braga será, mais uma vez, um rolo compressor nestas eleições.

Jornal do Commercio – O senhor agora é ex-governador. Já está em campanha?

Eduardo Braga – Não estou em campanha. Não estou fazendo campanha. Eu estou simplesmente concluindo oito anos de muito trabalho.Um trabalho que começou em 2002 ainda na campanha para governador e que agora a gente conclui uma etapa importante dessa vida. Eu espero que o povo tenha gostado do esforço e dedicação que nós tivemos. Foi um governo grande, intenso e me desincompatibilizei para me colocar à disposição do meu grupo político e, acima de tudo, do povo. Porque se o povo escala, tudo bem, se não escala…

JC – O senhor destacaria quais obras como as mais importantes de seu governo?

Braga – São muitas. Mais do que obras, foram programas que nós criamos O Prosamim não é uma obra, é um programa. A Região Metropolitana de Manaus não é uma obra, é um programa. São programas que têm que continuar, mas vão continuar porque existe o dinamismo próprio da economia amazonense. Essa semana, por exemplo, inauguramos uma parte de um grande programa de mobilidade urbana em Manaus, a Avenida das Torres. Manaus tem gargalos muito graves e esta avenida vai colaborar muito para desafogar o trânsito da cidade. Se não abrir novos eixos, fica difícil. Temos programas de reformulação da saúde no Amazonas. Esta semana também inauguramos o hospital e pronto-socorro, 28 de Agosto, o Platão Araújo, teremos ainda até o final do ano, o Instituto da Mulher, que só não foi inaugurado agora porque ainda faltam os treinamentos aos funcionários. Posso ainda destacar o programa social mais importante da história do Amazonas, o Prosamim. Digo isso, porque foi a primeira vez que um grupo político tomou para si a tarefa de tirar as pessoas das palafitas. Ainda há muito o que fazer, mas muito também já foi feito. Depois vem o programa Zona Franca Verde, que levou incentivos ao interior, tirou os pequenos produtores da marginalidade e implantou a cadeia produtiva, que vai desde a entrega das sementes à comercialização dos produtos, tendo como principal bandeira, a produção sustentável. Estes pequenos produtores aprenderam com o Zona Franca Verde a gerar renda com a floresta, sem causar impactos. O povo amazonense está ensinando ao mundo que a floresta vale mais em pé do que derrubada. Sem falar no bolsa floresta, escolas de tempo integral, ‘Minha Casa, Minha vida’, ‘Jovem Cidadão’ que implantamos juntamente com o governo federal. Enfim, são muitos os programas que nosso governo criou e que o povo merece que continuem.

JC – Todos os programas vão continuar este ano?

Braga – São 230 programas que estamos fazendo no Estado. Espero que continuem, torço para isso. Vou estar do lado. O Omar acompanhou tudo isso desde o começo. Ele é um companheiro leal. Deixo em boas mãos o governo. A equipe toda fica. Nós nunca fizemos a obra do ‘eu sozinho’, existe uma grande equipe que vem comigo desde o início, com poucas exceções de pessoas que entraram depois, mas se encaixaram perfeitamente ao nosso ritmo e ao nosso ideal. Eu não faria o que eu fiz, não passaria pelo que eu passei se não fosse a companhia destas pessoas.
Nós construímos um momento bem ideal para o Amazonas. Tomara que isso continue.

JC – Como foi para o senhor renunciar ao seu posto de governador do Amazonas?

Braga – Nunca renunciei a nada na minha boa luta nas causas públicas. São, hoje, quase 30 anos de vida pública. Senti algo extraordinário dentro de mim. Nunca tive dificuldade em expressar meus sentimentos, mas nunca antes me deparei com igual situação. Sinto-me honrado pelo Estado que me acolheu. Nessas horas, a gente começa a lembrar de tudo que aconteceu, e a recapitular a nossa trajetória. Lembro que o Amazonas foi uma âncora para meu pai, que veio do nosso Estado vizinho, o Pará, atraído pela esperança de melhorar a vida de sua família. Naquela busca por oportunidades. Não tive que lutar para comer. Meu pai lutou por mim para combater a fome. Mas me ensinou a lutar pelo conhecimento, o que me fez descobrir as razões pelas quais as pessoas vão aos outros Estados procurar por novas oportunidades, para fugir da miséria e da falta de políticas sociais. Talvez por isso eu tenha seguido esta carreira. Hoje sou ex-governador. Dá um certo aperto no coração, mas é uma etapa importante que se encerra. Mas, tenho certeza que esse encerramento trará novo começo.

JC – Quais os planos agora?

Braga – Pretendo descansar por um breve período para depois voltar ao Amazonas. Devo assumir a liderança do meu partido, o PMDB e vou reunir o grupo político ao qual pertenço para pensarmos nas próximas eleições. A única coisa que vou afirmar é que meu nome estará sempre sendo posto à avaliação popular. Vamos entrar nessa nova briga. Vou articular nossa participação de forma muito tranquila, em torno da candidatura da ex-ministra, Dilma Rousseff (PT) e ao lado do nosso presidente, o Lula. Outra prioridade do nosso grupo político é pela continuidade do nosso trabalho. Se falo em continuidade, defendo a legitimidade da candidatura à reeleição do Omar. Mas ainda temos muito a debater para chegarmos ao formato ideal da nossa participação. O que eu sei é que sendo senador ou ministro ou qualquer outra coisa, meu compromisso é com o Amazonas e a nossa causa.

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