“Temos de nos preparar para as mudanças”

Hoje, o presidente do Sinaees (Sindicato das Indústrias de Apa­relhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus) e tam­bém vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado Ama­zonas), Wilson Périco, substitui Maurício Loureiro e assume mais um cargo, a presidência do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Ama­zonas).
Segundo o dirigente, “é uma honra e será um grande desafio substituir Loureiro a frente do Cieam”.
Em entrevista ao Jornal do Commercio, Périco de­cla­ra que vê um futuro de mui­tos desafios, “mas que conseguiremos enfrentar e sair cada vez mais for­ta­le­cidos. Temos de es­tar preparados para as mu­danças que certamente virão”.
Segundo o presidente, há ne­cessidade de unir as en­ti­dades laboral e patro­nal, Governo do Estado e bancada federal amazonense para defender os interesses da ZFM (Zo­na Franca de Manaus), que tem sofrido prejuízos com as recentes decisões nacionais.
Por conta da representati­vi­dade do Amazonas em Bra­sília ser pequena, quando com­parada a São Paulo, Paraná, entre outros, ele ressalta que é preciso “conseguir apoio de outros Estados das regiões Norte e Nordeste para alcançar nossos objetivos”.
Mesmo com as discussões a respeito do cargo de superintendente da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), Périco define que o papel do Cieam “será muito mais no sentido de colaborar com os agentes dos poderes públicos, assim como cobrar dos mesmos, medidas e ações de interesse dos associados e os direitos de nossa região”.

Jornal do Commercio – O que muda com a nova gestão?
Wilson Périco – Na verdade, muda a pessoa que estará a frente da enti­dade, não muda o foco. Pode mudar um pouco a forma de interagir e agir nos assuntos pertinentes ao Polo e aos Associados do Cieam.

JC – O Cieam deve se posicionar quanto aos nomes indicados ao cargo principal da Suframa ou até mesmo pela permanência da atual superintendente?
Périco – O Cieam é uma entidade sem vínculo partidário ou político. É claro que podemos colaborar e, se formos demandados, participar de alguma discussão nesse sentido.

JC – Diante de assuntos como as medidas provisórias, Reforma Tributária, entre outros, quais reivindicações a indústria pretende encaminhar ao governo?
Périco – Primeiro, a de que devemos estar todos juntos, entidades de classe laboral, patronal, Governo do Estado e nossa bancada, para buscar formas de implementar nossas considerações na redação dessas medidas, evitando impactos negativos à atividade industrial e economia do nosso Estado.

JC – O Amazonas tem sido posto em xeque neste ano. Na sua visão, qual o futuro da ZFM?
Périco – Temos sim muitos interesses contrários aos direitos da ZFM. Começando por outros Estados que insistem em tirar investimentos do PIM com a guerra fiscal, deflagrada no Governo FHC. Temos interesses pessoais do Ministro Aloizio Mercadante, que almeja retomar sua atividade política no Estado de São Paulo. Dentro do Mdic [Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior] e do MCT [Ministério de Ciência e Tecnologia] existem funcionários com pré-disposição contrária aos direitos do modelo, que dificultam a aprovação de PPBs [Processos Produtivos Básicos] que viabilizariam novos investimentos em Manaus. E também temos a questão da convergência digital, que levará produtos como a TV, cada vez mais para a lista de bens de informática. Precisamos desenvolver novas alternativas econômicas para o nosso Estado, porém, para que isso aconteça, precisamos de tempo para desenvolver capital intelectual e atrair investimentos nesses novos nichos.

JC – A entidade tem autonomia suficiente para resolver ou minimizar as discussões que envolvem a Zona Franca?
Périco – Ela tem auto­nomia para discutir tudo o que for de interesse de seus associados. Não temos envolvimento político parti­dá­rio e as questões em torno do modelo Zona Franca são em âmbito político. Mesmo algumas questões discutidas por técnicos do Mdic e MCT têm componente político elevado, exemplos são a decisão da Lei de Informática e a não fixação de PPB para calçados esportivos. O MCT decide o que vai ser produzido no país e onde será produzido, isso não se baseia em análises técnicas somente, mas na pressão política para essas decisões.

JC – Então como se fazer presente diante destas discussões meramente políticas?
Périco – Contribuindo com o Governo do Estado e com nossa bancada. Participando sempre que necessário ou que formos demandados. Temos que ter consciência de que não estamos defendendo somente os investimentos feitos no PIM, mas também e, principalmente, os empregos gerados por eles.

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