“Pelo Amazonas, contra São Paulo”

Em contundente discurso proferido no pequeno expediente da sessão de ontem (19) da Assembleia Legislativa, o presidente regional do PSDB, deputado Arthur Bisneto, mandou um ultimato ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB): ou os tucanos paulistas mudam de atitude em relação ao Estado do Amazonas e à Zona Franca de Manaus ou os tucanos amazonenses mudam de ninho e vão buscar outra legenda para disputarem as eleições de 2014.
“Não aturamos mais a briga de São Paulo contra o Amazonas, é preciso colocar ordem nisso tudo”, expressou Bisneto da tribuna, não deixando dúvidas de que o prefeito de Manaus, Arthur Neto, uma das maiores lideranças nacionais do PSDB, abandonará a sigla se o governador paulista não mudar seu comportamento sobre a “guerra fiscal” contra a ZFM.
Segundo explicou ao Jornal do commercio, as divergências entre o prefeito manauense e Geraldo Alckmin aumentaram depois que Alckmin denunciou o Amazonas no Supremo Tribunal Federal contra a lei 2.826/2003, que sustenta a atual política de incentivos fiscais daquele Estado e que prejudica a ZFM. “Isso tudo se aprofundou com as nossas discussões por conta da questão dos tablets e da criação das ZPEs (Zonas de Processamento de Exportação). Então, ou o PSDB se comporta com respeito ao Amazonas ou terá que aguentar as consequências”, disse.
De acordo com Bisneto, o PSDB hoje é um partido controlado nacionalmente por caciques do Centro-Sul, Sul e Sudeste e esclareceu que, apesar do bom relacionamento com o senador mineiro Aécio Neves, os tucanos amazonenses não possuem afinidades com os tucanos sob a liderança de Alckmin, em São Paulo.
Bisneto diz não ter esperança de que os paulistas mudem de posicionamento quanto ao Amazonas, sobretudo com o acirramento da polêmica em torno da guerra fiscal e dos benefícios da partilha referente ao ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). E avisou que se a situação permanecer, Arthur Neto deixará o partido.“Compreendo que um governador defenda seu Estado, mas um projeto nacional tem que vislumbrar o País e não se deslumbrar na praia de Ipanema.Se houver uma polêmica interna mais grave, nós vamos nos insurgir”, alfinetou, ressaltando que o PSDB “não deveria existir mais no Amazonas e ele só existe aqui por causa da grande liderança de Arthur Neto. Nossa pátria é o Amazonas, depois é o país, o país que não é apenas São Paulo”.

PSB

Arthur Bisneto não quis adiantar nada ao JC sobre o futuro de Arthur Neto e dele próprio caso deixem o PSDB. Considerou bastante prematura a questão, preferindo aguardar o curso dos acontecimentos. “Por enquanto, estamos preocupados com a discussão nacional do PSDB sobre o nosso Amazonas, que é o que nos interessa de fato”, observou.
Na Câmara Municipal, o vereador Marcelo Serafim, um dos principais líderes do PSB no Estado, também acha cedo para especulações e afirmou desconhecer qualquer articulação sobre o possível ingresso de Arthur Neto e seus liderados no PSB, presidido pelo ex-prefeito de Manaus Serafim Corrêa. Arthur pertencia ao partido quando disputou o governo estadual em 1986 pela coligação “Muda Amazonas”, da qual distanciou-se a partir de 1989. Na ocasião, ele exercia seu primeiro mandato à frente da Prefeitura de Manaus e queria apoiar a candidatura do senador paulista Mário Covas (PSDB) à Presidência da República.

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