“O Censo é o retrato da sociedade em que vivemos”

Pouco mais de um mês se passou e a pesquisa Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no Amazonas já alcançou mais de 50% da população e 37% dos domicílios. Por ser o maior território da Federação e fincado no meio de florestas e rios, o Amazonas requer cuidados especiais no desenvolvimento da pesquisa. Em entrevista ao Jornal do Commercio, Adjalma Nogueira, Coordenador de Disseminação de Informações do IBGE, revelou parte das estratégias para chegar aos mais longínquos municípios e comunidades do Estado. “Tem lugares que só conseguimos chegar no lombo de um cavalo ou de canoa. Para melhorar o desempenho, procuramos recrutar pessoas da própria localidade. Custa mais caro, mas vale a pena”, disse. Principal fonte de dados do Brasil, o Censo, promovido a cada 10 anos, é a ferramenta utilizada pelo governo federal, estados e municípios como raio-x da população e com base para o planejamento político, econômico e social do País. Iniciada em agosto, a 12ª edição da pesquisa deverá revelar a nova cara do Brasil e do Amazonas.

Jornal do Commercio – Para que serve o Censo?

Adjalma Nogueira – O censo é a principal fonte de dados sobre a situação de vida da população nos municípios e localidades. São coletadas informações para a definição de políticas públicas em nível nacional, estadual e municipal. Os resultados do Censo também ajudam a iniciativa privada a tomar decisões sobre investimentos. Além disso, a partir deles, é possível acompanhar o crescimento, a distribuição geográfica e a evolução e outras características da população ao longo do tempo.

JC – No Brasil, mais de 50% da população já foi pesquisada. Em qual estágio se encontra a pesquisa Censo no Amazonas?

Nogueira – Estamos com 32 dias de coleta do censo. E na verdade no Brasil já foram recenseados 55% de pessoas estimadas e 54% de domicílios. Em nível de Amazonas 50% da população estimada já foram recenseadas e 37% de domicílios também.
O município de Amaturá e Codajás foram os primeiros a alcançar 100% da sua população estimada, mais não alcançaram 100% de domicílios. Significando que essas cidades já superaram o número de habitantes contabilizados no último Censo?

JC – O Amazonas é um Estado peculiar com particularidades que dificultam o acesso ao território. Para viabilizar a pesquisa, o IBGE precisou adotar métodos diferentes para o Amazonas?

Nogueira – Estamos dando prioridade às áreas urbanas, isso não significa que erramos e deixamos de lado o interior. Acontece que essas zonas estão mais próximas dos nossos núcleos, se algo no sistema utilizado por nossos recenseadores der errado, temos a possibilidade de resolver com mais rapidez.

JC – Como esta sendo feita a logística no Estado?

Nogueira – A logística no Amazonas é extremamente complexa, temos nos armado de todas as possibilidades. Existem setores censitários que podemos chegar de automóvel, porém existem aqueles que o recenseador só chega em lombo de cavalo ou só de canoa. Nós procuramos nos adequar as características do Estado, contudo o principio básico da nossa logística foi contratar pessoas residentes dos próprios setores censitários. Isso é algo que muito nos ajuda, embora tenhamos que gastar mais dinheiro na contratação e capacitação delas, porém vale a pena.

JC – Alguns recenseadores reclamam de falta de pagamento. Isso existe?

Nogueira – O problema é que a maioria das pessoas não entende o que é trabalhar por produção. O recenseador é remunerador pelo que ele produz (entrevistas), o que significa que ele precisa concluir toda a área censitária que lhe é confiada para que o seu pagamento ocorra. Verificamos se realmente ele entrevistou todas as casas e em dois dias depositamos seu pagamento. Então isso não procede.

JC – Qual a importância da realização do Censo e como a pesquisa ajuda no desenvolvimento do País?

Nogueira – É de grande importância, o censo tem um leque de informações e uma abrangência que possibilitam aos governantes a elaboração de políticas públicas que contemplem todas as áreas da sociedade. Ele faz um retrato da sociedade em que vivemos. O censo brasileiro é um dos maiores do mundo, para se ter uma idéia o censo americano possui sete perguntas e no Brasil o menor tem trinta e duas e o maior possui 82 perguntas.

JC – Qual foi a maior dificuldade até agora?

Nogueira – Na área urbana encontramos dificuldades com os moradores de condomínio, a primeira barreira que enfrentamos nesses lugares são os síndicos ou administradores que não permitem que o recenseador entre nos condomínios fora do horário comercial, que justamente o horário que os moradores se encontram em suas residências. A resistência dos moradores é outro ponto, muitos deles por desconhecerem o que é o Censo e sua importância negam-se a receber o recenseador temendo que o IBGE repasse as informações para órgãos como a Receita Federal. O que de forma alguma acontece. Contudo com o auxilio das mídias as pessoas estão mudando essa visão deturpada sobre o Censo.

Curiosidades do Censo

aO Censo vai custar em torno de 1.600.000.000,00 (um bilhão e seiscentos milhões de reais).
aO Censo 2010 deverá ser o último grande Censo do Brasil. Os próximos provavelmente serão anuais, utilizando o método de Amostras.
aForam contratados Duzentos de Setenta Mil recenseadores.
aManaus possui Dois Mil e Trezentos setores censitários.
aO recenseador ganha em média R$: 700,00.
aForam comprados em torno de Duzentos e oitenta mil computadores de mão os chamados PDA’S.

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