“Não sou picareta, não sou candidato a nada”

Em tom de desabafo, o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PDT), ao falar à imprensa na manhã de ontem, 15, na Assembleia Legislativa, repetiu sua determinação de não se recandidatar à prefeitura municipal e advertiu que “a luz vermelha está acesa” no Estado. Presente à solenidade de outorga do título de Cidadão do Amazonas ao alagoano Mário Manoel Coelho de Melo, responsável pelo Escritório de Representação do Governo do Amazonas em Brasília, na ALE-AM, Amazonino lamentou que, apesar da “luz vermelha”, a classe política não está tratando como deveria os problemas mais sérios do Estado, inclusive a crise da água e o drama da Zona Franca de Manaus, ameaçada pela concorrência desleal dos produtos chineses.
O prefeito não apenas negou a recandidatura, como também negou que esteja doente. “Estou maduro, mais velho, mas não estou doente, na verdade estou cansado, o que é diferente”, explicou, antes de disparar ataques ao senador Eduardo Braga (PMDB-AM) e garantir que encontrou a solução para os problemas do sistema de abastecimento de água das zonas norte e leste da cidade, sem precisar do Proama (Programa Águas para Manaus).
“Ocorre que eu não sou picareta e vou dar o xeque-mate final para resolver o problema da água em Manaus, não com politiquice, porque a água virou pão político para os picaretas de plantão, não sou picareta, eu tenho uma história”, investiu o prefeito, mandando recado ao senador Eduardo Braga que o pechou de “picareta” há dois meses em entrevista à uma rádio da capital por causa do Proama. Amazonino prometeu que a solução para a água será anunciada em coletiva que concederá amanhã, quando destacará o resultado de “um trabalho silencioso” na luta para equacionar a questão da água.
Segundo o prefeito, quem defende o Proama “está mais por fora do que umbigo de vedete, ninguém precisa do Proama para resolver o problema da água na cidade”. Ele ressaltou sua decisão de afastar a empresa Águas do Amazonas e elogiou a parceria com o governo do Estado. “Reconheço que a Águas do Amazonas deixou de fazer os investimentos que deveria ter feito, tudo foi facilitado para ela, mas não resolveu nada, e agora, para superar as dificuldades, tive um ano de trabalho silencioso, passei um ano trabalhando em silêncio, não podia falar, temendo forças ocultas, mas eis a solução para a água”, salientou.
Sem esclarecer o que seriam as “forças ocultas” que perturbavam o seu governo há um ano, o prefeito voltou a atacar Braga dizendo que “o senador é só um queridinho da Dilma, o senador é para cumprir bem o seu papel de estadista e defender o Estado no Congresso”. Para ele, o senador errou, quando governador do Estado, ao comprometer o orçamento estadual “com os gastos de milhões com uma Arena da Amazônia em um Estado que nem futebol tem”. “Hoje, o Estado paga R$ 800 milhões para amortizar sua dívida com a União, mas daqui a pouco vai ter que pagar R$ 1 bilhão e meio”, frisou, chamando a atenção de Eduardo Braga e da bancada federal do Estado em Brasília. “Vamos discutir tudo isso com seriedade, ninguém pode viver de fuxico político usando blogs portais, Twitter, Facebook etc.”, alertou.
Sem pensar em recandidatura, Amazonino Mendes disse que aproveitará a atual campanha municipal “para fazer uma grande reflexão” e continuar a tocar seus programas administrativos com seriedade. “Vamos continuar trabalhando com seriedade”, afirmou, lamentando que “a politicagem hoje tenha tomado conta de tudo, ninguém discute mais os problemas de Manaus de forma técnica, você abre os jornais e é só politicagem”, protestou.

“O governador Omar é um herói, um gigante”

Ao final de sua conversa com a imprensa na ALE-AM, Amazonino repetiu: “Não sou candidato à reeleição em respeito ao povo, porque estou cansado, não estou doente. Se eu me recandidatar e continuar na prefeitura, não sei se aguento, não sei, porque a carga é pesada demais, não posso ser desonesto comigo”, observou.
De fora do processo eleitoral, o prefeito quer se dedicar agora à parceria com o governador Omar Aziz e ajudar a enfrentar os problemas mais agudos da capital. “Estamos com problema gravíssimo com relação à Zona Franca de Manaus, a China está acabando com a indústria brasileira e acabando com a nossa Zona Franca. Nesse sentido, ressalvo a figura do atual governador Omar, que está profundamente empenhado em fazer um bom governo, e sei que ele precisa ter os instrumentos para isso. A própria classe política deve fazer uma reavaliação do seu papel e ajudar mais o governador, que é um herói, um gigante, um grande parceiro”, desabafa o prefeito, provocando a bancada federal. “O que estão fazendo os deputados federais?, o Estado tá pagando 800 milhões de reais de amortização de sua dívida/ano, a luz vermelha está acesa”.

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