“É o povo que pede a minha volta”

Jornal do Commercio – Como o senhor analisa os problemas enfrentados pela sua candidatura em Manacapuru?
Washington Régis – Vou fazer um relato de toda a verdade. Primeiro, há oito anos, mais ou menos, quando o Ângelus Figueira não podia ir para a reeleição, o juiz Luiz Cláudio Chaves encontrou uma suposta improbidade, porque eu teria instalado o serviço de mototáxi em Manacapuru. Na realidade, a Câmara Municipal aprovou a matéria, eu não fiz nada. Aí a questão veio pra Manaus e eu me defendi. Depois que eu não fui mais candidato, apresentei ao tribunal minha defesa, mostrando que não tinha nenhum dolo e que nunca investi nenhum centavo do dinheiro público no serviço de mototaxista em Manacapuru. O Tribunal de Justiça do Amazonas e a Câmara me isentaram de qualquer improbidade, qualquer dolo que tivesse causado ao erário público. No entanto, confirmaram a multa dizendo que eu tinha que ter feito o processo licitatório. Eu estou em Brasília com isso e estão dizendo que eu não podia pensar em licitar um negócio que, em princípio, ‘pegava’ só com a Lei da Câmara. Mas, tinha uma lei maior, até ali era proibido ter mototáxi. Eu tenho um acórdão do TJAM que diz que eu não tenho problema nenhum com qualquer dolo, que não tenho improbidade. Esse é o acórdão do TJA, dizendo que eu não causei dolo e não teria nenhum problema na minha eleição, tudo de acordo com a Lei da Ficha Limpa. O gestor não pode gastar à toa o dinheiro público. Se eu não gastei nada com o serviço de mototáxi, que crime eu tive? Assim mesmo aconteceu um fato interessante. Eu já falei isso pro promotor até na frente do desembargador Pascarelli.

JC – Apesar de tudo, a sua candidatura ficou em xeque?
Régis – Numa noite, chegou uma pessoa em minha casa e disse que uma pessoa ligada ao (prefeito) Ângelus falou que o promotor ia pedir que o não registro da minha candidatura por causa da questão dos mototaxistas. Eu passei a manhã ligando para o promotor e quando falei com ele, ele me disse que estava tomando a decisão por convicção. Eu questionei: uma convicção da qual uma pessoa já sabia ontem? Essa é sua convicção? O senhor não tem aí o acórdão do Tribunal de Justiça do Amazonas, o qual me isenta? Ele disse “olha, está nos autos”. Foi curto e grosso. O desembargador Pascarelli foi a Manacapuru fazer uma reunião para pedir uma eleição em paz e eu fiz uma colocação na frente do desembargador, da juíza Rosália Sarmento e do próprio promotor: uma eleição só pode acontecer em paz se houver justiça. E eu comuniquei o fato que aconteceu naquela noite. O promotor não desmentiu. Confirmou que eu havia ligado para ele, falado o fato e que ele apresentou minha denúncia e que ele estranhava como tudo tinha vazado. Bom, o desembargador Pascarelli disse: “Olhe, senhor deputado, o Judiciário é um e a promotoria é outra”. Eu disse: “Olhe, desembargador, para os mortais lá da ponta, que votam na gente, o promotor também é justiça”. Então, se o promotor não cometer justiça, na ótica deles, estaria ocorrendo uma injustiça.

JC – E o registro da candidatura?
Régis – Ele confirmou, pediu o não registro da minha candidatura e a juíza vai e acrescenta mais. Eu tinha um embargo negado no Tribunal de Contas do Estado referente à minha conta de 2005. Estranho porque eu tinha minhas contas aprovadas por unanimidade. O que aconteceu? Num documento que o Tribunal de Contas mandou para ela, para a juíza Rosália, falava realmente em embargo, que tinha sido um vereador que colocou pedindo a anulação da minha prestação de contas. O histórico que tem é um vereador que pedia a anulação e que a conselheira Yara Lins negou, porque eu tinha as contas aprovadas por unanimidade. Voltei e apresentei o documento ao tribunal dizendo que estava limpo. Aí ela faz um parecer dizendo que não concordava com o fato de o Tribunal de Contas ter aprovado minhas contas e que fez um ato errado. Ela disse que não tinha porque aprovar minhas contas, fez um juízo “nada a ver” com ela. Se ela está contra mim, ela não tinha que se prender ao que o tribunal decidiu, não é da alçada dela. E aí o caso mais interessante, é que no mesmo dia em que ela negou o meu registro, ela também negou o do ex-prefeito, apesar de que a cidade toda já sabia que era tudo “faz de conta”. O dele ela voltou atrás, o meu não. Ainda ficou dizendo que não entendia porque o Ângelus teve as contas negadas pela Câmara. Mas com ele, ela voltou atrás. Ela, infelizmente, não age legal como magistrada. Ela passa a “ter lado”, e isso não é bom para a Magistratura. Vale uma observação política: será que neste país, onde todos os municípios do porte de Manacapuru têm mototaxistas, eu vou ser o único prefeito que vou arrumar um pretexto de improbidade porque tinha mototáxi no município? Isso é um negócio que vai ser inédito no Brasil. Outra coisa: o Tribunal de Contas aprova e uma juíza de Direito diz que desaprova minhas prestações de contas, quando ela se dá o direito de também ser conselheira. São dois absurdos.

JC – Por que tudo isso acontece com o senhor em Manacapuru
Régis – Porque não tem uma pesquisa em Manacapuru na qual eu não dou goleada no prefeito que está lá. Então, esse é o pano de fundo. Pergunte de qualquer pessoa com imparcialidade em Manacapuru como era a saúde no tempo do Régis? O pessoal diz: nota 10. Como é hoje ? Um caos. Mais doente do que o hospital. A saúde está doente. É o povo que pede que eu volte.

JC – Faça uma comparação da saúde na gestão Régis com a gestão Ângelus?
Régis – Comparando a saúde hoje com o que era no meu tempo, o povo quer que eu volte urgente porque era cem vezes melhor. Na educação, eu fui o prefeito que mais construiu salas de aula na história de Manacapuru. E com um detalhe: paguei o melhor salário para professores e o resíduo dava porque eu dividia 70% do Fundeb. Fomos o único município ou um dos poucos do Estado que viveram baseados entre 30% e 60%, eu passei pra 70% para pagar os funcionários. Eu fui o primeiro prefeito a colocar fardamento, comprando blusa para os alunos. Fui o primeiro da história. Eu tive a oportunidade de ser o primeiro prefeito a fornecer todo o material didático para os alunos da rede municipal. Ofereci o melhor transporte escolar, talvez de todo o Amazonas. Eu fazia a melhor merenda escolar, com um detalhe: os diretores atestavam que os alunos saíam às 5h manhã, quando eles chegavam nas escolas tomavam café antes de entrar em sala de aula. E aqueles que saiam mais tarde almoçavam.

JC – Mas, e a saúde? Por que está um caos?
Régis – Voltando um pouco na saúde, nos quatro anos eu fiz os postos de saúde terem médicos e odontólogos de segunda a sexta-feira, isso criou um clima de estabilidade na saúde. Agora, a saúde voltou a ter todas as deficiências. Manacapuru, no meu tempo, passou a ouvir falar em neurologista no hospital. O povo nunca tinha ouvido falar em cardiologista presente. Ortopedista presente 24 horas, com um detalhe: fazendo cirurgias em Manacapuru e depois, na recuperação, a prefeitura pagava toda a fisioterapia. As pessoas não precisavam se deslocar para Manaus como era antigamente. Urologistas, obstetras e ginecologistas, que faziam lá em Manacapuru até cirurgia do períneo. Fiz um laboratório que deixei pronto para fazer o Papanicolau e desativaram, está atrás da Câmara, nunca levaram em frente. Hoje, as senhoras de Manacapuru colhem o exame preventivo e passam três ou quatro meses para obter o resultado. Então, na saúde houve avanço com o Régis e na educação também. Em quatro anos de prefeito, não tem uma pessoa que diga que eu fiquei devendo um real sequer. E olha que eu comprava tudo no comércio de Manacapuru.

JC – Quantos servidores possui hoje Manacapuru?
Régis – Acredito que em torno de 2 mil funcionários.

JC – E a receita do município durante o seu governo e o de Ângelus Figueira?
Régis – De ICMS, em 2008, eu tive R$ 15. 590.681,88. O Ângelus, em 2011, teve R$ 19.877.840,27. Ele teve a mais R$ 4.287.158,39. Em termos de FPM, eu tive R$ 18.949.975,38. Ele teve em 2011 a receita de 23.709.828,31, mais que eu em relação a 2008, que foi meu melhor ano. No Fundeb eu tive R$ 18.931.248,79. Ele, em 2011, teve R$ 26.385.815,91. A mais do que eu, só em um ano, ele teve do Fundeb R$ 7.160.038,37, com um detalhe: teve uma diferença maior de R$ 16.198.506,65, maior de um ano para o outro. Aí você pergunta quanto material escolar ele repassou? Quanto resíduo deu para os professores? Atrasou o barco escolar apesar dessa fantástica arrecadação de 2011. Faltava merenda. Essa que é a grande diferença que o povo hoje compara. O Ângelus diz que arrecada pouco. Ele diz que fui eu que arrecadei muito com o gasoduto em quatro anos. Só que hoje você tem a facilidade de se informar pela SDS de quanto arrecadei. O máximo que eu arrecadei em quatro anos foi R$ 11 milhões. Ele arrecadou R$ 16 milhões a mais do que eu.

JC – O que aconteceu com o senhor na CPI da Transparência?
Régis – O Ângelus assumiu a prefeitura e inventou uma CPI da transparência. Eu fui lá e eles deram um “abafa”, não me ouviram mais, acabaram com a CPI porque era tudo jogada ensaiada. O objetivo da CPI era me destruir. Inventou não sei quantas coisas que eu fiz. Eu me dirigi à Polícia Federal. Me dirigi ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público Estadual. Não querendo ser melhor do que ninguém, mas eu desafiava a Assembleia Legislativa para fazer uma CPI contra mim. Um político, para pedir CPI contra si e entregar a vida dele nas mãos da Polícia Federal não é fácil, não, e Deus foi muito bom comigo. Desafiei várias vezes a Assembleia a fazer CPI contra mim e não fez. Eu pedi, implorei, pedi aos órgãos de comunicação que levantassem a minha vida e a do Ângelus. Agora sabem por que não levantam a dele? Porque a dele tem prisão. Tem pedido de prisão na Polícia Federal. Ele tem duplicidade. Então é melhor a turma dele dizer “isso não dá em nada”, porque dariam minha certidão de idoneidade. A Assembleia, por meio da Comissão de Assuntos Comunitários, do deputado Tony Medeiros, levantou todas as denúncias contra mim. Pergunta se os deputados encontraram alguma coisa? Podem entrevistar qualquer deputado.

JC – O governo do Estado sempre ajudou bem Manacapuru?
Régis – Obviamente, eu quero fazer justiça. O governador Omar Aziz mandou dinheiro para Manacapuru suficiente para a cidade ficar melhor. Tanto a cidade como o interior. Tenho que ser justo com o governador. Com o dinheiro que ele mandou para lá era para o povo estar vivendo dias melhores. Infelizmente, o prefeito não correspondeu. E eu tenho certeza de que comigo prefeito, o governador não vai fazer diferente. E eu vou aplicar como apliquei com o governador Eduardo Braga cada centavo que ele mandou para Manacapuru. Vou investir no porto de Manacapuru, uma das minhas prioridades. O governador Omar com certeza vai ajudar. Nós temos essa necessidade urgente e eu vou lutar com ele. Eu acredito que ele vai nos ajudar a ter o grande porto de Manacapuru acompanhado com a duplicação da estrada AM-70. Um bom porto passa pela duplicação da estrada.

JC – Que outras prioridades o senhor tem para Manacapuru?
Régis – Com o governador Omar e com a presidente Dilma, queremos construir um hospital de excelência em Manacapuru, digno de um município polo. Quando eu falei de todas essas especialidades que eu levei, nossa demanda aumentou muito porque municípios como Caapiranga, Anamã, Beruri, Anori, Codajás, Novo Airão recorrem a Manacapuru. Lutaremos por um hospital como o 28 de Agosto em Manacapuru. Um hospital vertical tendo pediatria, maternidade e em cada andar uma especialidade.

JC – Quais são seus planos para o turismo em Manacapuru?
Régis – Vamos investir no complexo de lagos do Piranha. Para se ter uma ideia, as cenas de uma das minisséries da TV Globo teve 80% das imagens de revoadas dos pássaros filmadas no Piranha. Tem período do ano em que todos os pássaros do mundo convergem para o Lago do Piranha. Poucas pessoas sabem disso. O Complexo do Piranha havia sido entregue a terceiros, que já se consideravam donos de um dinheiro para fazer um hotel que foi a Suframa que repassou para o Estado e o prefeito se sentiu no direito de doar para alguém. Mas eu tomei isso. O Edson Bessa quis reativar o Projeto Piranha, mas foi cassado. Passei praticamente quatro anos da minha vida na Justiça para tomar um patrimônio que era do município.

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