10 de abril de 2021

“Briga entre Omar e Braga não existe”

Em entrevista, o prefeito Amazonino Mendes afirmou que não deve se envolver com a política nos próximos meses, mas disse que orientará os prefeitos aliados do interior

Com vários mandatos executivos e um de senador acumulados em seu longo currículo político, o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PDT), pretende descansar depois de empossar o seu sucessor, Artur Neto (PSDB). “Vou fazer tudo e não vou me envolver com política”, afirma ele, sem, no entanto, negar que continuará aconselhando e orientando os 12 prefeitos interioranos que ajudou a eleger nas eleições municipais deste ano.
Com a política correndo em suas veias, Amazonino não resiste e em entrevista à Rádio CBN Manaus, na última sexta-feira (14), opinou sobre um possível cenário para 2014 no Amazonas. Ele garantiu que o atual governador Omar Aziz (PSD) e o senador Eduardo Braga (PMDB) marcharão juntos, com Omar apoiando Braga com certeza. “A briga entre os dois não existe e eles estarão juntos, até porque Omar não poderá ser candidato à reeleição, de maneira que o candidato dele deverá ser o Eduardo Braga”, vaticinou.
Amazonino aposta nesse cenário, mas observa que as mudanças políticas que ocorrerão em todo o país terão reflexos importantes na política amazonense, mas se recusou a confirmar se o prefeito Artur Neto seria um dos personagens das mudanças até 2014. “Hoje há um cenário, mas no país muita coisa vai mudar, com grandes reflexos em nosso Estado”, limitou-se a dizer o prefeito.
Sobre Artur, Amazonino destacou qu o prefeito eleito herdará um bom orçamento, porém, enfrentará problemas agudos para cumprir seu programa de governo. Com mais de 2 milhões de habitantes e um orçamento menor do que cem outras capitais brasileiras, Manaus é uma cidade difícil de se administrar, assegura o prefeito em fim de mandato. “Quando Serafim Corrêa terminou o mandato, deixou uma herança de 1 bilhão e 800 milhões. Eu estou deixando para Artur Neto um orçamento de 3 bilhões e 800 milhões”, frisou.
Amazonino diz que organizou a prefeitura em termos de receita, apesar das dificuldades. “Hoje a receita de ISS é talvez a melhor do país, a cidade não tinha cadastro e a cobrança de IPTU era uma bagunça. Pois hoje Manaus tem seu cadastro organizado, digital. Na época do Serafim, a capacidade de investimento era de 4,7% e estou deixando a PMM com capacidade de investimento da ordem de 14%”.
Em 2012, a situação orçamentária e a capacidade de investimento eram superiores, mas em 2012 veio a crise nacional e o quadro piorou. “O governo federal massacrou os municípios, usou o dinheiro dos municípios para fomentar a indústria automobilística, prejudicando as prefeituras que ficaram sem dinheiro e com as ruas de suas cidades cheias de veículos”, protestou o prefeito, lamentando que o governo jamais compensou os municípios, que, desse modo, não puderam viabilizar investimentos para equacionar os problemas viários.

“A cidade está inchando. Não tem pra onde ir”

“Nós tiramos a Prefeitura de Manaus da UTI, mas não conseguimos tirá-la da assistência médica permanente”, disse Amazonino, avisando que Artur “vai ter que continuar um trabalho árduo, difícil e terrível”. Segundo ele, o novo mandatário precisará de “uma fábula de dinheiro para consertar 14 mil ruas” e terá que lutar para construir outro aterro sanitário para a cidade. “Eu comecei a construção de um novo aterro, moderno, mas mandaram suspender. Artur terá problemas também para racionalizar o trânsito, pois entram em Manaus cerca de 40 mil veículos por ano, a cidade está inchando e não tem para onde ir, isso vai explodir”.
Durante sua fala à CBN Amazonino opinou sobre diversas personalidades que serão protagonistas na cena política de 2014, dentre elas o senador Alfredo Nascimento (PR), que tentará a reeleição. “Um rapaz, de origem humilde, que mostrou capacidade comigo e depois se elegeu prefeito de Manaus e houve uma mudança, ele não estava preparado para a ascensão que teve, não teve autocrítica e quando virou ministro se sentiu o máximo, ficou de salto alto e passou a ter uma vaidade imerecida porque ele nunca foi um gênio”.
Sobre Braga, lançado por ele ao governo do Estado em 2002, Amazonino também não economizou críticas e disse: “Eu o lancei em um momento em que Braga vivia uma situação financeira difícil e se preparava para deixar o país, ele não administrou, simplesmente emprestou dinheiro e fez obras, foi um imperador e fez o que quis, mas tem qualidade, tem valor”. Para Amazonino, que preferiu não falar sobre Omar Aziz, a presidente da República, Dilma Rousseff, “decepcionou, não foi correta comigo e com a cidade de Manaus, até hoje não recebi a verba da Ponta Negra”.

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