10 de abril de 2021

“A Sefaz espera uma eventual superação de metas, a partir de outubro”

Passados pouco mais de um ano após o início da queda na taxa de ocupação das indústrias ocasionada pela instabilidade financeira, o cenário do emprego já ensaia uma acomodação no Amazonas para os próximos meses

Jornal do Commercio – As indústrias registraram maior volume de produção. Por que não aumentaram os níveis de contratação?

Isper Abrahim – As contratações realmente voltaram, mas entendo que a retomada do nível de emprego comparada ao momento pré-crise, todavia, deverá ser mais lenta do que a da produção física. Isso porque as empresas, no período agudo da crise financeira, ‘enxugaram’ seu quadro de pessoal buscando a própria sobrevivência e, na saída da crise, estão com novas estruturas de produção, que passarão a exigir menor número de trabalhadores.

JC – Como o senhor observa o volume de projetos industriais apresentados na última reunião do CAS (Conselho de Administração da Suframa)?

Isper Abrahim – Vejo que a manutenção de um volume razoável de projetos industriais é algo alvissareiro para a economia do Amazonas, porque demonstra realmente a confiabilidade que o empresariado tem, no sentido de continuar investindo na ZFM (Zona Franca de Manaus).

JC – Já é possível se dizer que a instabilidade econômica na indústria acabou?

Isper Abrahim – Com relação à crise, sem dúvida alguma eu diria para você que estamos atravessando um período intermediário, no qual o próprio Distrito Industrial demonstra sinais de estabilização. Inclusive a Sefaz já trabalha com números extremamente otimistas, em que é esperada uma eventual superação de metas, já a partir de outubro. Apesar disso, sabemos que os números não cobrirão exatamente as perdas, vamos dizer assim, que tivemos durante o primeiro semestre. Mas, demonstram efetivamente que as medidas adotadas pelo governo federal e do Estado em relação às renúncias fiscais realmente surtiram efeitos, mantendo empregos e o Estado macroeconomicamente em equilíbrio.

JC – E o crescimento percentual na involução do emprego no Amazonas?

Isper Abrahim – Esta alta mínima observada na taxa de desemprego em agosto pode ser vista como reflexo da acomodação dos números, após o bom desempenho de julho, além do retorno de pessoas à busca por emprego diante do sentimento de melhora da economia. A despeito deste pequeno movimento de elevação, o cenário para o mercado de trabalho nos próximos meses é favorável e diante também dos diversos sinais de retomada gradual da atividade econômica no Estado.

JC – Involução no mercado de trabalho não indica algo errado na economia?

Isper Abrahim – Veja bem, volto a frisar que a crise ainda não passou, embora os sinais que estamos observando no PIM (Polo Industrial de Manaus) demonstrem dados claramente alvissareiros. Eu diria que a situação atual ainda requer muita cautela de nossa parte. É importante que saibam que em outras partes do mundo, essa crise ainda está bem complicada, com índice de emprego bem abaixo dos níveis observados no Brasil.

JC – O que falta para ocorrer efetivo aumento nos pedidos para a indústria?

Isper Abrahim – Veja bem, nossos produtos aqui na Zona Franca são praticamente supérfluos, quer dizer, não são produtos de primeira necessidade. Isso faz com que as pessoas na hora de adquirirem uma TV com tela de LCD (display de cristral líquido) ou um split system, por exemplo, reflitam e reduzam os gastos no comércio. Por isso, nossos produtos não findam sendo considerados como de grande importância na hora do consumidor adquirir os bens. Podemos dizer que estamos atravessando a crise de maneira bem equilibrada, porque está praticamente contida.

JC – Os projetos apresentados na reunião do Conselho de Administração da Suframa preveem a geração de 556 postos de trabalho. Não é um número pequeno demais?

Isper Abrahim – Ora, veja bem, o que se tem de levar em conta é que, em função da evolução tecnológica, é cada vez maior o nível de mão-de-obra especializada nos meios de produção industrial, principalmente em relação à robotização. Você está falando em formação de empregos, mas precisa analisar mais a fundo que a grande maioria dos projetos industriais já requer um nível de tecnologia por parte do candidato bem superior ao que se tinha no passado. Quero acreditar que isso seja muito mais pelo avanço tecnológico que necessariamente pelo período pelo qual a indústria local está passando.

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