‘Minha Casa, Minha Vida’ não atende necessidades do setor, diz Sinduscon/AM

“Se em outras regiões os empresários da construção civil estão achando os novos valores do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ desestimulantes, imaginem para nós, que temos muitas dificuldades”. Foi dessa maneira que o Presidente do Sinduscon/AM (Sindicato das Indústrias de Construção Civil do Estado do Amazonas), Eduardo Lopes, considerou as informações sobre os novos valores anunciados para programa habitacional do governo federal, gerido pelo Ministério das Cidades.
O programa entra na segunda fase com novos limites regionais de preço dos imóveis para a faixa de renda mais baixa, equivalente a R$ 16 mil. Para Manaus, as expectativas são mais agravadas em virtude da estrutura e da logística. “Já havia me pronunciado, antes do ‘Minha Casa Minha Vida 2’, sobre a questão da população que ganha de zero a três salários mínimos que, praticamente não existe no programa. Agora, com os valores já corrigidos, o programa não atende as necessidades do setor da construção civil aqui do Amazonas. Se no Sul e Sudeste já existe reclamação quanto ao custo das obras, imagine aqui, onde a logística e os materiais de construção são muito caros”, lamentou o presidente do Sinduscon/AM.

Sem fábricas

Lopes enfatizou o preço dos materiais e citou as dificuldades encontradas para que esses insumos cheguem a Manaus. “Há materiais que não temos fábricas aqui, em Manaus. Temos só lá, em Presidente Figueiredo, por exemplo. E o preço do metro cúbico vai lá para cima, chega a R$ 30 ou R$ 40. Aqui, só temos uma fábrica de cimento, que é muito caro. Temos dificuldades também para encontrar terrenos legalizados para a construção”, listou.

CBIC sugere ajuste de 30,7%

No âmbito nacional, a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) considerou os novos valores como um “desistímulo à participação da iniciativa privada”.
Para a entidade empresarial, os novos limites regionais de preço dos imóveis para as faixas mais baixas estão muito aquém da realidade de mercado e devem ser revistos, sob pena do programa ficar emperrado.
Desde o início das negociações para essa segunda fase, a CBIC vinha propondo ao governo uma variação linear nos valores. Diante da incidência de sobreposições, o ajuste sugerido pela entidade era de 30,7%. Esse índice seria o mínimo, na avaliação da entidade, para assegurar o andamento normal do programa. A CBIC pondera ainda que o cálculo do índice sugerido não considerou aspectos fundamentais como a variação do preço dos terrenos, que foi muito superior à variação do custo da construção, e o fato de que os novos valores serão utilizados por um longo período.
Em Estados como Bahia, Minas Gerais, Rondônia e Acre, ainda há distorções de valores remanescentes da primeira etapa. E, nas cidades onde já há a transição da primeira para a segunda fase a variação aplicada foi 13%, abaixo da inflação (17,56%).

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