‘Foi um ano de conquistas’

Eleito o novo presidente do Sintracomec (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil) com 95% dos votos dos trabalhadores, Cícero Custódio assume o cargo no próximo dia 30 de dezembro. Com mandato até 2018, o novo presidente destaca a segurança no trabalho e a qualificação da mão de obra como as suas prioridades. Para ambos os projetos, ele destaca a parceria com o sindicato patronal, o Sinduscom (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas). Em entrevista ao Jornal do Commercio, Custódio afirmou ainda que o período de crescimento do setor na capital amazonense, que iniciou em 2011, continua com boas perspectivas e deverá continuar até 2016. Além disso ele anunciou para 2014 a criação do Minha Casa, Minha Vida para o trabalhador da construção civil entre outras melhorias.

Jornal do Commercio – Como foi o ano de 2013 para os trabalhadores da construção civil no Amazonas e quais são as perspectivas para 2014?

Cícero Custódio – Em 2013 tivemos um aumento de 8% a 10% no número de vagas na construção civil. Foi um ano de conquistas para o trabalhador: conquistamos a cesta básica, que não tínhamos; a cesta natalina está em convenção; tivemos também um ganho de quase 9% nos salários.
A construção civil também tem hoje muita dificuldade na parte de transporte. A gente, em parceria com o governador e com a prefeitura conseguimos ônibus para os trabalhadores saindo do canteiro de obras para os terminais. Isso é muito bom para o trabalhador por que ele não fica esperando na parada e chega mais cedo em casa. Isso foi um ganho para os trabalhadores. É um ônibus de linha, não é de graça. O operário paga. A diferença é que o ônibus antecipa a saída da garagem, reduzindo o tempo que fica parado, e chega às 4 horas da tarde nos canteiros de obra.
Foi um ano muito bom tanto em vagas como também nas conquistas. Para 2014 temos algumas obras avançadas. As obras do outro lado do Rio, em Iranduba, também devem gerar muitos empregos para a construção civil. Teremos também muitos prédios lançados na Ponta Negra, Avenida das Torres e Shoppings. Tenho certeza de que até 2015/2016 a construção civil não vai ter queda. Vamos, no mínimo, nos manter ou ter um aumento de 4% a 5% nas frentes de trabalho.

JC – Nesse último mês, após o acidente que matou um operário da Arena da Amazônia, a questão da falta de segurança dos trabalhadores em Manaus ficou muito evidente. Como o Sintracomec vê a questão da segurança nos empreendimentos?

Custódio – Em 2011 tivemos 21 mortes e mais de 300 acidentes na construção civil. Foi uma coisa alarmante. Em 2013, com uma parceria com o Sinduscom e com o Ministério do Trabalho, tivemos uma redução de quase 80%. Neste ano, tivemos cinco mortes, com as três da arena. A obra da Arena da Amazônia não deu muito crescimento para a construção civil porque hoje nós temos 98 mil trabalhadores. As obras da Arena e do aeroporto chegam a 4 mil trabalhadores. Aquela obra (da Arena) realmente é uma obra perigosa, já estávamos prevendo que ali haveria acidentes, principalmente por conta dos trabalhos noturnos. É uma obra que a gente sabe que é perigosa a noite.

JC – Quais são as principais reivindicações da categoria para esta nova administração?

Custódio – Manter a segurança, que é o ponto principal da construção civil. Esse é o ponto importante também para o sindicato patronal. Temos conversado com o Sinduscon, e o próprio Eduardo (Lopes) que é o presidente tem interesse em contribuir. Os investimentos na área de segurança estão crescendo, estão investindo mais. O nosso sindicato quer fazer cursos de qualificação para os trabalhadores. A partir de 2011 a construção civil explodiu no Brasil inteiro e Manaus foi uma das cidades que apresentaram mais frentes de obras e a gente não estava preparado para este momento. Ficamos com muito a desejar no quesito qualificação. Desde então temos feito muitos cursos de qualificação para pedreiros,eletricistas, soldadores, mestres de obras, leitor de projetos. Então tivemos um avanço muito grande. Em 2014 pretendemos continuar com este serviço, mas melhorado, com mais vagas.
E tem também a cesta básica. A cesta básica hoje tem o incentivo do governo que o empresário pode reduzir o impostos dele. Vamos tentar sentar com o governador e com o prefeito para tentar reduzir os impostos dos empresários e aumentar a cesta básica do trabalhador, que hoje é R$ 83 e queremos chegar, pelo menos a R$ 150 reduzindo os impostos. Dessa maneira ganha o trabalhador e ganha o empresário.
Quero acrescentar também que estamos com um projeto Minha Casa Minha Vida do trabalhador da construção civil. Somos 98 mil trabalhadores e 70% moram de aluguel. Somos quem constrói, mas a casa não é nossa. Nós já conversamos com o governador e com vários órgãos e entidades para implantar o Minha Casa, Minha Vida para o trabalhador. Em 2014 já deve começar a funcionar. Isso aí vai representar um ganho para todo mundo.

JC – Uma reclamação comum dos empresários do setor aqui em Manaus era com relação ao grande número de vagas disponíveis que não eram preenchidas por falta de pessoal qualificado. Esses cursos sanaram este problema?

Custódio – Noventa por cento sim. Ainda temos 10% que falta qualificar. Vamos sentar com o Cetam e o Senai, que são nossos parceiros, e em 2014 vamos fechar parceria com todos esses órgãos de curso de qualificação e o próprio sindicato vai buscar recursos para qualificar esse pessoal. Existem áreas específicas, além da construção civil, que também precisam ser trabalhadas. Um exemplo disso é a Petrobras que entre 2014 e 2015 vai precisar de 6 mil trabalhadores para montar a nova refinaria. Esta é uma área muito qualificada, então precisamos de cursos de caldeireiros, eletricista-montador, técnicos de edificações e outras áreas mais qualificadas. Para 2014 a prioridade é conseguir ao menos mil vagas para esse pessoal fazer cursos para atuarem na refinaria. Estamos conversando com o Sinduscom também no sentido de ampliar em 2014 a faixa salarial do operário, por exemplo, que é pedreiro, eletricista, bombeiro hidráulico e carpinteiro, porque ele é qualificado. Isso já servirá como motivação para os outros, que não têm curso, fazerem o curso para ganharem mais. Só isso já deve aumentar nosso salário.

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