Na Amazônia, a floresta é referência política da transição e da proteção socioambiental 

Compartilhe:​

“A Comissão ESG será transversal e seu objetivo é debater, adensar, avançar e dar robustez a esta sigla, que movimenta as empresas em escala mundial, as mais conscientes da questão socioambiental/climática. Os insumos estão à mão, os ingredientes já fazem parte da rotina cotidiana, o fator humano, social, gerencial e, principalmente, ambiental, sempre esteve  no DNA da ZFM desde a primeira hora: integrar a floresta ao país, atribuir-lhe função econômica, para resguardar e gerenciar a sociobiodiversidade amazônica em favor de nossa gente e do Brasil” 

Por Alfredo Lopes – Coluna Follow-up – Portal BrasilAmazoniaAgora 

No vaivém do jogo político, a gestão da Amazônia não poderia jamais ficar ao largo pois se trata de um dos ícones mais valiosos que permeiam o imaginário da Humanidade. Se prestarmos atenção, os temas mais palpitantes do país estão relacionados com a Amazônia: o Marco Temporal, a tragédia Yanomami, o esvaziamento polêmico de dois ministérios – dos Povos Originários e do Meio Ambiente – que subiram a rampa do poder no dia 1º de Janeiro, os créditos de carbono, os serviços ambientais e, mais recentemente, a inclusão do Amazonas entre os novos depredadores da floresta, e a ambiguidade do Fundo Amazônia, que prioriza a preservação da floresta mas não financia projetos econômicos, mesmo sustentáveis, que podem, por sua essência, assegurar a proteção florestal. Na Amazônia, ou para proteger a Amazônia, a floresta tem que ser tratada como referência política da transição econômicas e da proteção social. 

As medidas assinadas pelo governo federal no Dia do Meio Ambiente, por sua componente política, surpreendeu até aos mais céticos com a efetividade operacional da ação pública. Importante, porém, é monitorar as promessas, aplaudir seus eventuais cumprimentos e denunciar possíveis ações negligentes, ou omissões lenientes. Afinal, com as promessas e realizações históricas do atual governo, a opinião pública mundial vai marcar de perto a questão ambiental e a efetividade da proteção florestal. O radar da humanidade para a gestão da Amazônia estará  permanentemente ativado, e será impiedoso a quaisquer distrações ou frustrações com o voto de confiança conferido ao pais. A bola do Brasil está sendo jogada na Amazônia. 

A proteção do meio ambiente, mais particularmente das florestas, sem dúvida alguma, é o investimento mais valioso, o ativo mais precioso do momento para a brasilidade. Sim, para a brasilidade e para a Humanidade em caixa alta, pois foi seu modelo predatório e consumista o motor das ameaças vitais em curso. O planeta, a não ser por umaa explosão simultânea do arsenal atômico, permanecerá. Mas a condição humana, certamente, não. Que motivações adicionais, portanto, precisamos alinhar para a mobilização local, regional e universal a fim de vencermos a batalha do aquecimento global que se impõe como ritual implacável de vida ou de morte, a partir da Amazônia?

Será que nós, que aqui vivemos, estamos atentos à importância crucial de proteção de nossos estoques naturais, sua gestão e relação com a rotina fabril da economia que assegura o custeio principal do tecido social desta região? Como fazer da riqueza aqui produzida o instrumento mais efetivo dessa batalha climática? Como fazer da Amazônia o critério basilar de aplicação da metodologia ESG e suas respectivas modalidades de certificação no âmbito do setor produtivo da Zona Franca de Manaus? Ora, se a roda da economia se movimenta a partir de sua indústria, baseada em compensação fiscal, o desafio é perenizar os acertos dessa economia para a robustez da ecologia e prosperidade do aparato social vulnerável e empobrecido que aqui resiste.

E, neste contexto, é  muito promissor o movimento criado no âmbito do CIEAM, Centro da Indústria do Estado do Amazonas, de governança participativa estribada nas conexões  sociais e ambientais amazônicos, a Comissão ESG,  sob a responsabilidade da conselheira Régia Moreira, até então coordenadora da Ação Social Integrada do setor produtivo da ZFM, 2020-23, mobilizando investidores, gestores e colaboradores do Polo Industrial de Manaus para ajudar no combate aos estragos da COVID-19. As Comissões são um movimento da entidade, mais um, para mobilizar, em âmbito setorial integrado, as questões cotidianas do setor produtivo: Recursos Humanos, Logística, Segurança Jurídica(Tributos), entre outras. A Comissão ESG será transversal e seu objetivo é debater, adensar, avançar e dar robustez a esta sigla, que movimenta as empresas em escala mundial, as mais conscientes da questão socioambiental/climática. Os insumos estão à mão, os ingredientes já fazem parte da rotina cotidiana, o fator humano, social, gerencial e, principalmente, ambiental, sempre esteve  no DNA da ZFM desde a primeira hora: integrar a floresta ao país, atribuir-lhe função econômica, para resguardar e gerenciar a sociobiodiversidade amazônica em favor de nossa gente e do Brasil. 

(*) Alfredo é filósofo, escritor e co-fundador do portal BrasilAmazoniaAgora, consultor do CIEAM e coordenador editorial da Coluna follow-up.

Alfredo Lopes

Alfredo Lopes

Escritor, consultor do CIEAM e editor-geral do portal BrasilAmazoniaAgora

Qual sua opinião? Deixe seu comentário