Crime espalha terror

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Já é transparente, sem nenhuma dúvida. O Brasil virou refém do crime organizado. Há um poder paralelo que espalha o pânico, fazendo valer suas decisões. A morte de um miliciano foi o estopim para ações em série contra o patrimônio no Rio de Janeiro.

Os aparatos policiais mostram fragilidade para conter a fúria de criminosos, que retaliam a Polícia Civil e o próprio governo carioca após o confronto matando um dos líderes de facções naquele Estado.

Na noite de ontem, criminosos incendiaram um trem que havia saído de Santa Cruz, na zona oeste do Rio, em direção à Central do Brasil, no centro. Segundo a concessionária Supervia, o maquinista foi obrigado pelos bandidos a abrir a porta, descer da composição e teve que retornar à estação. Todos os passageiros desembarcaram em segurança, de acordo a empresa.

Desde o início da tarde de ontem, bandidos têm promovido ataques contra o transporte público na zona oeste do Rio de Janeiro. Até as 18h, 35 ônibus haviam sido incendiados em diversos bairros da zona oeste da cidade. Os ataques ocorrem após uma operação da Polícia Civil contra a maior milícia do Rio, que atua na região.

Com o ataque à composição de trem, a Supervia informou, por volta de 18h30, que as composições do Ramal Santa Cruz, que atende à zona oeste, passaram a circular da Estação Central do Brasil somente até a Estação Campo Grande, deixando de passar por seis estações, incluindo a terminal, Santa Cruz.

“Por conta da violência instaurada na zona oeste nessa segunda (23/10), para a segurança dos colaboradores e passageiros, temporariamente encontram-se fechadas as estações entre Benjamim do Monte e Santa Cruz. Os trens circulam somente entre as estações Central e Campo Grande”, informou a empresa.

Segundo o Centro de Operações da Prefeitura do Rio, por causa da dimensão dos ataques, a cidade entrou em estágio de atenção às 18h40 de ontem. O estágio de atenção é o terceiro nível em uma escala de cinco e significa que uma ou mais ocorrências já impactam o município, afetando a rotina de parte da população.

A mobilidade está comprometida em corredores como as avenidas Santa Cruz, Cesário de Melo e das Américas, vias principais de bairros da região. De acordo com o órgão municipal, o impacto no trânsito da cidade causou congestionamento de 121 quilômetros às 18h de hoje, enquanto a média das últimas três segundas-feiras foi de 73 quilômetros.

A MOBI-RIo, que opera os ônibus articulados do BRT, informou que seus ônibus também foram alvo de ataques e interrompeu a circulação do corredor TransOeste, que liga a Barra da Tijuca a Santa Cruz e Campo Grande. Além dos veículos, a Estação Santa Veridiana foi incendiada, e houve tentativas de atear fogo em mais três estações. O governo do Rio de Janeiro reforçou as medidas preventivas.

Nota abre Perfil

Ação impensada…

A pintura em vermelho do calçadão de pedras portuguesas na área de lazer e turismo da Ponta Negra, na zona oeste, ainda suscita muitas polêmicas em Manaus. Foram tantas as pressões que a prefeitura acabou mandando remover a cor. Ontem, trabalhadores aceleravam a conclusão dos serviços na área. Pressionado, o secretário municipal de Infraestrutura, Renato Júnior, disse que o projeto foi executado com o aval do Ministério Público do Amazonas, mas a pasta nega ter se envolvido diretamente na iniciativa, extremamente criticada por internautas.

Agora, o principal questionamento é “quem vai pagar os prejuízos por uma ação impensada, desperdiçando dinheiro público? A pergunta está no ar, principalmente nas redes sociais, onde grande parte da população manifesta o seu descontentamento com a obra. Ruim para o atual prefeito, que já se mobiliza para tentar a reeleição no próximo ano. Como sempre, o contribuinte amazonense é quem vai arcar com as despesas neste momento de vacas magras.

Repúdio

Em nota, o MP-AM reiterou, ontem, que “o projeto deveria ter previsto uma solução adequada para a ciclovia sobre o calçadão, inclusive levando em consideração consulta ao seu corpo técnico e ao CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo”. Na sexta-feira (20), vídeos da faixa viralizaram nas redes sociais. O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas repudiou a ação. E considerou que a intervenção era “inadequada e desrespeitosa com o patrimônio histórico-cultural da cidade”.

Investimentos

Os recursos desperdiçados são vultuosos. A obra da ciclovia de 3,6 quilômetros na região da Ponta Negra custará R$ 4 milhões, dinheiro que vem diretamente do bolso do contribuinte. Segundo o MP-AM, “a decisão de realizar a pintura em vermelho sobre as pedras portuguesas foi uma escolha discricionária do poder público, não havendo qualquer concordância ou anuência da pasta”. No Brasil é assim. Em geral, as decisões acontecem sem consulta à população, atropelando o que diz a democracia.

Mobilização

Vereadores de Manaus e deputados estaduais já se mobilizam para reforçar a bancada amazonense, em Brasília, neste momento de tramitação da PEC da reforma tributária no Senado. A grande esperança para manter os benefícios fiscais do modelo ZFM está nas mãos do senador Eduardo Braga (MDB-AM), relator da proposta. Outro grande trunfo é Omar Aziz (PSD-AM), que tem livre tráfico no governo Lula e também entre os outros senadores, em Brasília. Braga já disse que não permitirá fatiamentos.

Dragagem

Dragagens tentam retomar a navegabilidade nos rios. Ontem, teve início o serviço na costa do Tabocal, próximo ao município de Itacoatiara, a 270 km da capital do Estado. O trecho é considerado crítico para navegação, pelo nível em que se encontra, impedindo a entrada de navios cargueiros com os insumos para abastecer as indústrias da Zona Franca de Manaus. Recentemente, o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou um contrato para liberação de R$ 100 milhões à região por conta da seca.

Dragagem 2

Na tríplice fronteira, entre Brasil, Peru e Colômbia, a prefeitura de Benjamin Constant (distante 1.100 quilômetros de Manaus) alertou sobre a necessidade de consulta aos países vizinhos em relação aos serviços de dragagem no Rio Solimões, algo que poderia melindrar as outras nações. É que cada margem da região é restrita a cada país que faz fronteira com as cidades brasileiras, incluindo o município de Tabatinga, onde está o batalhão do Exército. Pertinente. As autoridades não observaram essa questão.

Calmaria

Em completa calmaria e paz. É como classificou o presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Luís Roberto Barroso, as relações entre os poderes Legislativo e Judiciário. “As duas instituições estão “superpacificadas”, disse ele. A breve declaração foi dada a jornalistas na chegada do magistrado a um hotel da capital paulista, onde proferiu uma palestra a convite do Instituto dos Advogados de São Paulo. Nos últimos tempos, as duas instituições da República vêm travando muitos embates

Delação

Complica a situação do ex-presidente. O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência da República, afirmou em seu acordo de delação premiada que partiu do então presidente Jair Bolsonaro a ordem para confeccionar certificados falsos de vacinas da Covid-19. Em um dos depoimentos prestados por ele à PF, como parte de seu acordo de colaboração, o militar admitiu sua participação na realização de fraudes no sistema do Ministério de Saúde. Três fontes confirmaram as informações.

Violência

Mais um caso de violência escolar sacudiu, ontem, o Brasil. Um estudante de 15 anos armado invadiu a escola Estadual Sapopemba em São Paulo e atirou contra os alunos. Uma menina morreu e outros três estudantes ficaram feridos, segundo o governo paulista. O ataque aconteceu por volta das 7h20 (no horário local). De acordo com as primeiras informações, a polícia foi acionada e apreendeu o autor dos disparos e a arma utilizada por ele. O suspeito disse ser vítima de bullying. Ação recorrente.

FRASES

“Educação transforma vidas”.

Roberto Cidade (UB), deputado estadual, reconhecendo a importância de professores.

“Não descansaremos enquanto não prendermos”.

Cláudio Castro (PL), governador do Rio, sobre caçada a criminosos.

Redação

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Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.

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