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Voltei

Enfim, voltei. Foices, cajados e machados não constituem objetos das trilhas do meu retorno. Sou só. Inteiramente só. Crusoé em meus medos e elucubrações. Estou aqui, meu irmão. Impotente Coração partido pela fatalidade. Pátria ferida de morte. Venda nos olhos. Bandeira na mão. Sem nomes. Somente contextos. Verdades minhas, em minhas limitações. Percebo o caos, com suas infinitas facetas, surgir no horizonte sombrio das tempestades.

Certo? Errado? Nem eu nem você sabemos. Sinto apenas o sangue fluir em minhas veias e a água escorrer por entre os dedos de minhas mãos. Conversamos, em tempos idos, a respeito de muitas coisas, caro leitor. Sobre a mentira, apropriando-se, sorrateira como raposa, das vestes da verdade, para agir como se ela fosse. Falamos, até mesmo, dos deuses do olimpo, onipotentes em suas verdades e ações.

Enaltecemos os Bumbás de Parintins, a grandiosidade do CINDACTA IV, braço militar do Projeto SIVAM. Sofremos com a viajem, para mim prematura, do meu filho para a eternidade. “Kika” e “Paraibuna” fazem parte das amenidades, na descontração permissível do observador das coisas do mundo. “Mesa de Bar” destacou a importância e a valia do desprezado ponto de encontro para a solução de todos os males do mundo, dos abraços fraternos entre amigos, do choro incontido das tristezas e decepções e dos gritos de felicidade.

Em “Introspecções”, refletimos, nos esconderijos mais profundos da mente, sobre o mundo em que vivemos, o que somos, o que pretendemos e vislumbramos. Conversamos ainda sobre aquele incêndio provocado por um louco desvairado, que protagonizou o surgimento da PROFESSORA HELLEY, oferecendo sua vida para fazer viver crianças, algumas das quais nem mesmo conhecia, deixando órfãs três filhas, com 15, 12 e um ano e meio, para tornar-se hoje em dia uma “HEROÍNA”, ilustre desconhecida, em detrimento de “ativistas” que pouco ou nada ofereceram à humanidade, mas permanecem exaltadas por mentes doentias da falsa cultura”.

Fiz dos pensamentos meus choros, sorrisos e mágoas. Engoli em seco as lágrimas sofridas pela partida para mim prematura do meu amado filho para a eternidade, fazendo-me refém da dor diária de uma saudade que se aquieta com o tempo, mas não desfaz suas cicatrizes.

Falei das rosas, das orquídeas e acácias. Presenciei a corrupção assenhorar-se de todas as esquinas. Vi o homem quedar-se a ela em seus infernos pessoais, crenças, mistérios e milagres da vida para assenhorar-se de uma verdade particularmente sua e autoproclamarem-se deuses do olimpo de suas ambições de poder. 

Caminhei na areia da praia, extasiado com a beleza das ondas do mar. Percorri os atalhos das matas e convivi com seus mistérios, guardando belíssimas cachoeiras. Convivi com as misérias do mundo, a grandeza de mãos estendidas e os milagres do desconhecido. Em cada um desses momentos percebi a minha e a tua presença, caríssimo leitor. Sorri e gargalhei de felicidade. Na ponta do chicote, chorei o maior de todos os prantos. Caí. Levantei.

Estou aqui, à Cícero ou Crusoé, no mais alto de todos os cumes das pretensões, na ousadia da podridão humana, no grito ensurdecedor do silêncio e na determinação das forças do bem, a cavalgar no lombo de PÉGASSUS, procurando palavras que definam a pobreza e a santidade do homem nas marcas históricas de sua caminhada. Nada mais desafiador. Dos trogloditas das cavernas aos tempos atuais, muitos impérios foram erguidos, tiveram seus dias de pujança e desapareceram nas garras de sua inútil e malfadada onipotência. 

As orgias, os desmandos, as tiranias, os genocídios e as traições conviveram de forma nefasta e inconcebível. Cristãos perseguidos e mortos. A Inquisição. As guerras pelo poder. Judeus dizimados. Onze de setembro. Oito de janeiro. Tudo e nada se explica. 

Guerra na Ucrânia. Quem sabe Vodcas, Uísques e Cachaças são saboreadas a quatro mãos teoricamente inimigas nos salões luxuosos e reservados dos conchavos, onde as botas sujas da escória, da plebe e do povo, conforme melhor lhes queiram chamar, não têm acesso. Nada se justifica na covardia e nas traições, vindas de onde vierem. Um 7 de setembro frio e desértico nas ruas e Avenidas cobertas de sombras assustadoras e significativas. 

“Para não dizer que não falei de flores”, nas últimas semanas assisti filmes e dois ou três capítulos de uma novela de época conhecida pelo nome “REIS”. Engodos, traições, barbaridades mais do que explícitas em tudo o que vi. A novela retrata o que eram os reinados. São os tempos Bíblicos de Davi. Os três filmes são oriundos de fatos: pai matando filhos; um homem de bem raptando a mulher para ter perto de si a filha amada, da qual perdera a tutela pelas mentiras dos avós maternos preconceituosos, por ele ser árabe. 

Em outro filme, assustador foi ver uma mulher que perdera seu filho imediatamente após o parto em hospital, roubar uma menina recém nascida, mantendo a criança drogada até dezessete anos, com medicamentos que a impediam de movimentar as pernas… por AMOR.  Isto o que somos ou poderemos vir a ser, a depender das circunstâncias: bons, maus, heróis, covardes. Imprevisíveis na ganância, desejos circunstanciais, sonhos de riqueza e poder.

Devastadora foi a visão, em mensagem WhatsApp, de uma criança sendo arrancada por sucção do útero da mãe, em agonia indescritível pela crueldade do crime abominável do aborto. Todas as mulheres deveriam assistir a cena pelo menos uma vez. É verdadeira a imagem? Ou é pura mentira? Não sei. Mas é um alerta. A MENTIRA, assim diz a lenda, apropriou-se das vestes da VERDADE e não mais sabemos QUEM É QUEM. A honradez abriu as portas para a insensatez e capitulou moribunda.

Paradoxalmente e a um só tempo, teimoso otimista que sou, recordo da Irmã Dulce e de Chico Xavier e antevejo o soerguimento das forças do bem, com a virilidade da determinação diante do caos, a ultrapassar os limites de si para fazer vingar o sol em toda a sua pujança, o brilho das estrelas, os mistérios dos rios e mares, os encantos das mil e uma noites nas cores do arco-íris; o incomparável e indescritível encanto da vida; a singeleza do olhar pedinte de uma criança, capaz de impor mudanças de rumo na singeleza de suas pretensões e na imperatividade da máxima do orai e vigiai, pés firmes no chão, olhar no horizonte que se faz visível e repleto de obstáculos a serem ultrapassados com determinação, paciência e vigor.  

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