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Uma lendária história de castigo pessoal e outra a caminho (06)

                                                                                                                                   Bosco Jackmonth* 

Numa escala seguida de cinco abordagens anteriores postas nesta mesma estação de escritos semanais, tratou-se do tema que as encimou tanto quanto a esta por óbvio quando então se prefaciou o bizarro castigo imposto ao personagem utópico Sísifo nomeado como  

carente de cumprir as suas obrigações e o que é pior enveredando por engenhosas falsas narrações, ocorrências que bem se prestam para sintonizá-las  com os já citados passos de políticos locais, repita-se. 

Tudo colhido da saborosa mitologia grega. Como se remonta o já aludido, trata-se de um dos vultos mais notórios daquela milenar cultura, Sísifo rei de Corinto que era tido como o mais esperto entre os homens. Em que pese toda a sua astúcia ou justamente por causa dela, quem sabe, sempre se via nas situações mais complicadas. Cada esperteza criava novos embaraços que por sua vez pediam novas estratégias, isto numa constante sucessão de provisórias saídas. Sucede, ao fim foi castigado por Zeus nos termos que se emprega a seguir em que pese quem sabe já se tê-los abordados nas citadas passagens precedentes, o que não será exaustivo repisar, ao que se supõe.

Assim, consta que Sísifo descobriu por acaso que Zeus havia raptado Egina, filha de Ásopo, o deus dos rios. Como faltava água em suas terras, Sísifo teve a idéia de revelar a Ásopo o paradeiro de sua filha, desde que este lhe desse em troca uma nascente. O pai desesperado aceitou de bom grado a proposta. Deu a Sísifo a nascente e soube então que sua filha fora raptada por Zeus. 

Arrumou assim outro problema Sísifo. Teve a água mas Zeus ficou furioso com a delação e mandou a Morte buscá-lo. Astucioso e confiando nisso, Sísifo recebeu a Morte e começou a conversar. Elogiou sua beleza e pediu-lhe para deixá-lo enfeitar seu pescoço com um colar que na verdade não passava de uma coleira, com a qual Sísifo manteve a Morte aprisionada e conseguiu driblar o seu destino. (Essa postura do passado remete a algo do presente?).

Continuemos. Não morreu mais ninguém durante um tempo. Já se viu, Sísifo soube enganar a morte, mas arrumou novas encrencas, desta vez com Plutão, o deus das almas e do inconsciente, e com Marte, o deus da guerra, que precisava dos préstimos da Morte para consumar as batalhas. Sucede, Plutão, tão logo teve conhecimento do acontecido liberou a Morte e ordenou-lhe que trouesse Sísifo imediatamente para os Infernos.

Deu-se, Sisifo ao se despedir da mulher teve o cuidado secretamente não interrasse o seu corpo. Já nos Infernos, Sísifo reclamou a Plutão da falta de respeito de sua esposa em não enterrar seu corpo. Então suplicou por um dia de prazo para se vingar da mulher ingrata e cumprir os rituais fúnebres. Concedeu-lhe Plutão o pedido e então Sísifo retomou seu corpo e fugiu com a esposa. Havia assim enganado a Morte pela segunda vez. Viveu muitos anos escondido até que finalmente morreu.

Quando Platão o viu, reservou-lhe um castigo especial. Sísifo foi condenado a empurrar uma enorme pedra até o alto de uma montanha. Antes de chegar ao topo, porém, a pedra rolava para baixo e a Sísifo deu-se a tarefa até o fim dos tempos. Assim sendo, é figura que se buscou nos registros da história como o melhor paradigma para situar nos moldes regionais, quando aos meios que políticos utilizam na busca de votos. É o que se voltará a abordar no próximo artigo (07), cumprindo-se então o anunciado castigo a caminho. (Continua).

                                                                            —

    ´*É advogado (OAB/AM 436) versado em consultas e pareceres.

                Contato: boscojackmonthadvogados.com.br

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