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Tragédia também é espetáculo

Quando John F. Kennedy foi baleado, em 22 de novembro de 1963 o mundo inteiro ficou estarrecido. A insegurança tinha chegado a mais alta cúpula do universo. O homem mais poderoso do mundo foi morto por uma bala e isso comoveu ao mundo todo. Todos, inclusive este que escreve, lembram-se exatamente onde estavam quando o assassinato ocorreu. Depois disso, houve a maior gama de especulações sobre os motivos e os mandantes, mas nunca houve unanimidade. Não somei, mas acredito que cerca de uma centena de livros foram escritos a respeito.

Quatro anos e meio mais tarde, em 5 de junho de 1968, o irmão de John, Robert Francis Kennedy foi morto num atentado, quando era candidato favorito à presidência dos Estados Unidos da América. Também foi morto por um tiro, porém em situação diferenciada do irmão. Pai de 8 filhos, marido exemplar (apesar das especulações sobre o caso com Marylin Monroe) não era, assim como o irmão o clássico americano WASP (White, anglo-saxonic and protestant). Eles eram católicos e faziam parte da minoria embora fossem brancos e anglo-saxões.

Uma das maiores redes de televisão da época, possivelmente a CBS, parou com toda a programação exibindo apenas uma tarja, de tela inteira, onde se lia SHAME (vergonha) por duas horas. Nunca houve unanimidade em torno do nome do democrata candidato, mas numa coisa houve sim: No sentimento de vergonha que o ato (repetido) demonstrava. A União Soviética, inimiga favorita, alfinetou com a seguinte frase: “Os americanos fazem o que sabem melhor, transformar a tragédia um espetáculo”.

Provavelmente, os americanos mereceram essa constatação por parte da URSS. Contudo, se analisarmos o Brasil de hoje, os americanos se mostraram meros amadores. Aproveitar tragédias para faturar politicamente é algo que foge à compreensão dos humanos com algum sentimento. O corpo dos que pensam diferente é feito de outro material? As necessidades são outras? Poderíamos perguntar a quem quer que fosse, se alguém teve intenção de matar gente com essa ou aquela medida. Houve intenção deliberada de errar? Não estamos falando das autoridades que desviaram recursos. Estas, não interessa o que estejam fazendo no momento, embaixo de que guarda chuva estão protegidos, mas não deixam de ser bandidos e devem ser tratados como tal.

E a tragédia do temporal na Bahia? De que material são feitos os políticos que fazem proselitismo sobre cadáveres?  Em vez de união em favor dos flagelados, brigas políticas? Será que o dinheiro também será desviado como foi no caso da Covid 19? Não basta apresentar um espetáculo naturalmente macabro, mas precisa demonstrar um comportamento desumano? Será que mesmo na hora da dor, no sofrimento precisa prevalecer o sentimento mesquinho? Os flagelados dos temporais sentem as dores de maneira diferente por causa da cor política de seus comandantes?

É início de ano e é hora de felicitar a todos os que chegaram vivos a 2022. O que não impede, no entanto, de lembrar a tarja da televisão americana há mais de 50 anos:

 VERGONHA, VERGONHA, VERGONHA! (Luiz Lauschner)

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