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Os países mais felizes do mundo

No dia 20/03 celebrou-se o Dia Internacional da Felicidade e este artigo aborda sobre alguns sábios que refletiram sobre o assunto, bem como relembra o dia internacional da felicidade e lista os dez países mais felizes do planeta.

A palavra felicidade vem do latim, resultante de duas palavras: “felix” que significa afortunado, feliz, enquanto que “citas” denota uma condição ou estado, neste sentido, felicidade poderia ser compreendido como “o estado de ser feliz ou afortunado”. 

E em outras línguas essa palavra tem algumas curiosidades. Por exemplo, em inglês, “Happiness” vem do inglês antigo “haepi” ou “aepi” que significa “sorte” ou “chance”, enquanto que o sufixo “ness” é usado para criar substantivos que significam uma condição ou estado. Em japonês usa-se a palavra “Ureshi; 嬉しい”, onde o Kanji Ure (嬉) tem outros três componentes, o primeiro à esquerda (nu em chinês ou onna em japonês) significa mulher, o segundo no topo à direita (Ki ou Yorokobu) significa tambor redondo colocado em um suporte, enquanto que o terceiro kanji (guchi) significa boca, significando vozes alegres em uma festa com acompanhamento musical. Juntando tudo, significa uma mulher se divertindo ou divertindo os outros.

E para quem gosta de filosofia, nossos antigos sábios nos ensinam muito sobre a felicidade.

Aristóteles acreditava que a felicidade (eudaimonia) é o objetivo supremo da vida humana, um estado de excelência que resultava da prática de virtudes morais e intelectuais, como coragem, justiça, sabedoria e amizade.

Já Epicuro defendia que a felicidade (ataraxia) consistia em prazeres moderados e na ausência de dor física e mental. Ele acreditava que a filosofia é o melhor caminho para se alcançar a felicidade. Ele defendia que a busca por prazeres simples e a limitação dos desejos são fundamentais para alcançar a felicidade.

Para Sêneca, ela é obtida por meio da virtude e da sabedoria. Para este filósofo, a felicidade não é afetada pelas circunstâncias externas, mas pelo controle sobre nossas emoções e atitudes.

Interessante são os ensinamentos de Buda, pois ensinou que a verdadeira e duradoura felicidade não pode ser obtida pela busca de prazeres sensoriais, posses materiais ou sucesso mundano, pois elas são impermanentes, ilusórias. Para tanto, Buda criou o Caminho Óctuplo que também deveria ser ensinado em nossas escolas desde o ensino fundamental, como prática para superar o sofrimento (dukkha) e alcançar a verdadeira felicidade, conhecida como Nirvana ou Iluminação, consistindo nos seguintes elementos: compreensão correta, pensamento correto, fala correta, ação correta, meio de vida correto, esforço correto, atenção correta e concentração correta.

Para Immanuel Kant, a felicidade é um objetivo secundário na vida humana, sendo a moralidade o objetivo principal, buscada por princípios morais universais.

Já John Stuart Mill, um utilitarista, defendia que a felicidade é o bem-estar geral da sociedade, podendo ser alcançada pela busca por um bem para o maior número de pessoas, sendo famosa a sua frase “quem só conhece o seu próprio lado do problema sabe pouco sobre ele”.

Já Friedrich Nietzsche entendia a felicidade como um subproduto da busca pela superação e autodesenvolvimento, ele acreditava que o sofrimento e a luta são elementos fundamentais para o crescimento humano e para alcançar a felicidade.

Não poderia esquecer das mulheres, valendo lembrar de Simone de Beauvoir, que em seu livro “O Segundo Sexo”, argumenta que a busca pela felicidade é um desejo universal de todas as pessoas, mas que as mulheres muitas vezes são impedidas de alcançá-la devido à sua posição marginalizada na sociedade.

Já a ilustre filósofa Martha Nussbaum é inspiradora, pois ela propõe uma abordagem mais abrangente para a felicidade em sua teoria das “capacidades humanas centrais”, que incluem a capacidade de ter relacionamentos significativos, a capacidade de realizar trabalhos criativos e a capacidade de experimentar a natureza e a arte. Para ela, a felicidade é alcançada quando as pessoas têm acesso a todas essas capacidades e são capazes de realizá-las plenamente. 

Diante do exposto, percebe-se a riqueza da sabedoria humana para tentar entender e viver a felicidade, sendo um assunto tão gostoso de refletir, mas difícil de praticar, a ponto de, em 2012, a ONU instituir vinte de março como o Dia Internacional da Felicidade, para ajudar a promover a ideia de que ela é um direito humano fundamental, bem como encorajar as pessoas a adotarem hábitos que levem a uma vida mais feliz e saudável, dedicando mais tempo e esforço para buscá-la, tanto individualmente como de forma coletiva.

Além de celebrar anualmente o Dia Internacional da Felicidade, nos últimos dez anos, a ONU e parceiros também divulgam o Relatório Global da Felicidade, pois eles acreditam, inspirados em John Stuart Mill e outros sábios, que a felicidade de uma nação pode ser promovida por meio de políticas públicas e de ações executadas em parceria com as empresas e sociedade civil organizada, como já acontece em alguns países. 

O relatório recém-publicado tem 166 páginas e uma metodologia que avaliou 137 nações, incluindo o Brasil, por meio da análise de indicadores classificados em seis fatores, a saber: apoio social, renda, saúde, liberdade, generosidade, e ausência de corrupção. E neste link <https://worldhappiness.report/> é possível entender a abordagem usada e sua leitura deveria ser feita, especialmente por homens e mulheres de bem que têm o poder de formular políticas públicas, programas ou projetos para a população ou trabalhadores.

Em grande síntese, os dez países considerados mais felizes na edição de 2023 são: 1) Finlândia; 2) Dinamarca; 3) Islândia; 4) Israel; 5) Holanda; 6) Suécia; 7) Noruega; 8) Suíça; 9) Luxemburgo; 10) Nova Zelândia. 

Já o Brasil despencou feio, caindo onze posições, do 38º lugar para 49º lugar, valendo lembrar que na primeira edição, lançada em 2012, estávamos no 25º lugar, avançamos positivamente até o ano de 2016, ocupando o 17º lugar, porém de lá para cá, a felicidade do brasileiro só vem piorando gradativamente.

Diante do exposto, precisamos resgatar a autoestima dos brasileiros, adotando uma abordagem holística, transparente, participativa e integrada para promover a autorreflexão, o bem-estar e a felicidade, a fim de construir soluções coletivas, e consequentemente criar uma sociedade mais solidária, saudável, sustentável e feliz.

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