O silêncio dos bons

A nossa época é notável pelas conquistas intelectuais, mas lamentavelmente marcada pela indiferença moral. Quando vemos, nas mídias, de maneira escancarada, a mentira, a corrupção, a hipocrisia, ficamos indignados com o contexto atual que vivemos. Pessoas que estão no poder se chafurdam na corrupção e zombam do povo diante das câmeras, numa demonstração vergonhosa de indiferença e desrespeito por aqueles que os colocaram na posição de mando. Pais observam, passivos, o mau-caráter de filhos tiranos, violentos, que pisam nos sentimentos alheios como se estivessem agindo de forma natural. Povos inteiros são massacrados, subjugados, quase exterminados, por nada. Apenas para que o mundo veja quem tem mais poder. São realmente tempos de grande indiferença moral, não há dúvida. E isso tudo acontece diante das vistas dos intelectuais do terceiro milênio, daqueles que deveriam e poderiam usar os veículos de comunicação para conter essa “tsuname” moral que tudo arrasta, poderosa. E as pessoas de bem se perguntam, desoladas: “Que mundo é esse? Que tipo de pessoas está com as rédeas do planeta nas mãos?” Não se pode negar, todavia, que muitas estão indignadas, mas, lamentavelmente, a nossa indignação não sai do conforto do sofá, na sala aconchegante, de dentro da segurança de nossos lares. São tempos de indiferença moral, de passividade, de insensibilidade generalizada, certamente. No entanto, devemos convir que se todos quiséssemos, poderíamos conter e retirar de cena os malfeitores, em pouco tempo. Isso sim valeria a pena. Mas a maioria prefere opinar nos shows de faz-de-conta, como se isso lhes garantisse alguma vantagem real. E assim vamos vivendo, de ilusão em ilusão… Se você é uma dessas pessoas que está indignada com a situação, faça alguma coisa. Aja de alguma forma. Escreva. Fale. Manifeste-se. Cobre atitudes das autoridades. Mas faça isso com serenidade e bom senso, sem violência. Considere que toda atitude violenta não faz sentido, quando o que se pretende é justamente o contrário. Pense nisso, e não fique só na indignação.

Jamil Merched Chaar.

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