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O Paradigma da Amazônia Profunda – o 5.o Patamar

Por Juarez Baldoino da Costa (*)

Na Amazônia, o primeiro patamar são as capitais dos 9 estados amazônicos: abrigam a sede dos governos, têm aeroportos razoáveis, os maiores recursos do erário e acesso as melhores estruturas de saúde e educação.

O segundo patamar abriga as sedes urbanas do interior imediato, adjacentes às capitais, que concentram o maior contingente populacional do município e respectivos recursos do erário per capita, com ligação à capital por via rodoviária, fluvial ou por aeroportos, e estruturas de saúde e educação medianas, em geral sem especialização.

No terceiro patamar estão as sedes urbanas do interior mais afastadas com ligação rodoviária além da fluvial, porém sem aeroporto, e estruturas de saúde e educação insuficientes e precárias.

O quarto patamar contempla as áreas não urbanas do interior, com menos recursos por terem baixo contingente populacional, sem aeroporto e sem ligação rodoviária, com ligação apenas fluvial, e com estruturas de saúde e educação igualmente insuficientes e precárias.

E no quinto patamar estão as comunidades com ligação urbana apenas via fluvial e dependentes do ciclo hidrológico, sem estrutura de saúde e de educação.

Este patamar é também chamado de “Amazônia Profunda”, e tem inclusive regramento social próprio.  

A intervenção do Estado nestes patamares, para obter efetividade, precisaria levar em consideração a diferenciação existente na estrutura entre eles.

Entre o primeiro patamar e o quinto patamar, num mesmo estado, por exemplo no Amazonas, recursos e políticas de saneamento básico ou habitação são diametralmente diferentes ou até nulas, se aplicadas para Manaus ou para o Vale do Javari.

Um plano de educação para Belém não pode ser o mesmo para São Félix do Xingú. Da mesma forma, um programa de vacinação para Rio Branco não pode ser o mesmo para Quixaramobim.

Por suas características diferenciadas, os paradigmas de desenvolvimento para cada patamar da Amazônia são diferentes, especialmente nas figurações e no conceito inclusive imaginário que se tem do que seria desenvolvimento. 

Sem a participação do amazônida local nos projetos e nas decisões que envolvem intervenções de governo, o resultado decerto continuará produzindo insatisfação.

É prática comum e padrão imaginar como desenvolvidas, as localidades com áreas urbanizadas e com ruas asfaltadas, saneamento básico perto de 100% de abrangência, cinemas, fábricas, viadutos e complexos viários, shopping centers, teatros e parques, iluminação pública e segurança pública visível. Este formato estrutural normalmente representa o que seriam estágios de desenvolvimento.

Esta visão desenvolvimentista do senso comum não pode ser aplicada da mesma forma nos vários patamares amazônicos.

O paradigma de desenvolvimento para a região não está definido ainda, e continuar replicando em seus planos os modelos usuais de urbanização para atingi-lo, parece um profundo engano, tão profundo quanto o próprio 5º. Patamar, o da Amazônia Profunda.

 [email protected]

(*) Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM.

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