NEOM, a cidade inteligente que surge no deserto

É viável a criação de uma cidade inteligente e sustentável no deserto? Seguindo adiante com o artigo da semana passada, que discutiu a Visão 2030, um plano ambicioso da Arábia Saudita para diminuir sua dependência do petróleo, agora apresentamos a NEOM, uma cidade futurista e sustentável que será impulsionada por energia renovável. 

A NEOM (https://www.neom.com) é um dos 24 projetos-chave da Visão 2030. É um daqueles empreendimentos urbanísticos que qualquer cidadão brasileiro chamaria de impossível ou louco, pois parece ficção. No entanto, ele está se tornando realidade, demonstrando que as autoridades árabes estão realmente dispostas a fazer algo que ninguém imaginaria: construir uma cidade inteligente e sustentável no deserto, na costa do Mar Vermelho, um laboratório vivo, onde o empreendedorismo, a inovação e as energias renováveis serão a base para sustentar 14 setores-chave de uma nova economia.

Apresentado inicialmente em 2017 pelo príncipe Mohammed, o projeto NEOM foi estimado em US$ 500 bilhões (R$ 2,5 trilhões) e abrangerá uma área de 26.500 km². A cidade terá centros urbanos, portos, empresas, centros de pesquisa, instalações esportivas e espaços de entretenimento e turismo. O plano inicial é concluir o projeto até 2025. Além disso, o centro de negócios e tecnológico do NEOM tem a expectativa de contribuir com US$ 48 bilhões para o PIB da Arábia Saudita e criar cerca de 380 mil empregos. No site (https://careers.neom.com/careers), é possível encontrar 416 oportunidades de trabalho abertas para profissionais de todo o mundo.

Algumas das características inovadoras do projeto incluem:

1º) A preservação de 95% do ambiente natural da área; 2º) O uso de energia 100% renovável, proveniente de fontes solares, eólicas e de hidrogênio. Em grande síntese, o principal objetivo do NEOM é alcançar uma habitabilidade excepcional, negócios prósperos e reinventar a conservação, em conformidade com a Visão Saudita 2030.

Basicamente, o NEOM é composto por três subprojetos, o THE LINE, o OXEGON e o TROJENA, conforme abaixo:

Projeto 1) The Line

O plano da Linha foi lançado no início do ano passado e recebe esse nome porque o empreendimento é uma megacidade em formato de linha, localizada a 500 metros acima do nível do mar. Ela terá 200 metros de largura e 170 km de comprimento. A cidade (https://www.neom.com/en-us/regions/theline) foi projetada para comportar cerca de 9 milhões de pessoas, que terão fácil acesso a várias facilidades em apenas 5 minutos de caminhada ou em até 20 minutos utilizando um trem de alta velocidade para se deslocar de uma ponta a outra da cidade.

Essa cidade do futuro, em tese, está alinhada com o acordo de Paris, sem estradas, sem carros e sem emissão de carbono, com diversos andares verdes, suspensos, com serviços automatizados por inteligência artificial. Do ponto de vista logístico, a Linha está localizada em uma região em que 13% do comércio global passa pelo canal de Suez, bem como 40% dos países podem levar até 6 horas para chegar lá de avião.

Projeto 2) o OXEGON

Curiosamente, o nome “Oxagono” parece ser um jogo de palavras que possivelmente combina “Oxigênio” e “Hexágono”. O oxigênio é um elemento vital para a vida, e o hexágono se refere a uma forma com seis lados. É possível que o nome tenha sido escolhido para representar o foco do projeto em sustentabilidade, inovação e criação de um ambiente habitável na cidade. 

O Oxagono busca ser um centro de indústria limpa, inovação tecnológica, focado em inteligência artificial, internet das coisas, big data e robótica. A cidade pretende atrair empresas e startups do setor de tecnologia, incentivando a pesquisa, o desenvolvimento e a implementação de soluções avançadas.

No setor agrícola, o projeto Oxagono pretende revolucionar a produção de alimentos por meio da agricultura vertical, utilizando técnicas de cultivo em ambientes controlados, como estufas e sistemas hidropônicos, a cidade poderá produzir uma quantidade significativa de alimentos frescos de forma sustentável, reduzindo a dependência das importações e mitigando os impactos ambientais negativos associados à agricultura convencional.

Além disso, Oxagono será uma cidade conectada e inteligente, com infraestrutura de transporte avançada, como veículos autônomos e sistemas de transporte público eficientes. A cidade também contará com uma ampla rede de sensores e dispositivos interconectados, permitindo a coleta de dados em tempo real para otimizar os serviços públicos, melhorar a segurança e proporcionar uma experiência urbana de qualidade aos seus habitantes.

No momento, este projeto é inspirando na quarta revolução Industrial e na Indústria 4.0, e tem as seguintes curiosidades: 1º) será a maior estrutura flutuante do planeta; 2º) terá um formato de um Hexágono com um diâmetro de 7 Km e uma área de 48 Km2; 3º) funcionará com 100% de energia limpa; 4º) até 2030 terá uma população de 90 mil pessoas; 5º) até 2030 vai gerar 70 mil postos de trabalho; 6º) está situado em um ponto onde 13% do comércio global passa; 7º) seu plano mestre contempla uma planta de dessalinização, um centro de dados, um parque tecnológico, uma planta de hidrogênio, três vilas, um parque de manufatura, um porto,  um campus de P&D, um Hub para promover inovação nas áreas de água, alimentação e energia, um parque de indústrias para economia do mar, um centro de pesquisa oceânica etc.

Projeto 3) TROJENA

Este projeto está no coração da NEOM e foca no turismo em uma área montanhosa, oferecerá, pasmem, esqui ao ar livre e esportes de aventura o ano todo, com conclusão prevista para 2026. 

Destaques incluem um impressionante lago de água doce artificial e o “The Vault”, uma vila dobrada que combina tecnologia, entretenimento e hospitalidade – sendo a principal entrada para o Trojena. Em grande síntese, este projeto terá seis distritos, uma vila tecnológica com mais de 3600 apartamentos e quartos em hotéis, uma montanha de 2400m de altitude para praticar esqui, um lago para passear, um observatório no topo da montanha para observar a região etc.

Por fim, embora o NEOM seja um projeto ambicioso com objetivos louváveis, ele tem enfrentado diversas críticas. Entre elas, destaca-se a falta de transparência e participação pública na tomada de decisões, especialmente no que diz respeito às comunidades afetadas pelo empreendimento. Além disso, a magnitude do projeto levanta preocupações em relação ao impacto ambiental e social que ele pode causar. Outra crítica se refere ao financiamento do projeto, com receios em relação à sustentabilidade financeira a longo prazo. Essas são preocupações relevantes que precisam ser abordadas pelas autoridades ao longo do tempo, a fim de garantir o sucesso e a viabilidade dessa iniciativa no futuro.

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