NEM SEMPRE O QUE PARECE É…

Uma passada rápida pelas redes sociais, tão comuns atualmente, basta para que nos deparemos com milhares de fotografias que, diariamente, são postadas na internet. São retratos de momentos em família, de amigos reunidos, de festas diversas, de reencontros, além dos autorretratos. E nas fotografias, milhões de rostos. Em alguns deles, há estampada indescritível alegria. Em outros, um olhar fugaz de surpresa. Em outros, ainda, um semblante nostálgico, saudoso, contemplador. Mas nem sempre a expressão da face, eternizada através da fotografia, representa aquilo que nos vai no coração. E se houvesse um aparelho capaz de nos fotografar a alma? Quantos sorrisos seriam de verdadeira felicidade e não, como muito acontece, apenas máscaras para esconder a dor da solidão, da frustração, do arrependimento, da falta de esperança? Quantos semblantes seriam verdadeiramente serenos, quando, em verdade, o foro íntimo se agita pelas águas densas e turbulentas das emoções e paixões humanas? Tão singular aparelho nos representaria os mais profundos, porém verdadeiros sentimentos que nos moldam o estado de espírito e que, por diversas vezes somos obrigados a disfarçar por conta das convenções sociais. Vivemos numa sociedade na qual somos ensinados que demonstrar nossas incertezas e angústias é sinal de fraqueza. Uma sociedade que não nos prepara para a dor, para recebermos os tantos nãos que a vida nos oferece, para a difícil compreensão de que nem sempre somos vencedores e que as dificuldades se fazem necessárias no caminho de quem busca o aprimoramento espiritual. Busca-se rostos alegres, festivos, ainda que em maquiagem às lágrimas da alma, pois rostos alegres não necessitam, acredita-se, de cuidados. Contudo, para as tarefas de esclarecer almas e secar lágrimas são exigidos desprendimento de si mesmo, empatia e ânimo no bem. Exigem que se retire o foco de si mesmo e que se tome a dor do outro como sua dor, entendendo que só seremos verdadeiramente felizes quando formos capazes de praticar os ensinamentos espiritualistas à luz do Racionalismo Cristão.

Jorge Ramos.

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