Mulher, tudo em uma só 

*Augusto Bernardo Cecílio 

Dia 8 de março, nesse dia o mundo inteiro comemorou o Dia Internacional da Mulher. Certamente nenhuma mensagem ou escrito conseguirá retratar fielmente o papel histórico que elas têm desempenhado, e sempre faltará algo, tal a importância da mulher na vida de todos nós. Mas que isso não fique apenas nas intenções. 

Esse dia é uma data comemorativa que foi oficializada pela ONU na década de 1970, simbolizando a luta histórica das mulheres para terem suas condições equiparadas às dos homens. Se lá atrás a data remetia à reivindicação por igualdade salarial, hoje simboliza a luta das mulheres não apenas contra a desigualdade, mas principalmente contra o machismo e a violência. 

É fundamental que não só nessa data, mas sempre, rotineiramente, se faça uma reflexão sobre a desigualdade e as violências sofridas diariamente por elas no mundo inteiro. Faz tempo que passou da hora de se combater o silenciamento que existe e que passa uma falsa ideia de normalidade diante de tanto sofrimento. E que todos repensem as suas atitudes a fim de tentar a construção de uma sociedade sem desigualdade e preconceito de gênero. 

Causa revolta especial a situação das mulheres que, dentro do próprio lar, são vítimas de violência. Diariamente temos mulheres covardemente assassinadas pelos seus companheiros, maridos, namorados, ex-maridos, amásios…, não, amásios não, esse vocábulo deriva de amor e, conseguinte, não merece permear uma relação que se destaca pela violência, quando deveria nutrir a paciência, a doação, o companheirismo, o verdadeiro amor.  

As ilimitadas conquistas sociais e os direitos adquiridos que hoje contemplam a mulher brasileira tiveram origem no esforço de continuadas gerações de mulheres. Promovendo manifestações individualizadas ou reunidas em associações elas forjam e lapidam os direitos da mulher contemporânea, visando assegurar, pelo menos, a igualdade que devemos a elas.  

Devemos a muitas delas não só os nossos direitos de poder frequentar a escola, de votar e ser votado. Devemos enaltecê-las, no mínimo, pelos exemplos de persistência na concretização de seus ideais. 

A história do Brasil é também construída pelas mulheres. Tomemos como exemplo a ex-senadora amazonense Eunice Michiles, que embora tenha votado contra a proposta de 120 de Licença Maternidade para as mulheres, entrou para a história como a primeira Senadora da República. Bem antes da amazonense, em 1928, Alzira Soriano foi eleita primeira prefeita, na cidade de Lages (RN). Cassada na eleição pelo então presidente Getúlio Vargas, encontrou em outra mulher, a gaúcha Natércia da Silveira, apoio para ingressar na Justiça e garantir o seu mandato. 

Voltando ao nosso Amazonas, além das índias guerreiras que habitavam estas paragens e que, juntamente com os colonizadores e escravos contribuíram na composição do biótipo caboclo, a história registra ainda que, em 1936, nas eleições complementares, a primeira deputada federal de nosso Estado foi Maria de Miranda Leão. E a história continua, tem prosseguimento, porque além do dom da natalidade, a mulher tornou-se imprescindível em tantas as jornadas que ocupa. São assim bravas as Marias, nome que recolho para homenagear todas elas, afinal, Maria é mãe de todos nós.     

*Auditor fiscal e professor 

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