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Manaus, coração da floresta e das águas

Ao tempo em que comemoramos mais um aniversário de Manaus, 352 anos, quero expressar minha gratidão ao acolhimento que recebo da cidade desde a minha chegada ao Amazonas, em 1994.

O jovem geólogo e professor trazia a aventura de passar dois anos… 

Já são 27 anos, um filho manauara e minha mãe, que morou comigo entre 2004 e 2013, descansa em paz nos solos do coração da floresta e das águas.

Num ano de tantos desafios, com mais de 600 mil famílias enlutadas no Brasil, a segunda onda da Covid-19, em janeiro de 2021, mostrou a face vulnerável do nosso sistema de saúde pública municipal e estadual.

Com tanto oxigênio produzido pela floresta, numa doença que se combatia, inicialmente, com atitudes coletivas preventivas, é viva a lembrança do isolamento necessário, nem sempre respeitado, da torcida pela Ciência e pela vacina, que chegou, graças a Deus, e do despreparo das autoridades em enfrentar uma guerra onde tanques e armas de fogo eram ineficazes, mas, água e sabão poderiam fazer toda a diferença.

Manaus corre contra o tempo diante do passivo existencial de suas paupérrimas taxas de saneamento básico. 

Não há mais espaços aos projetos de remediação em nossa Capital. Por força de Lei (o novo Marco Legal do Saneamento Básico no Brasil, aprovado em 2020) caberá às autoridades, especialistas, órgãos de controle e sociedade apontarem uma solução definitiva para o tratamento de resíduos sólidos da metrópole, pois, lixões/aterros remediados não serão mais permitidos nas capitais brasileiras, a partir de janeiro de 2022.

A solução ao tema requer um debate permanente e transparente com a população. Somos mais de 2,2 milhões de habitantes e precisaremos ser consultados no desenho final das saídas seguras pelo licenciamento de novos aterros sanitários, incentivo à “mineração urbana” a partir da diversificação local das indústrias de reciclagem, erradicação pelos cidadãos de lixeiras viciadas e pelo monitoramento ambiental, cuidado e recuperação de nossos igarapés urbanos e suas áreas de proteção permanente.

É preciso ainda, pactuar com a empresa concessionária dos serviços de abastecimento de água e tratamento do esgoto a abertura da sua planilha de investimentos, considerando metas que permitam a universalização do acesso à água potável por todos os manauaras e seu completo tratamento sanitário após o uso, para além de coletar e taxar o esgoto e despejá-lo in natura nos igarapés, e no rio Negro, autodepuradores. A meta de se alcançar, em 2024, 40% da Capital atendida por sistemas de tratamento de esgoto eficientes e outorgados é factível e depende de atitude política e coletiva.

Investir em saneamento é, antes de tudo, política pública de saúde preventiva, que poupa recursos valiosos em infraestrutura dispensáveis quando vivemos numa cidade que prefere promover saúde em detrimento a remediar doentes.

Aquela que já fora considerada a “Veneza dos Trópicos”, pois, Manaus vive em respeito ao regime das águas, merece, como atrativo turístico mundial, receber de seus cidadãos, administradores e visitantes, melhor cuidado ambiental. Não haverá economia forte, sustentável, se não vivenciarmos, cotidiana e cordialmente, uma cidade com qualidade ambiental nas relações sinérgicas entre o homem, a água e o coração da floresta.

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