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Ineficiência do Governo piora a Competitividade Brasileira

No dia 20 de junho de 2023, pelo 35º ano consecutivo, o Centro de Competitividade Mundial (CCM) publicou o Anuário de Competitividade Mundial do IMD, ranqueando os países mais competitivos do planeta, com destaque para Dinamarca, Irlanda e Suíça, enquanto o Brasil continua perdendo posição, ficando entre os cinco piores do planeta. Ao longo de quase uma década tenho acompanhado o desempenho global da competitividade Brasileira, com reflexões publicadas no JCAM, destacando os artigos do dia 13 de julho de 2022 (A Competitividade brasileira precisa de um Estado Moderno), do dia 11 de maio de 2022 (As nações mais competitivas digitalmente), do dia 23 de março de 2022 (Pela baixa competitividade global, o Brasil precisa mudar), e dos dias 4, 11 e 18 de outubro de 2017 (Os sabotadores da competitividade brasileira, partes 1, 2 e 3).

Lamentavelmente, entra Presidente e sai Presidente e não há mudanças significativas em nossa performance. E baseado nos relatórios do Centro de Competitividade Mundial, organização que faz parte do Conceituado Instituto Internacional para o Desenvolvimento de Gestão, com sedes na Suíça em Cingapura, nossa competitividade global vem piorando ao longo dos anos. 

No último artigo publicado sobre o assunto, ficou demonstrado, a partir de uma análise comparativa de desempenho entre os Governos, desde a era de FHC, que houve uma decadência gradativa da competitividade global brasileira ao longo do tempo, acelerada na 1a era Lula, com ligeira recuperação na 2a era Lula (PT), porém com piora e estagnação, a partir da Gestão Dilma (PT)/ Temer (MDB) seguida pela Gestão do Bolsonaro (PL).

Ao estudar o relatório de 2023 <https://www.imd.org/> e os anteriores, é possível apresentar algumas reflexões:

1ª) Uma governança ágil e bom acesso aos mercados impulsionam a qualidade de vida da população. 

E segundo o Professor Arturo Bris, Diretor do CCM, “A capacidade de um país de gerar prosperidade para seu povo é um fator determinante do sucesso. Ainda não é o que a China faz e não é o que os EUA ainda fazem totalmente”. E segundo Christos Cabolis, um dos responsáveis pelo estudo “Navegar no ambiente imprevisível de hoje requer agilidade e adaptabilidade. Países que se destacam estão construindo economias resilientes, como Irlanda, Islândia e Bahrein. Seus governos também são capazes de adaptar políticas com base nas condições econômicas atuais em tempo hábil. Os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar e Cingapura também são exemplos importantes disso”.

2ª) Os dez países mais competitivos do planeta são: 1º) Dinamarca (100 pontos), 2º) Irlanda (99,71), 3º) Suíça (99,13), 4º) Cingapura (97,44), 5º) Holanda (95,58), 6º) Taiwan (93,11), 7º) HK (92,05), 8º) Suécia (91,86), 9º) EUA (91,14) e 10º) Emirados Árabes Unidos (90,52).

3º) Por outro lado, os menos competitivos são 64º) Venezuela (26,18 pontos), 63º) Argentina (34,03), 62º) Mongólia (35,56), 61º) África do Sul (40,19) e 60º) Brasil (42,09 pontos).

4º) Ao analisar o Fator Desempenho Econômico, os cinco melhores países são Irlanda, EUA, Cingapura, Catar e Arábia Saudita. Os cinco piores são Venezuela, Jordânia, Botsuana, África do Sul e Mongólia. Aqui o Brasil ficou na 41ª posição com 52,34 pontos, subindo 7 posições quando comparado com 2022, o único dos quatro fatores em que apresentou melhoras graças às variáveis Preços e Investimento Internacional. 

Entre 1999 e 2023, a Média da Posição Brasileira é próxima da 44ª posição (X=43,8) e mediana igual a 42ª posição. As três piores posições foram em 2017 (Governo Temer; 59ª posição), em 2019 (57ª) e 2020 (56ª) durante o Governo Bolsonaro, enquanto as três melhores posições foram registradas em 2011 (30ª), 2009 (31ª) e 2005 (31ª) nos Governos Dilma e Lula.   

5º) Ao analisar o Fator Eficiência Governamental, os cinco melhores países são Suíça, HK, Irlanda, Catar e Dinamarca. Já os piores são Argentina, Venezuela, Brasil, Colômbia e México. Aqui o Brasil ficou quase na lanterna, na 62ª posição com apenas 10,12 pontos, caindo uma posição quando comparado com 2022.

Entre 1999 e 2023, a Média da Posição da Eficiência Governamental Brasileira é próxima da 58ª posição (X=55,7) e mediana igual a 57ª, considerado assim o pior Fator entre os quatro analisados. As melhores posições do Brasil em relação a Eficiência Governamental aconteceram no Governo FHC (1999 a 2001 igual a 46ª posição; 2002 igual a 40ª posição) com deterioração significativa desde o primeiro governo Lula em diante. As piores posições vêm sendo registradas desde 2015 (60ª) até 2023 (62ª), sendo o período do Governo Bolsonaro o pior de todos quando se calcula a média e mediana deste fator (X=61,5ª e Med=61ª).

6º) Ao analisar o Fator Eficiência Empresarial, os cinco melhores são Dinamarca, Holanda, Irlanda, Taiwan e Bélgica. Já os países com menos eficiência empresarial são Mongólia, Argentina, Bulgária, Brasil e Venezuela. Aqui o Brasil ficou quase na lanterna, na 61ª posição (19,26 pontos), caindo nove posições quando comparado com 2022.

Entre 1999 e 2023, a Média da Posição da Eficiência Empresarial Brasileira é próxima da 38ª (X=38,4) e mediana igual 37ª, considerado assim o melhor Fator entre os quatro analisados. As melhores posições do Brasil em relação a Eficiência Empresarial aconteceram no Governo FHC (entre 1999 e 2002 variando entre 23ª e 25ª posições) com deterioração gradativa desde o primeiro governo Lula em diante, com as piores posições sendo registradas desde 2015 (51ª), sendo que 2023 (61ª) foi o pior de todos.

7º) Ao analisar o Fator Infraestrutura, os melhores são Suíça, Dinamarca, Finlândia, Suécia e Holanda, enquanto os piores são Venezuela, Mongólia, África do Sul, Botsuana, Peru e México. O Brasil ficou na 55ª (27,04 pontos), caindo duas posições em relação a 2022. 

Entre 1999 e 2023, a Média da Posição da Infraestrutura é próxima da 49ª (X=49,2) e mediana igual 51ª, considerado assim o segundo pior Fator entre os quatro analisados. As melhores posições do Brasil em relação a Infraestrutura aconteceram no Governo FHC (entre 1999 e 2002 variando entre 38ª e 41ª posições) com deterioração gradativa e estacionária desde o primeiro governo Lula em diante, com as piores posições sendo registradas em 2004 (54ª), 2019 (54ª) e 2023 (55ª).

De um modo geral, a Eficiência Governamental é o maior gargalo entre os fatores analisados, e em 2023, tivemos péssimo desempenho nas variáveis Finanças Públicas (64ª), Estrutura Organizacional (62ª), Legislação para fazer Negócios (62ª) e Estrutura Social (61ª), valendo destacar que ficamos na lanterna com a Variável Educação (64ª) do Fator Infraestrutura, sendo estes alguns dos gargalos que estão minando nossa competitividade. Infelizmente, com tantos retrocessos e sistemas que favorecem políticos e gestores ruins, não vejo luz no final do túnel que sinalize melhorias significativas ao longo do tempo.

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