In Vino Veritas

Carlos Silva

O relacionamento humano é uma das mais complexas atividades do Homo Sapiens. Nenhum ser vivo possui tantas e variadas emoções produzidas neste espectro. Claro que a nossa expertise em querer, sempre, ocupar lugar de mando, de poder, de superioridade ou, de outra forma, evitar sempre ser subjugado, nos leva a agir de forma irracional, em muitas situações. Particularmente, eu questiono o que é ser irracional, pois, no início de tudo, participei daquela corrida desesperada, como espermatozoide ainda, para alcançar a plenitude da vida. E naquela corrida, perdi milhares de irmãos. E nunca chorei por isso. Logo, se no início da vida foi disputa e drama, tudo a seguir, foi lucro. Ou seja, nada que o ser humano faça ou pense, é surpresa. Em muitos casos, me desagrada. Em outros, eu elogio. Mas, o tema deste artigo é uma expressão em latim que significa, para mim, que a verdade está no vinho. Ou, quando o vinho entra, a verdade sai. Há muito anos, estava eu participando de uma conversa com a diretoria de determinada empresa. Um dos participantes perguntou ao presidente da empresa o que deveria ser feito para conhecer, e bem, a personalidade dos funcionários, hoje chamados de colaboradores. O presidente ofereceu, como conselho, sugestão e ordem, que se fizessem festas e recepções diversificadas, e com muito uísque e cervejas e, daí, se observassem o comportamento dos funcionários enebriados no evento, pois, o bêbado sempre revela a sua personalidade real. Bem, essa reunião ocorreu há mais de trinta anos. E discordo dela até hoje. Não totalmente, mas discordo. Claro que muitos de nós, em algum momento da vida, exagerou na dose e fez besteira. É da vida. Mas, provocar situações etílicas para analisar os colaboradores, na minha visão, é pura covardia. Eu mesmo trabalhei com várias pessoas que se comportavam exemplarmente, como colegas profissionais, mas, que, no mundo privado, alguns eram usuários de drogas, outros eram cleptomaníacos, outros eram metidos a Dom Juan, outras eram a personificação de uma Messalina, enfim. Mas, o que  vida privada dos meus colegas, ou dos meus alunos, me interessa, de fato? Ou interessa à empresa? Ou interessa à faculdade? E será que aquele colaborador que exagerou na dose em uma festa pode ser considerado ruim, em tudo? Discordo. Na minha visão, é pura hipocrisia tentar selecionar puritanos para o mercado e demitir os colaboradores que erram, quando bêbados. Mas, essa peneira existe, sim. E em muitas empresas mesmo. É a vida. E que segue. Com cervejas. Geladas !

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