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Historiando a história – 6

É possível, hoje, a utilização de recursos tecnológicos destinados a combater as calamidades naturais. Entretanto, logo prevaleceu a ideia de que tais recursos poderiam ser aplicados como armas militares, as chamadas armas meteorológicas. Para vencer a incredulidade, basta ler o número 50 da Military Review, uma publicação da Escola de comando e Estado-Maior do Exército dos Estados Unidos.

Observa-se, então, que as armas meteorológicas perderam a sua condição extraordinária e cederam lugar para as armas étnicas. Estas são destinadas a agredir a africanos, latino-americanos e asiáticos, sem afetarem os brancos norte-americanos ouuropeus, os chamados “caucasianos”. 

A revista ilustra o texto com desenhos de tropas paraquedistas, afirmando: “diferenças inatas na vulnerabilidade a agentes químicos, entre populações das várias partes do mundo, criam a possibilidade de desenvolvimento de armas étnicas”. Figuram também tropas asiáticas, sob cujas fotos está dito: “inibidores enzimáticos podem paralisar esses soldados, tornando-os inofensivos” ou por outra, tornando-os em alvos imóveis. Definitivamente o Dr. Silvana (lembra dele?) está a serviço da Klu-Klu-Klã! E aqui se fecha o parêntese.

Daí porque se vê a conveniência de bater continência para o Tio San, não? Olha só: o poder bélico dos Estados Unidos sempre foi inquestionável e não seria aquela comitiva brasileira em visita que iria duvidar disso. Por via das dúvidas o embaixador Gordon arranjou uma visita à Base Aérea do Comando Aéreo Estratégico em Omaha, Nebraska, a fim de mostrar, sobretudo, que a corrida espacial não havia sido ganha pelos russos, desde o lançamento do Sputinik, como poderia pensar o seu visitante principal. E aí, na saída, o General Amauri Kruel, Chefe da Casa Militar do governo Goulart, mostrou-se impressionado, sacou de um clichê e disse: “o futuro do mundo está em boas mãos!”

As reuniões entre os dois presidentes continuaram e, na seguinte Jango encaixou a questão dos golpes militares. Manifestou sua desconfiança na pressuposta interferência norte-americana na deposição de Frondizi, na Argentina, e advertiu Kennedy sobre o perigo de fomentar golpes militares. Kennedy garantiu que os Estados Unidos se opunham a golpes militares. De fato, só com a morte de Kennedy a política norte-americana passaria a encarrar o assunto sob outro ângulo.

Após levantar o problema do apoio norte-americano aos golpes militares, Jango pôde, finalmente, discutir as questões econômicas. Salientou, por exemplo, que o Banco de Exportação e Importação de Washington adotara atitude ostensivamente restritiva ao Brasil. Com relação ao fato Kennedy comprometeu-se a intervir pessoalmente junto à direção do banco. Mais tarde, em entrevista, Roberto Campos diria que jamais o presidente Kennedy fez qualquer coisa nesse sentido. Em termos de ajuda econômica Jango, nessa altura Jango nada conseguiu. As eleições de 62 interessavam grandemente aos Estados Unidos. A CIA em abril, já enviara relatório mostrando o quadro das eleições que se realizariam em outubro: “crescimento significativo do sentimento esquerdista e nacionalista no Brasil. Esses elementos provavelmente aumentarão de maneira substancial, sua atual força no Congresso.” (Continua).

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