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Historiando a história – 4

Continuemos. Mr. Gordon e seus assessores, com o correr do tempo acabaram por acostumar-se a ouvir revelações semelhantes, liberando-os, portanto de terem que ficar surpreendidos honestamente, passando, então, a interpretar esse estado emocional com a maior perfeição, de resto, providência muito mais saudável para o desempenho cardiovascular. 

Na verdade, também a CIA já havia dado início à temporada de caça às informações e concluíra que a história do conluio não era verdadeira e que Goulart embora se mostrasse amigo dos comunistas ele próprio e sim, apesar de sua inclinação política, era um incompetente, coisa, aliás, absolutamente verdadeira.

Mais tarde, os fatos recomendaram que Jango fosse decifrado como “não um esquerdista ideológico, mas um consumado oportunista que após tomar posse assumira o disfarce de um político moderado que procurava imprimir uma reforma construtiva a seu país.” Colhe-se mais dos registros que o Departamento de Estado Norte-Americano, certo de que o “curriculum vitae” do presidente brasileiro correspondia aos fatos, pronunciou-se favorável a que o mandatário sul-americano fosse convidado a visitar Washington a fim de “tentar convencer Goulart que a cooperação conosco atende melhor seu interesse e ao do Brasil”.

O quadro político que prevalecia no Brasil bem como a figura pessoal do presidente Jango, já eram inteiramente conhecidas pelas pessoas que na manhã de terça-feira, dia 3 de abril de 1962, encontravam-se na Base Aérea de Andrews, entre as quais o presidente Kennedy, a fim de receberem o presidente brasileiro. Todos ali sabiam, naquele hora e sempre, que o poder econômico é pré-requisito do poder político. Portanto, vulnerável no bolso, o Brasil …

Goulart a respeito de Economia sabia pouco mais talvez que se tratava de um polissílabo paroxítono. Quanto ao resto detestava as regras dessa ciência a ponto de recusar medidas de austeridade para conseguir a estabilidade da economia brasileira. Resolveu, então, adotar o caminho nada original de apelar para grupos estrangeiros, na expectativa de conseguir recursos e consolidar a sua situação interna, muito carente em razão do presidencialismo que prevalecia no Brasil como sistema de governo. Cuidou, porém, de expressar os seus mais sinceros sentimentos anticomunistas e a sua profissão de fé na democracia. Uma espécie assim de “avant-première” de filme que volta às telas. Entretanto, os elementos anticomunistas do Brasil já tinham visto o filme e não compraram ingresso, mesmo com o caráter filantrópico que se procurou dar à campanha.      

As ligações janguistas com as organizações trabalhistas e camponesas já haviam prosperado muito e, inclusive, na Embaixada Americana reputava-se que a liderança trabalhista tendia cada vez mais a ser “receptiva ao comunismo”. Isto mais o fato claro, de que a conscientização do operariado faria surgir reivindicações nada interessantes para o custo da produção e o lucro das “multi”. Em março de 1962, finalmente, a CIA comunicava à Casa Branca que Raul Francisco Ryff, secretário de imprensa de Goulart era, desde 1932, ativo membro do Partido Comunista Brasileiro e, mais, que Jango se recusara a afastar tal elemento. Logo, a posição de Goulart quando pisou o solo americano era no mínimo contraditória. Havia ali entre as pessoas presentes um moço de cabelos cor de fogo, nascido de família nobre e rica que se preparara toda a vida para ser presidente, nem que fosse de um pais “de propriedade da família”, no caso de não ganhar as eleições. Mas ganhou e estava ali. (Continua).

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