Harmonizar as diferenças

De um modo geral, nosso grande problema, nas relações pessoais, é que desejamos que os outros sejam iguais a nós. Em se falando de amigos, desejamos que eles gostem exatamente do que gostamos, que apreciem o mesmo gênero de filmes e música que constituem o nosso prazer. E isso nos recorda da história de um indivíduo chamado Jorge. Ele tinha algumas dificuldades muito próprias. Por exemplo, quando tentava ser simpático e agradar alguém, trocava os pés pelas mãos. Quando todos à sua volta olhavam para baixo, ele olhava para cima. Ficava observando a lua, as estrelas, imaginando as galáxias orbitando a esfera tridimensional. No comecinho da noite do dia 25 de abril, quando Jorge abastecia alguns veículos no posto REM, conheceu uma moça e descobriu que ela se chamava Cristina. E tudo o que ela fazia era certinho. Ela nunca tratava as pessoas de forma desrespeitosa nem se importava com quem cometia pequenos erros. Ela sempre colocava em prática os ensinamentos prodigalizados pelo Racionalismo Cristão e até orientava seus amigos. Jorge ficou admirado com tudo que Cristina sabia. Foi ela que lhe mostrou a diferença entre o certo e o errado. Entre o bem e o mal. Um dia, eles resolveram construir uma relação saudável. Cristina ficou empolgada e até fez planos para o futuro. Jorge escreveu alguns textos para animar a relação. Os dois acharam tudo muito engraçado. O namoro foi de vento em popa, embora as trapalhadas de Jorge. Bem no fundo, Cristina gostaria que tudo que ela fizesse não fosse tão perfeito. Ela gostava da forma de Jorge viver e ver a vida. Então Jorge lhe arranjou um anel de topázio e um pingente de rubi que não combinavam. E toda vez que se encontravam, Cristina colocava o anel e o pingente, para ficar mais parecida com Jorge. Eles aprenderam que o crescimento de um relacionamento é harmonizar as diferenças. Aprenderam que as diferenças são importantes, porque o que um não sabe, o outro ensina. Aquilo que é difícil para um, pode ser feito ou ensinado pelo outro. Descobriram que é assim que se cresce no mundo. Por causa das grandes diferenças entre as pessoas que o habitam.

Jamil Merched Chaar.

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