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Faz escuro mas eu canto

Nesta sexta feira, aos 95 anos de idade, Thiago de Mello partiu para a Eternidade. Sua obra poética – de grande valor estético e humano – deve ser conhecida, apreciada e valorizada pelas atuais e futuras gerações, principalmente os amazonenses, que podem se orgulhar de nosso estado ter sido berço deste Grande Poeta.  Mais ainda, seus conterrâneos de Barreirinha e do Rio Andirá, que inspiraram tanto o poeta caboclo universal de enorme talento, que repercutiu internacionalmente. Ele é, na verdade, um daqueles poetas que transcendem sua própria existência física, com um sentido profundamente amazônico mas também universal, o que o referencia como Poeta Mor da Amazônia, um dos grandes de nosso país.

  Thiago de Mello escreveu diversas obras, em verso e prosa: Amazônia – A menina dos olhos do mundo; Amazônia, Pátria da Água; Arte e a Ciência de Empinar Papagaios; Campo de Milagres; Canção de Amor Armado; Manaus, Amor e Memória; Faz Escuro Mas Eu Canto; Vento Geral; Poesia Comprometida com a Minha e a Tua Vida; De Uma Vez Por Todas, dentre outras. Provavelmente seu poema mais conhecido é o Estatuto do Homem, em que dignifica poeticamente a existência e o valor do ser humano. Teve livros traduzidos em mais de 30 (trinta) idiomas e ganhou diversos prêmios literários nacionais e internacionais.

  Além de poeta de reconhecido talento, Thiago foi um personagem expressivo da nossa história política e cultural, tendo sido exilado no Chile, onde se tornou amigo do grande vate chileno Pablo Neruda. Deve-se lembrar de sua capacidade literária extensiva para a prosa, mesmo que a poesia o tenha alçado à um patamar de consagração superior.

  Importante distingui-lo como grande poeta e homem de cultura que foi, inclusive com participações expressivas no universo musical e teatral. E como defensor das grandes causas da liberdade, da dignidade, da solidariedade, do cuidado com os outros seres humanos e com a Natureza, em especial nossa Amazônia… Desde as barrancas, curvas, florestas e águas do rio Andirá e sua gente.

   Thiago, na poesia, à exemplo de Leandro Tocantins na pesquisa histórica em sua obra O Rio Comanda a Vida, definiu com precisão a Amazônia como a Pátria das Águas, significando com grandeza visionária este conluio harmonioso entre os rios e as florestas. Foi certamente um escritor ecológico, na simbiose do amazônida com seu habitat. Mais ainda, foi um poeta de libelos claros a favor da vida e da cidadania.

     Seu poema Cidadania reflete bem a visão político-poética de Thiago de Mello:

      Cidadania é dever

      de povo

                              Só é cidadão

      quem conquista o seu lugar

      na perseverante luta

      do sonho de uma nação.

      É também obrigação:

      a de ajudar a construir

      a claridão na consciência

      de quem merece o poder.

      Força gloriosa que faz

      um homem ser para outro homem,

      caminho do mesmo chão,

      luz solidária e canção.

 
   Que estes e outros versos tão belos e significativos, acendam clarões de consciência de quem almeja o poder, de quem o exerce e de quem os escolhe.
  Faz escuro, mas na escuridão da tristeza do luto de sua partida, eu ouso louvar Sua Esperança, Poeta Thiago, a nossa Esperança compartilhada de um mundo mais belo, justo e fraterno.

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