22 de julho de 2024
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Diplô Manaus: Ontem um sonho, hoje uma realidade

A expansão da globalização, a abertura do Brasil para o mundo e a transnacionalização dos fluxos econômicos, sociais, culturais e políticos criaram uma demanda especial por profissionais de Relações Internacionais e áreas afins. Assim, a popularização das Relações Internacionais no Brasil é um fato inconteste, conquanto o seu crescimento seja ainda profundamente assimétrico e irregular pelas regiões brasileiras, sobretudo nos estados pertencentes à Região Norte.

O interesse pelas Relações Internacionais como atividade profissional pode ser dividida em três camadas de atuação. A primeira camada diz respeito à iniciativa privada como atividade fim, quer empresarial, consultoria, universitária ou terceiro setor. Nos últimos anos, as empresas nacionais, multi e transnacionais passaram a se preocupar cada vez mais com os efeitos globais e riscos políticos de sua internacionalização. É dessa preocupação prática que empresas passaram a empregar cada vez mais os diplomatas corporativos ou empresarias no staff estratégico.

A segunda camada é a do setor público das unidades subnacionais (municípios e estados) e do governo federal (administração direta e indireta). Tal atividade no setor público (departamentos ou secretarias de relações internacionais) está diretamente ligada à internacionalização dos governos estaduais e municipais, das assembleias legislativas e das câmaras municipais de praticamente todos os estados da federação, nomeadamente aqueles que fazem fronteiras com outros países do Cone Sul.

A terceira é a carreira diplomática que, por sua natureza, só pode ser acessada via concurso público. Diferentemente das outras atividades acima citadas, a diplomacia se caracteriza como uma carreira de Estado. Por definição, uma carreira de Estado tem como principais atribuições: (1) estabilidade da função (estatutário), o que blinda o servidor públicos das manobras partidárias e eleitorais; (2) não existe equivalente da iniciativa privada; (3) as carreiras de Estado estão no núcleo estratégico do planejamento das ações governamentais.

Há tempos, em estreito contato com os meus alunos, sobretudo os calouros de Relações Internacionais, notei que o curso servia como uma espécie de farol – um autêntico ponto de referência – para os desejosos em ingressar na carreira de diplomata no Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty. Nas incontáveis conversar estabelecidas ao longo de uma década como professor de Relações Internacionais, percebi que o curso era a principal referência para a carreira na medida em que servia como um “preparatório” para o disputadíssimo Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD).

Ocorre que depois de alguns meses e até anos no curso, a frustração batia à porta do acadêmico. Afinal, o curso de Relações Internacionais não é e não pode ser um preparatório para um concurso público, por mais relevante que seja a sua proposta pedagógica integral. A falsa simetria entre as disciplinas ofertadas na graduação a aquelas exigidas no concurso aparece mais cedo ou mais tarde na meditação do acadêmico e futuro candidato do CACD.

Os primeiros meses e anos na vida universitária mostram ao discente as exigências padronizadas de uma graduação regular: introdução às leituras de formação de cada área do conhecimento; os imperativos formativos como aprender a escrever academicamente, memorizar as regras da ABNT, apresentar seminários, assistir filmes, documentários, entre outras coisas próprias da rotina acadêmica e da socialização na vida universitária. Ao fim e ao cabo, o discente se dava conta de que está numa graduação cujas exigências básicas estão às vezes bem distantes das exigências práticas do concurso. Em outras palavras, o curso de bacharelado em Relações Internacionais oferece uma oportuna formação acadêmica e profissional, mas não uma preparação sistemática e integral para o CACD.

Todavia, não podemos perder de vista que a formação em Relações Internacionais é um privilegiado ponto de partida para a preparação, tendo em vista a sua perspectiva interdisciplinar, cuja preocupação holística (inter e multidisciplinas) muito se aproxima das disciplinas exigidas pelo exame do CACD. Área de Relações Internacionais, obviamente, não é a única formação que “facilita a vida do candidato” que inicia a sua a sua preparação. Historicamente, nas estatísticas dos aprovados divulgadas ano após ano, os candidatos oriundos dos cursos de Direito, Economia, História, Ciências Sociais apresentam taxas satisfatórias de aprovação. A graduação na área de humanas ajuda, mas o fator decisivo é e sempre será a dedicação do candidato.

De acordo com as informações do Instituto Rio Branco, autarquia ligada ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), “o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) é o processo seletivo para ingresso na carreira de diplomata. Vem sendo realizado, desde 1996, com a regularidade de pelo menos uma vez por ano. Sucede o exame vestibular para admissão no Curso de Preparação à Carreira de Diplomata (CPCD), que vigorou até 1995. Trata-se de concurso de abrangência verdadeiramente nacional, pois todas as fases são aplicadas em todas as capitais estaduais e no Distrito Federal. /…/ A aprovação no CACD habilita o candidato a ingressar no cargo de terceiro-secretário da carreira de diplomata de acordo com a ordem de classificação obtida e a matricular-se no Curso de Formação de Diplomatas do Instituto Rio Branco”.Em 2021, Manaus ganhou o seu primeiro preparatório para o ingresso na carreira de diplomata. Iniciamos os nossos trabalhos com um sonho em mente: aprovar amazonenses no CACD. A tarefa não será fácil e as dificuldades virão com absoluta certeza, mas os candidatos poderão contar com todo apoio técnico, pedagógico e afetivo. diplôMANAUS acredita na superioridade e maior eficácia do ensino presencial, nas vantagens do encontro entre professor e aluno para a construção individual e coletiva do conhecimento. Um conhecimento teórico e prático capaz de vencer as adversidades e garantir a aprovação amazônidas no Itamaraty.

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