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Como países modelos combatem as Fake News – parte 1

Como Presidente, o Capitão da Reserva do Exército, Jair Messias Bolsonaro, já disseminou cerca de 6200 notícias fraudulentas ou distorcidas, induzindo brasileiros ao erro e até a morte. Para ajudá-lo(a) a refletir sobre o assunto, o artigo relata pesquisa da Oxford sobre como governos usam fake news para manipular a massa, e também aponta países modelos em proteger e educar a população contra a desinformação.

Como vimos no último artigo, o uso das Fake News por governantes não é um fenômeno novo, sendo mencionado como exemplo, a máquina de propaganda de Hitler e a de Mussolini, usando-as como forma de governar, se aproveitando da baixa capacidade crítica e da memória curta de uma boa parcela da população.

Atualmente, a desinformação ganha velocidade jamais vista por três motivos: 1o) o avanço das tecnologias de informação e comunicação; 2o) maior acesso da população a celulares, tablets, notebook, internet, redes sociais, etc; 3o) falta de políticas públicas e programas educacionais, de educação midiática, letramento digital/midiático, nas escolas, universidades e até em empresas, para preparar o cidadão, a cidadã na arte de reconhecer e de combater as fake news.

O perfil sensacionalista ou polêmico de uma notícia fraudulenta pode desvirtuar a percepção de uma pessoa, afetando sua capacidade de tomada de decisão e até suas atitudes. A desinformação vem sendo explorada por governantes de diversos países, de maneira sistêmica, contando com tecnologias e tropas profissionais com alta capacidade de manipular a massa, valendo a pena estudar o relatório de uma pesquisa publicada em 2020, pela Universidade de Oxford <https://bit.ly/3eMUW28>, a qual investigou as ações de “propaganda computacional” e “desinformação industrializada” para fins políticos, em 81 países, cujos resultados mostraram, entre outras coisas:

1) que governantes não agem sozinhos, contam com tropas cibernéticas profissionais, robôs e apoio dos simpatizantes;

2) as tropas cibernéticas usam várias estratégias, classificadas em quatro categorias: 2.1 criação da desinformação e da mídia manipulada, incluindo sites falsos, memes manipulados, imagens, vídeos ou outras formas de conteúdo enganoso; 2.2 uso de estratégias baseadas em dados para perfilar e segmentar grupos da população que serão alvos de propaganda governamental; 2.3 uso de trolagem (piadas, memes), doxing (obter dados privados de alguém e expor na internet) ou assédio virtual, bastante utilizado para atacar opositores, ativistas ou jornalistas; 2.4 ataques censurando a fala daqueles que criticam ou fazem oposição ao governante;

3) que os países com tropas de maior capacidade cibernética são Austrália, China, Reino Unido, Rússia, Venezuela, Vietnã, etc;

4) que no Brasil há tropas cibernéticas com capacidade média de atuação, dedicadas a atacar opositores do governo e aumentar a polarização na sociedade, a partir do uso de fake news e robôs cibernéticos. Outros países com essa capacidade média são Cuba, México, Armênia, Coreia do Sul, etc;

5) que no Brasil a manipulação de mídia social é praticada por Agências do Governo, Partidos e Políticos, Empresas privadas contratadas, por Cidadãos e Influenciadores, com tipos de contas falsas envolvendo tanto pessoas como Bots;

6) No Brasil, as fake news são usadas para defender o governo, atacar opositores, distrair, polarizar e suprimir.

Para dar uma dimensão mais objetiva do tamanho do problema no Brasil, recomenda-se a análise dos números levantados pela organização Aos Fatos, site jornalístico independente que verifica o que é falso ou real em discursos políticos <https://bit.ly/3d7mieL>, e segundo levantamento deles, em 1347 dias como Presidente, Bolsonaro já disseminou cerca de 6200 notícias fraudulentas ou distorcidas, induzindo brasileiros ao erro e até à morte. 

Há centenas de exemplos de fake news disseminadas pelo Presidente e sua tropa para enganar a população, tais como as frases: 1) “repito, três anos e meio sem Corrupção”, repetida 221 vezes; 2) “Eu fui desautorizado pelo STF a agir durante a pandemia”, repetida 139 vezes. Outras fake news induziram ao erro e até à morte, especialmente de milhares de simpatizantes que deram crédito ao presidente e sua tropa, tais como: 1) “é gripezinha”; 2) “estamos vivendo um finalzinho de pandemia”; 3) “essa máscara é pouco eficaz”; 4) “a hidroxicloroquina não tem efeito colateral”; 5) “40 dias depois, parece que está começando a ir embora a questão do vírus”; 6) “cada vez mais o uso da cloroquina se apresenta como algo eficaz”; 7) “hoje temos informações, por ser clima mais tropical, estamos aí praticamente no final, ou já acabou aí, o verão, e o vírus não se propaga com essa velocidade em climas quentes como o nosso”, etc.

Enquanto no Brasil, o presidente adotou estratégia institucional para disseminar o vírus, explorando as fake news e o negacionismo, os presidentes de países considerados modelos, adotaram postura completamente diferente, liderando pelo exemplo, com políticas públicas, programas, projetos e serviços que podem ser lidos em quatro artigos científicos publicados sobre como o Vietnã <https://bit.ly/2YX0eQw>, a Tailândia <https://bit.ly/3mVdQ7a>, Taiwan <https://bit.ly/2Xz3sGd> e a Nova Zelândia <https://bit.ly/3wbqZha> atuaram desde janeiro de 2020 para prevenir e proteger sua população contra a Covid19.

Como parte das ações destes quatro países, a tomada das decisões foram baseadas na ciência, enquanto houve combate intenso contra as fake news e seus disseminadores, permitindo que a população fosse orientada a agir de maneira correta e colaborasse contra o vírus. Como resultado, enquanto em 600 dias de combate ao vírus, a Nova Zelândia (6 mortos/1M de hab.) e Taiwan (35 mortos/1M de hab.) registraram menos de 36 mortos para cada um milhão de habitante, no mesmo período, o Brasil registrou 2819 mortos/1M de habitante, demonstrando assim o quão desastrosa foi a atuação do nosso governo diante da pandemia.

É possível também identificar países modelos contra a fake news, a partir do Media Literacy Index 2021, um relatório elaborado pela ONG Bulgara Open Society Institute Sofia, o qual examinou em 35 países da Europa, indicadores relacionados com a liberdade de imprensa, educação, confiança e novas formas de participação do cidadão. Eles também avaliaram a relação entre as pontuações de alfabetização midiática da população e a confiança em cientistas e jornalistas. A metodologia e pontuação final (0 a 100) podem ser acessados aqui <<https://bit.ly/3U7oW97> e o estudo chegou aos seguintes resultados:

1o) países com maior desconfiança nos cientistas tinham níveis mais baixos de alfabetização midiática;

2o) países com alto nível de desconfiança em jornalistas, geralmente têm pontuações baixas em alfabetização midiática;

3o) Os países em que há maior alfabetização midiática são Finlândia (78 pontos), Dinamarca (73 pontos), Estônia (72 pontos), Suécia (72 pontos) e Irlanda (70 pontos). 

Maior alfabetização midiática significa dizer que a população está melhor preparada com conhecimento, atitudes e ferramentas para identificar e combater notícias fraudulentas. Então no próximo artigo abordarei sobre as boas práticas educacionais adotadas pela Finlândia e a Dinamarca para combater esse mal do século.

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