Ciro e Lula não falam a verdade quando prometem fazer estoque regulador de alimentos

Tenho um pouco de conhecimento, de vivência, experiência e prática, principalmente quando envolve comercialização pública e atividades de competência da Conab. Com o atual momento de mercado ninguém consegue fazer “estoque regulador”. 

Vejo Lula e Ciro falando na volta do estoque regulador. Apesar de não serem explícitos, não mencionarem o nome dos produtos, o que já é uma estratégia enganadora, de omissão proposital ou não ouvir assessoria, mas sabemos que o básico é arroz, feijão, milho e soja, alimentos que não podem faltar na mesa do brasileiro e do mundo, do pobre ao rico.

No tempo do presidente Lula e de outros “ex”, e não era o atual momento com preços de mercado lá em cima, nunca tivemos estoque público de soja, e os demais itens que ainda existiam de estoque vieram caindo (principalmente o milho) já no governo do próprio PT (não conseguiram repor) desaparecendo até estar praticamente zerado na atualidade. Isso é coisa de mercado, prometer, na atual condição, é faltar com a verdade, tanto Lula quanto Ciro.

Não votei no Bolsonaro, e devo votar em branco no primeiro turno, mas o atual presidente vem tentando recompor pelo menos o estoque público de milho em grãos (através da MP do Milho), mas não está conseguindo do jeito que sua equipe imaginou. Como já disse, pelo alto preço de mercado. Os preços não estão abaixo do mínimo, e o atual governo, mesmo com autorização para comprar acima do mínimo, vêm tendo dificuldade. Como votei em branco 4 anos atrás, e sendo meu dever, analiso com números e a razão, jamais com a emoção e uma paixão partidária exagerada. 

Nenhum vai conseguir se as atuais condições de mercado não mudarem, e nem tem previsão para que isso aconteça. Hoje, até antes de plantar, o produtor já tem comprador local e mundial com bons preços. Ótimo para o produtor rural. Mas com essas afirmativas que não são viáveis, e eles sabem disso, fico triste e não dá vontade de votar em nenhum.

Já o grande erro do Bolsonaro foi retirar recursos financeiros da Conab para executar o PAA, que inexplicavelmente mudou o nome para PAB sem justificativas cabíveis. Mudou por mudar, o que precisava mesmo era injetar recursos para a Conab operar com grupos formais garantindo renda ao produtor e alimentos aos mais humildes. Na atual gestão, quase nada de recurso para o PAA/Formação de Estoque, Compra Direta e Doação Simultânea. Isso o PT fez, mas paralelo a isso a corrupção corria frouxa e em patamares imorais.

Fortalecer os instrumentos de compras públicas (perecíveis e outros) e usar os outros instrumentos de apoio à comercialização que o governo federal tem (não para comprar arroz, feijão, milho e soja), podem e devem ajudar no escoamento dentro do próprio Estado e entre Estados, e subsídio ao pequeno e médio criador rural cadastrado nos programas do governo. Esse é o caminho! Tem outros!

Todos esses candidatos são inteligentes, então, falar em estoque regulador é brincar com o estômago do povo, é mentir, é jogar pra torcida. Sem falar do custo desse estoque regulador. Como já disse, tem outros caminhos.

13.09.2022

Thomaz Antonio Perez da Silva Meirelles, servidor público federal aposentado, administrador, especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected] 

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