Até 2030, Reino Unido deseja ser superpotência em C&T

Segundo o Global Innovation Index 2022, o Reino Unido (R.U.) é considerado o quarto país mais inovador do planeta, atrás apenas da Suíça, EUA e Suécia. No entanto, a região não se contenta com esta posição, pois há dois dias o Primeiro Ministro divulgou um plano ambicioso para até 2030, tornar a região uma superpotência em Ciência, Tecnologia (C&T), sendo este o assunto tratado no artigo.

O Global Innovation Index (GII) é um relatório anual criado pela Universidade Cornell, INSEAD em parceria com a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) das Nações Unidas, a fim de avaliar o desempenho dos países em relação a inovação. 

É um documento que oferece uma visão abrangente do estado da inovação em todo o mundo, avaliando e classificando os países com base em seus indicadores de inovação, tais como gastos em P&D, registro de patentes, produção científica, facilidade de fazer negócios, entre outros. Ele é relevante pois fornece informações valiosas para governos, empresas e instituições acadêmicas para orientar políticas e investimentos em inovação, bem como promover o crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável.

Em sua 15ª edição <http://bit.ly/41OsqkI>, o GII 2022 avaliou o desempenho de 132 países, com o Brasil ficando na 54ª posição com gargalos sérios envolvendo indicadores relacionados ao Pilar “Instituições”, especialmente relacionados ao Ambiente Empresarial (121ª posição), ao Ambiente Político (91ª posição), ao Ambiente Regulatório (70ª posição). 

Por outro lado, os cinco mais inovadores são Suíça, EUA, Suécia, Reino Unido e Holanda, chamando atenção o fato de que Suíça, Suécia e Reino Unido têm estado entre os cinco países mais inovadores do planeta nos últimos cinco anos, com Suíça sendo pentacampeã, Suécia disputando o segundo ou terceiro lugar, enquanto Reino Unido tem transitado entre quarto e quinto lugar.

Diante desse desempenho, o que o Brasil poderia aprender com esses países? Para responder esta pergunta seriam necessários no mínimo três artigos, mas aqui o foco está no Planejamento de longo prazo do R.U. algo que NÃO EXISTE no Brasil, já que nossas autoridades públicas têm visão de curtíssimo prazo, com uma boa parcela só preocupada em tirar o maior proveito do Estado. 

Em relação ao R.U, abaixo há um resumo do documento publicado recentemente (06/03/23) pelo Departamento para Ciência, Inovação e Tecnologia do R.U., chamado The UK Science and Technology Framework, acessível neste link < http://bit.ly/3ZmBkUS>, o qual apresenta a abordagem para tornar a região, uma superpotência em C&T até 2030.

A motivação pela qual eles desejam construir uma agenda desta natureza está no fato de que a C&T serão os principais impulsionadores da prosperidade, do poder e dos eventos históricos deste século. E em grande síntese, este documento tem 19 páginas organizadas em dez ações estratégicas: 

  1. Identificação das tecnologias críticas
  2. Sinalização dos pontos fortes e as ambições do R.U.
  3. Investimento em P&D
  4. Talentos e Habilidades
  5. Financiamento de Empresas Inovadoras de C&T
  6. Compras
  7. Oportunidades Internacionais
  8. Acesso a Infraestrutura Física e Digital
  9. Regulamentação e Padronização
  10. Setor Público Inovador

Basicamente, em cada ação estratégica há uma visão, bem como resultados esperados e iniciativas que deverão ser executadas ao longo do tempo, das quais uma será comentada abaixo, a que diz respeito a:

1. Identificar as tecnologias críticas

Visão: o R.U. tem um histórico de definição, busca e obtenção de vantagem estratégica em áreas prioritárias de aplicação de C&T para proporcionar prosperidade e segurança para a região, em nossos próprios termos e gerar benefícios para a sociedade global. O R.U deseja ter uma base científica fundamental, líder mundial e ampla, com agilidade para avançar rapidamente nas descobertas e tecnologias à medida que surgem.

Para tanto, eles desejam implementar duas ações de longo prazo, a saber:

Primeira ação) utilizar uma abordagem robusta e reaplicável para identificar as tecnologias mais críticas para o R.U.

Eles avaliaram mais de 50 tecnologias aplicáveis em oito critérios: ambiente sustentável, saúde e ciências da vida, economia digital, segurança e defesa nacional, comparação internacional, construção, potencial de mercado, ameaças e resiliência. Baseado neste critério, eles identificaram as cinco tecnologias críticas, a saber:

T1) Inteligência Artificial: máquinas que executam tarefas rotineiramente feitas por humanos, especialmente quando elas aprendem com os dados.

T2) Bioengenharia ou Engenharia Biológica: aplicação de princípios rigorosos de engenharia aplicados aos projetos que envolvem sistemas biológicos.

T3) Telecomunicações do Futuro: evoluções da infraestrutura para dados e comunicações digitalizadas.

T4) Semicondutores: uma classe de materiais eletrônicos com propriedades únicas que estão no centro dos dispositivos e tecnologias que usamos diariamente.

T5) Tecnologias Quânticas: dispositivos e sistemas que dependem da mecânica quântica para fornecer recursos que as máquinas “clássicas” não conseguem.

O Conselho Nacional de C&T revisará esta lista anualmente para garantir que o R.U. mantenha o ritmo e continue a manter uma vantagem competitiva global, embora possa haver necessidade de mudanças no planejamento de longo prazo.

Segunda ação) Criar um ambiente para que estas tecnologias floresçam no R.U, usando as outras nove ações estratégicas listadas no plano.

Em termos de ações de curto prazo foram elencadas seis iniciativas das quais pode-se citar: I1) desenvolver uma abordagem de pró-inovação para regular a Inteligência Artificial, a ser detalhada em um White Paper a ser publicano no início de 2023; I2) publicar as estratégias para os semicondutores e tecnologias quânticas no início de 2023; I3) publicar estratégia ambiciosa de infraestrutura sem fio, definindo as prioridades de P&D para as futuras telecomunicações, incluindo a 6G.

Finalmente, até o final de 2023, os gestores públicos do R.U.  apresentarão para a sociedade os progressos executados ao longo do ano, e os próximos passos para tornar a região uma superpotência em C&T, sendo este um bom caso de planejamento que equilibra ações de longo, médio e curto prazos, para servir de inspiração para Ministro e Secretários de Estado do Brasil envolvidos com a C&T&I.

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