Amazônia, a esquecida – moeda de troca na geopolítica internacional

ESTRATÉGIA & AÇÃO 
Nílson Pimentel (*)
UN News spoke with the head of the Drug Investigation Section, Chloe Carpentier and from Vienna, Austria, she highlighted that parts of the Amazon Basin are at the crossroads of multiple forms of organized crime, which accelerate environmental devastation, with serious implications for the safety, health and well-being of the population in the region. “This year, we dedicated studies on drug trafficking in the Amazon, the impact on the environment and the intersection of this drug with other activities that is accelerating a negative impact on the environment and on communities that live there, local communities including -Indoing indigenous populations, illegal mining on indigenous lands. So, on the Amazon, we offer an analysis of four countries: Brazil, Colombia, Peru and Bolivia. What we have seen is that the Amazon is at the intersection of multiple forms of organized crime, which accelerate the devastation and degradation of the environment, with many implications in terms of public safety, public health, but also individual and other negative impacts on the populations.” Chloe Carpentier explains that this happens because, in addition to the abundance of natural resources in the region, “the region has little or no State presence, a lot of corruption and an economy based on informality, it also warns that indigenous peoples and other minorities are facing the consequences of a rise in crime, they still suffer from mercury poisoning and exposure to violence.”

Sem embargo de outras conotações, quando se trata das questões da Amazônia são batalhas de uma guerra que nos parece não ter fim. Ou melhor, são várias batalhas, em vários níveis. A grande maioria dos que tratam sobre Amazônia acham que conhecem e entendem a região, mas se trata de ledo engano. Até grande parcela dos amazônidas não a conhecem e vivem indiferentes ao seu meio ambiente. E, quando falamos em Amazônia (brasileira), se pensa em floresta, mas a Amazônia tem mais de 25 milhões de habitantes incluindo comunidades extrativistas, caboclos, ribeirinhos e indígenas, 70% dos quais morando em áreas urbanas, com um tecido socioinstitucional muito frágil. A Amazônia é um universo supercomplexo, com várias frentes demandantes de cuidados, várias ações iniciativas (políticas publicas federais e estaduais) precisam estar conectadas e articuladas. Tratando-se da questão territorial, as palavras-chave são fiscalização, controle e governança, pois a Amazônia não pertence à universalidade mundial, mas é de responsabilidade e propriedade do Brasil, a qual requer maior poder de soberania e não em ser ‘moeda de troca’ no jogo da geopolítica internacional. O que se tem assistido nesses últimos anos são discursos de certos lideres políticos mundiais e de políticos brasileiros falarem e prometerem isso e aquilo, mas nada acontece, que ponha o desenvolvimento dito sustentável na Amazônia. “Erradicar a pobreza e a fome”, “desmatamento e queimadas zero na Amazônia”, “acabar com o narcogarimpo”, etc, etc, etc, são algumas das vozes ouvidas. “Temos que salvar a Amazônia da destruição” disse o presidente Lula na segunda-feira (7/8) antes da realização da “Cúpula da Amazônia” em Belém do Pará. E, “mais uma vez cobrou os U$S 100 bilhões dos países ricos desenvolvidos  prometeram  direcionar para combater as queimadas na região para a melhoria climática no mundo”. Como comentam os economistas pesquisadores do CEA (Clube de Economia da Amazônia), parece que se vive uma surrealidade sobre o que representa essa imensa Região Amazônica, a qual abrange 08 países (Brasil, Bolívia, Columbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela), os quais fazem parte da OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica) e que realiza a Cúpula da Amazônia nos dias 8 e 9 de agosto em Belém do Pará. Desse importante evento, resultará a ‘Declaração de Belém’ na qual constará alguns pontos de compromissos importantes de governos desses países em relação à região. Dentre esses pontos aparecem: ‘os participantes acordaram em cobrar dos países ricos desenvolvidos o pagamento de recursos para mitigar o impacto de mudanças climáticas; a criação de diversas instâncias de fiscalização comum dentro da perspectiva de fortalecer a  OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica); a necessidade de proteger os territórios indígenas’, dentre outros. Internamente no Brasil se precisa de mais ações efetivas, com planejamento, programas e projetos voltados ao desenvolvimento sustentável regionais, incluindo o fortalecimento das instituições oficiais locais, estaduais e nacionais atuantes na Amazônia e a integração das instituições na área social, que é básica. Estratégias para preservar a floresta não são estratégias de floresta, de meio ambiente, mas uma estratégia social, porque a questão social gera todas outras destruições, com exceção da invasão externa econômica do narcotráfico e narcogarimpo, das atividades ilegais e de garimpos em terras indígenas. Assim, se precisa o fortalecimento das comunidades da floresta para aumentar a noção de cidadania das populações regionais, de modo que possam viver sustentavelmente em seus territórios, com suas culturas tradicionais, mas integradas ao mundo globalizado de maneira digna, competitiva e socialmente de brasilidade cidadã. Também, para o pessoal do CEA essa questão que está por detrás dessa ideologia dita humanitária, onde países hegemônicos ricos desenvolvidos, ‘doam’ recursos para o Fundo Amazônia, em vista de fatores de desmatamentos, queimadas e climáticos, trás um modelo autoritário de sociedade, pois a questão ambiental leva a debates políticos globais complexos que envolvem diversos interesses, atrelado a manutenção e a preservação da biodiversidade terrestre com foco na regulação climática, dos grandes interesses de corporações transnacionais, instituições multilaterais e de outros grupos de interesses. E quais as implicações sobre a Amazônia brasileira e sul-americana? Pois sofre ingerências veladas por essa ideologia hegemônica global, haja vista, os últimos fóruns internacionais que tratam sobre o clima, o desenvolvimento sustentável, pobreza, fome, etc. Tanto que se tem visto diversos entes tratarem e falarem sobre Amazônia pelo mundo provocando sobre o Brasil e outros países sul-americanos amazônicos sentirem um peso político em face de ter essa região em seus territórios. Quando tratam de gases de efeito estufa, queimadas, sequestro de carbono, etc, podendo até chegar a ameaças às suas soberanias em razão do inestimável valor estratégico de regulação climática global que se tornou a região portadora da segurança ambiental do gênero de vida humano. Por outro lado, aproveitando a realização da ‘Cúpula da Amazônia’, talvez os países amazônicos estejam perdendo uma oportunidade real de saltarem de uma estrutura produtiva arcaica para uma outra, com base no conhecimento da natureza e da biotecnologia, áreas estratégicas do moderno capitalismo, como se apresenta no Brasil, no estado do Amazonas, na cidade de Manaus, com seu  CBA (Centro de Biotecnologia da Amazônia). E, como amazônida, não posso deixar de perscrutar o futuro, num cenário geopolítico internacional baseado na questão ambiental, se estar a perder uma oportunidade de liderar um processo de desenvolvimento sustentável socioeconômico, melhoria na qualidade de vida, criação de muitos empregos, geração de renda, promovendo o bem estar à população amazonense. Contudo, na Amazônia a questão ambiental é sempre vista pela abordagem geopolítica no sistema global, como a nossa perspectiva de vida amazônica, como verdadeiros guardiões desse imenso tesouro, não merecesse tanto interesse. E, como preconizava a Professora Bertha Becker “É preciso definir um novo padrão de desenvolvimento regional para a Amazônia, que considere não só a dimensão ambiental, mas também o problema social. Além disso, “A Amazônia já é verde. Precisa mesmo é de uma base econômica que assim a mantenha”. Portanto, ainda se tem a questão da exploração do petróleo na foz do grande Rio Amazonas, questão essa que provoca discordância não somente dentro do governo brasileiro, mas diante de outros países da OTCA. A problemática ambiental parece não ter fim na Amazônia.  
(*) Economista, Engenheiro, Administrador, Mestre em Economia, Doutor em Economia, Pesquisador Sênior, Consultor Empresarial e Professor Universitário:
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