AH! Minas Gerais

Aristóteles Drummond

Nada mais próximo da realidade do que a lembrança de que os políticos mineiros eram mestres da habilidade e cordialidade no trato da coisa pública. Especialmente aqueles que militavam no PSD, partido que deu ao Brasil o presidente JK, da alegria e superioridade, Tancredo Neves, o articulador, José Maria Alkmin, o formulador, e Murilo Badaró, da dedicação integral à vida pública. A lista é imensa e inclui governantes pragmáticos que deixaram digitais no progresso do estado, como Israel Pinheiro e Ozanam Coelho.

Os militares de 64 foram sábios e tiveram bom relacionamento com o Congresso e as forças políticas dos estados e foram buscar em Minas vices e ministros relevantes. Dos cinco vices, três eram mineiros, Alkmin, Rondon Pacheco e Aureliano Chaves. A Revolução foi iniciada pela coragem e determinação de dois mineiros, um militar, o General Mourão Filho, e outro civil, o governador Magalhães Pinto.

O último presidente militar, João Figueiredo, teve seis ministros mineiros, hábeis, preparados e grandes gestores. Ibrahim Abi-Ackel, brilhante jurista e tribuno, foi ministro da Justiça; Camilo Pena, o homem que implantou o álcool combustível no Brasil; José Israel Vargas, na tecnologia; Eliseu Resende, o genial realizador nos transportes; Angelo Stabile, mineiro nascido em São Paulo, na agricultura; e Murilo Badaró, na indústria e no comércio.

Podemos atribuir ao desgaste de nossa classe política a falta desta escola. Aliás, o PSD nacional também teve lideranças significativas na República. O fluminense Amaral Peixoto, o catarinense Joaquim Ramos, o paulista Cunha Bueno, os cariocas Gilberto Marinho e Negrão de Lima – um nascido no Rio Grande do Sul e outro em Minas –, o mato-grossense Filinto Müller e o maranhense Vitorino Freire, para ficarmos em alguns nomes mais conhecidos.

Apesar dos excessos de Lacerda na pregação contra Vargas e JK, longe dos usuais hoje, a política nacional rejeitava tipos grosseiros, inconvenientes, pregações de ódios e intolerância. Os militares governaram em clima de ordem e paz, tendo agido com energia apenas nos casos que envolviam atos de violência, como sequestros, assaltos a bancos, assassinatos e até mesmo execuções de companheiros que desertavam. JK, Jango e Jânio, ex-presidentes que perderam mandatos, não foram perseguidos, apesar de desnecessários constrangimentos a JK.

O presidente Lula deve observar que a política de radicalização e confronto derrubou Jango, que era homem moderado, mas que foi levado por péssimas companhias à deposição, e que agora mesmo Bolsonaro perdeu uma eleição que parecia certa pela obra realizada, pelo diálogo restrito a seus apoiadores, mas que, por significantes que sejam, não levam a uma vitória em eleição de dois turnos. Lula foi eleito, como lembrou o governador Zema, pelos erros pessoais de Bolsonaro, que não soube calar a boca e não brigar tanto. Agora vai colher um triste ostracismo.

Que os mineiros do passado inspirem este governo para felicidade geral do povo.

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