A despedida do maior líder político do Amazonas

Uma das grandes lembranças que tenho da minha infância trata-se dos finais de semana na casa de meus bisavós, seu Sebastião e dona Diva. Todos que os visitavam notavam ao adentrar na residência, o quadro na parede da sala, expondo a foto do eterno governador do Amazonas, Amazonino Armando Mendes.

O sentimento de gratidão que minha bisavó mantinha pelo político foi reflexo de suas realizações como homem público. E assim como ela, grande parte da população do Amazonas guarda o mesmo carinho pela pessoa que foi o Amazonino, também apelidado carinhosamente pelos amazonenses como “negão”.

O líder político nasceu no município de Eirunepé, foi advogado e teve como padrinho político o lendário ex-governador Gilberto Mestrinho. Com estilo próprio e cativante, acompanhado sempre de discursos arrebatadores para multidão, Amazonino foi 04 vezes governador do Amazonas, 03 vezes prefeito de Manaus e um mandato de senador da república.

Apreciador da boa música, filmes, livros e fatos históricos, também gostava de resenhar com os amigos e eleitores tomando um chope ou whisky. O repertório cultural e intelectual de Amazonino, alinhado a sua humildade, fez com que se tornasse o maior líder político da história do estado do Amazonas, e um dos grandes estadistas da história da política brasileira.

Sua determinação, disposição e suas ideias visionárias transformaram nosso estado, tanto no âmbito administrativo, de infraestrutura e cultural, dedicando uma atenção especial ao interior do Amazonas, como nenhum outro político fez.

Nas gestões Amazonino Mendes, o estado apresentou avanços em sua arquitetura administrativa, resultou principalmente na vida dos servidores públicos do Estado, que compuseram até o final o seu grande grupo de eleitores, mesmo nos momentos em que o político não estava na cadeira do executivo. Também foi um grande defensor da Zona Franca de Manaus, e ajudou a trazer grandes indústrias para a região, vencendo uma competição direta com o estado de São Paulo. 

No âmbito de infraestrutura, são inúmeras as obras realizadas por Amazonino. Os grandes hospitais do estado, que são a base da saúde pública do estado, foram construídos por Amazonino. Alguns dos exemplos são o hospital e pronto socorro Dr. João Lúcio, conhecido pelos moradores da zona leste de Manaus como “o gigante da zl”, o hospital 28 de agosto, nome que se refere à data de assinatura da Lei da Anistia, e o hospital Francisca Mendes, referência em cirurgias cardíacas e o primeiro a ter heliporto.

Além do HEMOAM, Fundação de Medicina Tropical, Fundação FCecon para tratamento de câncer, Hospital Dr. Fajardo e outras dezenas de unidades de saúde no interior. 

Amazonino também foi o responsável pela construção de 03 complexos viários, inclusive o primeiro construído na cidade de Manaus, além disto, em sua gestão goram criados o conjunto Francisca Mendes, Renato Souza Pinto, Oswaldo Frota, Galileia, Santa Etelvina, Parque Deus é Fiel, Parque dos Buritis II, Armando Mendes e a expansão dos núcleos da Cidade Nova, além de urbanizar o Monte Sinal. Sua primeira gestão frente a prefeitura foi marcada pelo grande número de bairros asfaltados, que na época, foi uma grande novidade.

Outra característica de sua gestão foi a revitalização de pontos históricos da cidade, e a criação de outros. Amazonino promoveu a revitalização das grandes avenidas da cidade, duplicando e embelezando os canteiros por meio de projetos de paisagismo. 

Durante sua gestão o teatro Amazonas passou por sua grande revitalização, se consolidando como o nosso grande ícone turístico, conhecido mundialmente. Sobre isto, podemos citar a recente enquete que elegeu como “o monumento mais bonito do Brasil”. Também inaugurou o complexo da Ponta Negra, que mais tarde também seria reformada em seu último mandato na prefeitura. 

A Vila Olímpica de Manaus também foi uma obra de Amazonino. Construída em 1990 nos moldes de Seul, cumprindo requisitos técnicos internacionais para formação de atletas de elite e medalhistas olímpicos, revolucionando o esporte no Amazonas.

Mas talvez a grande obra de Amazonino, diante de tantas outras, foi a criação da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a maior universidade multicampi do país, que ajudou a formar milhares de profissionais e a desenvolver o interior do estado com o seu alto nível de capilaridade entre as cidades do Amazonas.

O terceiro ciclo também foi um projeto de Amazonino, incentivando e revitalizando a economia do interior do estado em larga escala. 

O maior líder político do Amazonas foi responsável por outras milhares de realizações em sua vida pública. Sem dúvida alguma, este momento é histórico e representa o fim de uma era na política do Amazonas, sem um sucessor à altura.

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