A ambiciosa estratégia Net Zero do Reino Unido

O Reino Unido (RU) é um dos países mais inovadores do planeta, com soluções em diversas áreas, e na luta contra a mudança climática não está sendo diferente. Este artigo sintetiza a estratégia nacional lançada por eles para liderar o caminho rumo a um futuro sustentável e verde até 2050.

O RU tem um histórico de liderança em questões climáticas. Em 2008, aprovou a Lei do Clima, tornando-se o primeiro país a estabelecer uma meta legal de redução de emissões de gases de efeito estufa. A lei exigia uma redução de 80% nas emissões até 2050, em comparação aos níveis de 1990. Em 2019, essa meta foi ampliada para Net Zero, ou seja, emissões líquidas zero até 2050, tornando a região o primeiro grande país industrializado a adotar essa meta.

Infelizmente, o termo Net Zero ainda não tem sido valorizado ou discutido seriamente por nossas autoridades. Porém, em outras nações, com políticos são mais responsáveis em relação ao futuro de suas gerações, esse termo já vem sendo debatido há anos, gerando uma corrida entre os melhores para desenvolver e implementar estratégias, roadmaps, políticas, programas e projetos que gerem novas soluções, inovações, emprego e renda

Em 19 de outubro de 2021, o Governo do RU publicou a “Net Zero Strategy: Build Back Greener”, que em português pode significar “Estratégia Net Zero: reconstruir com sustentabilidade”.  Ela estabelece políticas e propostas para descarbonizar vários setores da economia dessa região, a fim de atingir a meta de emissões líquidas zero até 2050. 

A estratégia está descrita em um documento rico em informações <https://bit.ly/3mIXbrq>, especialmente para formuladores de políticas públicas, empresários, políticos, pesquisadores, com cerca de 368 páginas, o qual, em grande síntese, está organizado da seguinte forma:

Parte 1) Prefácio com apresentação do Primeiro-ministro e do Secretário de Estado para Estratégia de Negócios, Energia e Industrial.

Parte 2) Sumário Executivo conceituando o que é Net Zero, apresentando os motivos para agir, e justificando o pioneirismo do RU.

Nesta parte, o documento (p. 14) aborda sobre os problemas ambientais no RU, causados pelas mudanças climáticas, tais como inundações e chuvas torrenciais em Londres etc. Apesar de haver um convite para o cidadão participar, nesta parte do documento não ficou claro o conceito de Net Zero, mas neste artigo, esse termo pode significar duas coisas:

Carbono Zero, se referindo às metas de carbono zero, onde as emissões de carbono são reduzidas a zero por meio de medidas como ações de eficiência energética, uso de energias renováveis e compensações de carbono.

Neutro em Carbono, também se referindo a um estado neutro em carbono, onde a quantidade de emissões de gases de efeito estufa produzidas é equilibrada pela quantidade de emissões que são removidas da atmosfera por meio de práticas como reflorestamento ou tecnologias de captura de carbono. 

A justificativa para o RU agir primeiro (p. 15) na questão das mudanças climáticas repousa nos seguintes motivos:

Primeiro, porque o país já demonstrou liderança, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa em quase 50% desde 1990 e estabelecendo uma meta vinculativa de atingir emissões líquidas zero até 2050. Segundo motivo é que ao assumir essa posição, isso oferece oportunidades econômicas, criando empregos sustentáveis e altamente qualificados em todo o país, ao mesmo tempo em que impulsiona uma recuperação mais verde após a pandemia. 

Terceiro, ao agir de forma pioneira, o RU pode se posicionar como líder na revolução industrial verde, garantindo que a tecnologia limpa seja “fabricada na Grã-Bretanha” e não “em outro lugar”. 

Quarto, ela protegerá as famílias dos aumentos nos preços da energia causados pela volatilidade dos mercados internacionais de combustíveis fósseis e possibilitará que os consumidores desfrutem de carros e sistemas de aquecimento mais eficientes mais cedo. 

Por fim, a liderança do RU pode inspirar outros países a adotarem suas próprias metas de emissões líquidas zero, aumentando o compromisso global com a ação climática.

Além disso, nesta parte do documento é enfatizado o plano com dez pontos para uma revolução industrial verde, aprovado em 2020, o qual não detalharei aqui, mas no próximo artigo. 

No entanto, adianto que a ambição deles com esse plano é criar condições para o setor privado investir com segurança, a fim de gerar e fazer crescer indústrias verdes, com investimentos já mobilizados pelo governo na ordem de 26 bilhões de Libras (cerca de R$ 161 bi). Há também ações regulamentares para assegurar o desenvolvimento da indústria verde, bem como fazer a transição gradual para o Net Zero com decisões como a que foi aprovada em novembro de 2020, para proibir a venda de novos carros a gasolina e diesel a partir de 2030, acompanhada de incentivos para a população comprar veículos elétricos e/ou híbridos, além de investimentos em infraestrutura para fazer carregamento para esses veículos.

Parte 3) Capítulo 1 aborda a importância do Net Zero.

Parte 4) Capítulo 2 foca na jornada rumo ao Net Zero

Parte 5) Capítulo 3 se concentra sobre a redução das emissões na economia priorizando os seguintes setores: Energia, Fornecimento de Combustível e Hidrogênio, Indústria, Aquecimento e Construções, Transporte, Recursos Naturais, Desperdícios, Gases Flouorados, (F-Gases), e Remoção dos Gases de Efeito Estufa.

Parte 6) Capítulo 4 é bastante envolvente pois aborda sobre o apoio para realizar a transição na Economia focando em: Inovação para a Net Zero, Investimentos Verdes, Criação de empregos verdes, desenvolvimento das habilidades, apoio para as Indústrias, inserção do Net Zero no Governo, Ações Climáticas Locais, Empoderamento do Público e dos Negócios para fazer escolhas verdes, Liderança e Colaboração Internacional.

Partes 7 e 8) contém os anexos técnicos, e os anexos envolvendo a Ciência Climática.

A ambiciosa estratégia Net Zero do RU é abrangente e cobre diversos setores da economia. Com investimentos na ordem de 26 bilhões de libras, regulamentações e outras ações, com estimativa de criar de 190 mil empregos até 2025. E até 2030, espera-se gerar 440 mil empregos e atrair investimentos privados da ordem de 90 bilhões de libras.

Por fim, essa estratégia é um exemplo concreto de como é possível gerar emprego, renda e inovação por meio do desenvolvimento sustentável. Nesse sentido, é fundamental questionar: qual é a estratégia sustentável de longo prazo do Governo Federal Brasileiro, do Governo do Estado do Amazonas ou da Prefeitura de Manaus para descarbonizar nossa economia até 2030 ou 2050? Infelizmente não temos, então eis mais um exemplo para ser estudado, pois estamos atrasadíssimos, perdidos em distrações inúteis, porém precisamos construir um futuro melhor para as nossas crianças.

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