64 e a verdade II

Aristóteles Drummond

Os governos militares revelaram ao país grande gestores públicos, o que permitiu o grande acervo de realizações. Os jovens coronéis, como Mário Andreazza, César Cals, Haroldo de Matos, Jarbas Passarinho, permitiram o grande salto na qualidade de vida dos brasileiros. Civis relevantes, como Magalhães Pinto, Hélio Beltrão, Nascimento e Silva, Nestor Jost, Mário Simonsen, Delfim Netto, Alisson Paulinelli, ficaram marcados na história dos setores a que serviram.

A oposição mais raivosa bate na tecla de apontar o Ato Institucional 5 como a implantação de uma ditadura cruel. Foi um recurso duro para garantir a ordem e a paz no país. Estava em curso a chamada “guerra revolucionária”, sequestrando embaixadores estrangeiros, assaltando bancos, com mortes de inocentes. Chegaram a tentar uma romântica guerrilha na Amazônia, no Araguaia, onde morreram cerca de 70 jovens, levados por lideranças irresponsáveis a uma aventura. Mataram ali umas 20 pessoas, entre militares e civis. Mas nada comparado às dezenas de milhares de mortos no resto da América do Sul, onde prosperavam movimentos de igual origem comunista no Peru, Colômbia, Argentina, Uruguai. Cerca de cem militantes da luta armada foram trocados por sequestrados. Nenhum chegou ao exterior com marcas de tortura. A narrativa foi criada depois. Os excessos não foram norma.

A resposta militar foi legítima e nada justifica o uso da violência quando o Congresso funcionava, a imprensa gozava de certa liberdade, garantido o direito de ir e vir, o trabalho e o respeito à propriedade. Ali, com Paulinelli, nasceu a potência agrícola que somos.

Os militares não foram vencidos. A redemocratização, com generosa anistia, foi iniciativa do presidente João Figueiredo. O eleito, de oposição, teve o resultado respeitado e reconhecido de pronto.

A corrupção, se existiu, não foi sistêmica e os grandes nomes daqueles anos todos de vida limpa, incluindo filhos. Um Brasil de pessoas de muita categoria e preparo.

Na política, no governo e na oposição, havia nomes da respeitabilidade de Tancredo Neves, Nelson Carneiro, Oscar Passos – fundador do MDB e senador pelo Acre –, Paulo Brossard, Rondon Pacheco, Raimundo Padilha, Bilac Pinto, Pedro Aleixo,Gustavo Capanema, Virgílio Távora, Amaral Peixoto, Murilo Badaró, entre outros. Estes homens, contra e a favor do movimento, não seriam cumplices de uma ditadura nem representariam uma farsa exercendo mandatos nos legislativos. Autoritarismo é uma coisa, ditadura é outra. 

O país, a seu tempo, encontrou o convívio democrático, que deve ser respeitado. Águas passadas são águas passadas. Alimentar ódios, ressentimentos, abusar da mentira e da fraude não vai colaborar para nada. Muitos dos equivocados amadureceram e emprestam sua inteligência ao bem nacional, como Fernando Gabeira, Aldo Rebelo.

São 60 anos e somos poucos os que atuaram em 64. O saldo foi positivo e o tempo mostrou que muito dos ” idealistas” da luta armada queriam eram lucrar no Poder, além de alinhar o Brasil com o regime cubano, onde, aliás, muitos moraram.

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