46ª Lei das 48 Leis do poder

Carlos Silva

Raríssimo é o dia em que ninguém reclama de mim na família. Seja devido a deixar as roupas desleixadamente na sala, ou um copo de cerveja em cima do teclado de um computador, ou levar a neta à piscina ao meio-dia, ou planejar uma festa de aniversário de criança e cuidar de tudo, menos do bolo e dos refrigerantes. E tudo isso agregado aos meus 66 anos, me torna o motivo e o foco das reclamações diárias. Claro que só a patroa e a secretária do lar reclamam. As netas se divertem com o melhor brinquedo delas: eu, o vovô. Quer algo pior para ajudar na deseducação de netas que um vovô? E daí? Criamos os filhos, amamos, educamos e protegemos. Agora que cresceram, eles que sigam a vida e corram atrás do prejuízo. Mas, continuamos aqui, como porto seguro a eles. Mas, neta é neta. É algo diferente mesmo. Por outro lado, nunca me passou pela cabeça a ideia estúpida de tentar mostrar ser perfeito. Perfeito só Deus e a Natureza. Todavia, essa coisa de se mostrar perfeito, sempre me chama a atenção, negativamente. Quase sempre, quando observo um colaborador ou um líder ou um chefe, perfeito demais, tenho a certeza de que aquela atitude esconde defeitos gravíssimos de personalidade e caráter. Quase sempre. Há exceção, é claro. E isso tudo tem a ver com a 46ª Lei das 48 Leis do Poder: “Não pareça perfeito demais. Parecer melhor do que os outros é sempre perigoso, mas o que é perigosíssimo é parecer não ter falhas ou fraquezas. A inveja cria inimigos silenciosos. É sinal de astúcia exibir ocasionalmente alguns defeitos, e admitir vícios inofensivos, para desviar a inveja e parecer mais humano e acessível. Só os deuses e os mortos podem parecer perfeitos impunemente.” É lógico que este conselho se dirige às pessoas que querem alcançar o poder e precisam, quase sempre mesmo, representar um papel. E essa característica se opõem à pior emoção humana: a inveja ! Disse Plutarco, na Antiguidade: “De todos os distúrbios da alma, a inveja é a única que não se confessa”. Casos históricos são mostrados no capítulo da Lei em tela:“ Quando Ivan, o Terrível, morreu, Boris Godunov sabia que ele era o único em cena capaz de liderar a Rússia. Mas se agisse com muita sofreguidão despertaria inveja e suspeita entre os boiardos, então ele recusou a coroa, não uma vez, mas várias. Ele fez o povo insistir para que ele subisse ao trono. George Washington usou a mesma estratégia com grande efeito, primeiro recusando-se a manter o cargo de comandante em chefe do exército americano, depois, dizendo que não queria ser presidente. Em ambos os casos ele aumentou ainda mais a sua popularidade. Não se pode invejar o poder que se deu a quem parecia não estar querendo.” Leia o livro, pois se aprende, ou não, muitas coisas típicas do ser humano. E a vida segue! Com cervejas! Geladas !

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