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mais de 21 mil novos Microempreendedores Individuais até outubro de 2019

Considerando os meses de janeiro a outubro de 2019, a ampliação foi 31% a mais que o mesmo período do ano anterior

Por Andreia Leite

11 Fev 2020, 12h52

Crédito: Divulgação

Manaus é a única capital com maior destaque em crescimento no número de empresas abertas sobre o regime MEI (Microempreendedor Individual). Conforme dados da Receita Federal, considerando os meses de janeiro a outubro de 2019, a ampliação foi 31% a mais que o mesmo período do ano anterior, o que corresponde a abertura de 21 mil empresas. 

No Brasil teve esse número chega a 2,8 milhões de empresas criadas, um crescimento de 18% em relação ao mesmo período de 2018. Os números indicam que sobre o regime MEI houve aumento de 23%, com um total de 2,2 milhões, enquanto os não-MEI apresentou um aumento tímido de 5%, 550 mil registros a mais. O saldo de empresas abertas e empresas baixadas, excluindo o MEI, foi de 223 mil contra 201 mil em 2018, um crescimento de 11%.

“A figura do MEI  é uma grande oportunidade para quem quer empreender e não tem muito capital. Então, desse ponto de vista, a resposta é sim. Mas, o otimismo está atrelado a fatores externos, como o crescimento da economia”, afirma a gerente de planejamento estratégico do Sebrae/AM, Socorro Correa.

Ela enfatiza que o regime se estabeleceu como forma jurídica, ficou conhecida e constitui a forma mais fácil de registrar um negócio no Brasil.  Pode ser um estágio transitório para um novo porte, a depender da forma como o empreendedor vai gerir para alcançar o seu sucesso. Além disso, a massa de pessoas desempregadas no país encontra no MEI uma forma de gerar renda e promover o sustenta de sua família.

Tornar-se empreendedor, tem feito parte da vida de vários trabalhadores que optam pela mudança no regime de trabalho. Com a regularização em dia, o design Marcone Duarte está no roll dos microempreendedores que apostaram no ano passado na abertura de novos negócios. 

A habilidade na área motivou o investimento no empreendimento criativo. A busca por uma identidade amazônia relacionada a grande cultura local com grafismos e texturas foi o pontapé. “A minha experiência durante quinze anos em outra empresa me encorajou a abrir o meu próprio negócio. Eu observei que o mercado é amplo e está sempre em busca por esses profissionais. E o Amazonas têm pessoas capacitadas. Não precisa de profissionais de fora para criar peças gráficas. 

Ele comemora a independência e diz que a Prefeitura tem incentivado bastante por meio de capacitação quem pretende empreender. “Que essa iniciativa se consolide cada vez mais. E que tenhamos incentivo, tanto com crédito como mais oportunidades de qualificação”. Ele lembra que é cada vez mais difícil, para quem tem idade acima dos 40 anos manter-se no mercado sobre o regime CLT e essas pessoas buscam através de um leque de conhecimento adquirido ao longo do tempo empreender, mas precisam de incentivo e apoio. 

Para a  gerente de planejamento estratégico do Sebrae/AM, o segmento ainda faz a diferença para quem está começando visto que não é tão burocrático e de baixo custo, dispensando até uma assessoria contábil para sua abertura, já que pode fazê-lo direto pelo Portal do Empreendedor (www.portaldoempreendedor.gov.br).

Ele salienta que a oscilação da economia e alta de insumos e serviços que compõem o produto ou serviço que o empreendedor irá ofertar no mercado, interferem na dinâmica dos MEIs. 

Em relação a abertura e fechamento de empresas ela destaca que um  ponto importante é não entender a dinâmica do mercado (concorrência e clientela) e não buscar estratégias de inovação no seu segmento. Nesse aspecto, é válido recomendar buscar apoio especializado, que é o que o Sebrae oferece por meio de múltiplas formas de produtos e serviços para o empreendedor.

Cenário otimista

O fundador e CEO da Contabilizei, escritório de contabilidade pioneiro no desenvolvimento dos serviços online, Vitor Torres, afirma que a instabilidade econômica vivida pelo Brasil, que gerou a alta do desemprego, foi um dos acontecimentos que contribuíram para o aumento de CNPJ’s abertos. O que motivou muitas pessoas começaram o seu próprio negócio, outras passaram a atuar como profissionais liberais ou freelancers para se adequarem a esse cenário. Com a retomada da economia, ele estima que os números devem ser ainda maiores, haja visto que em 2019, a participação do MEI na abertura de empresas foi de 77%.

"As pessoas já tomaram a iniciativa de empreender durante a crise, agora, com a economia se recuperando, ainda que lentamente, a tendência é que esse seja um caminho ainda melhor e mais forte", analisa o CEO. 

Um fator muito interessante, de acordo com os dados internos da Contabilizei, é que houve aumento do empreendedorismo feminino, já que 25% das aberturas de empresa feitas por mulheres,indicador que era 18% em 2016.Ao que tudo indica, 2020 será um ano ainda melhor na economia e a expectativa é que novos CNPJ’s continuem crescendo ano a ano.

Outro dado que chama atenção é a média de idade desses novos “empreendedores”, que fica em 36 anos. Dos 36 aos 50 é a faixa etária que mais cresceu ano a ano, pulando dos 34% em 2018 para 37% em 2019.

Por dentro

A região Sudeste aparece com o maior crescimento absoluto em abertura de empresas, com 19,9% frente ao ano anterior, mas é a região Norte que teve o maior percentual de abertura, com 20,3% de incremento. Os estados que mais se destacaram na comparação anual foram: Amazonas (27,3 mil; +24,6%); Pará (54 mil; +24,1%); São Paulo (830 mil; +23,7%) e Santa Catarina (137 mil; 22,3%);

Dentre as cidades, que aparecem no ranking de maior destaque em crescimento, São José dos Campos (43,5%) e Guarulhos (49%). "As regiões Norte e Nordeste, assim como o interior de São Paulo, tem crescido significativamente em número de CNPJ’s, isso porque estas regiões passaram a ser mais vistas e tem mostrado um excelente desenvolvimento como pólo comercial fora das regiões Sul e Sudeste, que já estão mais saturadas", diz Torres.

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