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Venda de imóveis cresce 40% em Manaus

Por Marco Dassori Twitter: @marco.dassori @JCommercio

13 Jan 2020, 17h03

Crédito: Divulgação

O vice-presidente da Ademi-AM (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas), Hélio Alexandre, faz um balanço positivo de 2019. Mas, assim como os representantes de demais setores produtivos do Estado, considera que o ano serviu para as empresas voltarem aos trilhos de uma trajetória que demonstra ser longa. 

O dirigente observa que a capital amazonense registrou crescimento de 40% na comercialização de imóveis na comparação com o mesmo acumulado de 2018, totalizando R$ 900 milhões em volume de negócios. O executivo considera que o número expressivo de vendas é a principal conquista do setor em um ano atribulado como 2019.

O ano também teve senões, e o principal elencado por Hélio Alexandre é a dificuldade na liberação de recursos de FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) – uma das principais fontes de financiamento para o mercado imobiliário em todo o país – por parte do governo federal e da Caixa Econômica.  A demora, conforme o vice-presidente da Ademi, atrasou a realização de obras em um ano em que o investimento demorou a fluir em outros segmentos, à espera da aprovação da Reforma da Previdência e da abertura de um panorama mais positivo e confiante para os agentes privados no país. E as recentes liberações de recursos do FGTS também acendem um sinal amarelo para as empresas.

No caso do mercado de incorporação comercial, o fluxo de negócios foi mais lento. Mas o dirigente vê nele também um ensaio de retomada, em virtude da redução de estoques de salas livres para locação, o que ensejaria investimentos na construção de imóveis do tipo, provavelmente na virada de 2020 para 2021. “Uma coisa que se tem que dizer é que a cidade está tendo não aluguel de salas, mas de salas corporativas, que é um novo mercado que se abre em Manaus”, salienta.

O maior desafio para o segmento em 2020, no entendimento de Hélio Alexandre, vem de diversas frentes, como o Código Florestal e o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) progressivo, assim como a Reforma Tributária, mas o dirigente, destaca que a entidade buscará uma postura mais propositiva do que reativa às dificuldades. A maior oportunidades, prossegue a fonte, vem da redução dos juros e da consequente maior atração dos imóveis como fonte de investimento e reserva de valor.

O vice-presidente da Ademi-AM, contudo, não considera que os números do setor ensejam uma retomada plena, pois a recuperação não está ocorrendo em todas as faixas de imóveis. “Tivemos um bom desempenho no Minha Casa Minha Vida, que ainda é um grande projeto. Estamos entrando na média, de R$ 250 mil, que é um novo segmento, o SBPE, com dois lançamentos de sucesso. E aí, vamos nos preparar para fazer o médio e alto lançamento, que acho que Manaus também vai recuperar. Se não for em 2020, certamente em 2021”, encerrou. 

 

Quadro: Resumo histórico

A Ademi encontra-se nas maiores capitais do país, como Brasília, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, entre outras. No Amazonas, nasceu para sanar dificuldades e suprir anseios da classe imobiliária, buscando interação e parcerias entre empresas associadas para o crescimento contínuo do segmento no Amazonas. Têm como objetivos principais: promover o intercâmbio de experiências e informações entre pessoas físicas e jurídicas dedicadas a construção e comercialização de imóveis; capacitar profissionais e alavancar o crescimento do mercado; amparar legítimos interesses dos associados perante poderes públicos.


ENTREVISTA - Hélio Alexandre - vice-presidente da Ademi-AM

Hélio Alexandre: número expressivo de vendas foi a surpresa

Jornal do Commercio – Qual o balanço do segmento imobiliário do Amazonas em 2019? Quais foram os ganhos e perdas?

Hélio Alexandre – O balanço foi positivo. Manaus teve 40% a mais de vendas em relação a 2018. Isso foi altamente positivo para o mercado imobiliário do Amazonas. Acho que o principal ganho que nós tivemos foi esse resultado próximo de R$ 900 milhões que nós tivemos. Em relação às perdas, não vou chamar de “derrota”, mas de “demora”, que foram os processos envolvendo a Caixa Econômica e governo federal, demorando para liberar o FGTS, e fazendo as empresas tardaram a fazer seus repasses. Isso foi uma questão orçamentária que, graças a Deus, foi superada. Mas foi um momento difícil para o mercado. Também teve a ansiedade para as taxas caírem e elas finalmente caíram. 

JC - Qual o balanço que a Ademi faz da incorporação comercial? Os números do segmento servem como termômetro da atividade econômica do Amazonas?

HA – O mercado de incorporação comercial aparenta estar sendo retomada. Parece que temos muito menos salas para locação do que tivemos no passado. Então acho que, daqui a pouco, vamos ter novos lançamentos de salas e conjuntos comerciais em Manaus. Não digo que ocorrerá em 2020, talvez em 2021. Uma coisa que se tem que dizer é que a cidade está tendo não aluguel de salas, mas de salas corporativas. E a indústria imobiliária demonstra que é um bom termômetro para a economia, sim, e mostrou gera empregos, arrecadação.   

JC - Quais são os maiores desafios e as melhores oportunidades para o setor, no Amazonas, em 2020?

HA – O maior desafio, como disse nosso presidente, o senhor Albano Máximo, é o Código Florestal, o IPTU progressivo – onde teremos maior diálogo com a sociedade – e o que acharmos importante e necessário para o mercado. A Reforma Tributária também é um desafio, pois teremos de acompanhar de perto para saber em que grau ela vai atingir atividade no Amazonas e em todo o país. 

JC - Qual a importância dos 116 anos do Jornal do Commercio para a cidade de Manaus e para os associados da Ademi?

HA – O Jornal do Commercio sempre foi um matutino histórico e serviu como a “Gazeta Mercantil” do Amazonas e sempre desempenhou como o periódico de maior influência no Distrito Industrial. A gente percebe que todas as indústrias do PIM tem o Jornal do Commercio em cima da mesa, porque ele dá os índices da economia, as notícias do Estado e do Brasil. Acho que é um jornal importante, que fala de tudo um pouco, mas se fortalece falando da economia nacional e local.  


 

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