Emprego

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Taxa de rotatividade nos empregos cai em novembro

Foi o menor número de turn over registrado no Estado ao longo do ano

Por Marco Dassori

12 Jan 2020, 16h28

Crédito: Divulgação

A taxa de rotatividade média de empregos com carteira assinada no Amazonas voltou a refluir em novembro, após o repique do mês anterior e caiu de 4,22 para 3,63 pontos. Foi o menor número de turn over registrado no Estado ao longo do ano, empatando com março, embora tenha ficado ligeiramente à frente da marca de 12 meses atrás (3,60 p.p.). 

As informações foram extraídas da base de dados mais recente do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgada na semana passada, pelo governo federal. Quanto maior a pontuação da unidade federativa na sondagem, maior a incidência de substituição de mão de obra e menor o tempo de permanência do trabalhador na vaga celetista.

Com a queda, o Estado ganhou posições no ranking nacional das menores pontuações. O Amazonas subiu do sexto para o terceiro lugar, perdendo apenas para Sergipe (3,54 p.p.) e Paraíba. Ficou bem à frente das médias nacional (4,62 p.p.) e da região Norte (4,68 p.p.). O maior número brasileiro veio de Mato Grosso (6,41 p.p.), enquanto a maior pontuação da região Norte ficou em Tocantins (6,00 p.p.). 

Entre os setores econômicos do Amazonas, as menores taxas ficaram na administração pública (0,24 p.p.) e indústria extrativa mineral (1,05 p.p.). Foram seguidos de longe por agropecuária (2,49 p.p.) e serviços industriais de utilidade pública (3,58 p.p.). As quatro atividades emplacaram crescimento em todas as comparações, no demonstrativo de novembro.  

Demissões e capacidade

A indústria de transformação (2,29 p.p.) voltou a registrar a terceira menor taxa local de turn over, apesar do corte de 26 empregos e da variação negativa de 0,03%, entre outubro e novembro. Nos acumulados do ano e dos 12 meses, contudo, foram registradas altas de 4,83% (+4.680 vagas) e de 3,86% (+3.777), respectivamente. Os melhores números vieram dos segmentos de material elétrico (+94 empregos) e madeira e mobiliário (+1,11%).

O vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo, lembra que a redução de empregos é comum no fim do ano, após as vendas para o comércio, e lembra que a recuperação do setor vem ocorrendo gradualmente, mas ainda sem força para elevar o nível de uso de capacidade instalada das empresas e motivar um aumento nas contratações – e efetivações – no Distrito Industrial. O dirigente ressalta, contudo, que as empresas fazem o possível para manter seus contingentes, que já contam com treinamento para a atividade. 

Datas e custos

Serviços (3,87 p.p.) e comércio (4,29 p.p.) vieram na sequência, com desempenhos opostos no saldo de empregos. Serviços emendou o segundo mês de baixa (-0,02%) e foi o primeiro em cortes na comparação com outubro (-34 vagas), embora tenha mantido os acumulados do ano (+2,55% e +5.351) e dos últimos 12 meses (+2,25% e +4.743) em alta. Os melhores resultados vieram de serviços médicos, odontológicos e veterinários (+0,48% e +77 empregos). Os piores, de transporte e comunicações (-90) e ensino (-0,24%). 

Já o comércio registrou seu segundo mês com saldo positivo de empregos em todas as comparações e foi responsável por 1.560 dos 1.589 postos de trabalho gerados no Amazonas entre outubro e novembro (1,61%). Avançou 1,99% no acumulado do ano (+1.935) e 2,47% em 12 meses (2.386) e, diferente dos meses anteriores, o atacado (+0,80% e +142) também fechou no azul, embora bem abaixo do varejo (+1,79% e +1.418).

O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antônio Filho, pondera que, apesar da elevação sazonal nas, o comércio vem apresentando motivos estruturais para aumento da rotatividade, após a implantação do trabalho intermitente, por intermédio da nova Lei Trabalhista. O dirigente lembra também que a economia ainda não reagiu com força para tirar o setor da dependência de datas comemorativas. 

No caso dos serviços, o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado do Amazonas), Aderson Frota, lembra que as atividades ligadas ao comércio estão contratando mais, enquanto as ligadas à indústria migraram para MEIs (microempreendedores individuais). O dirigente ressalta ainda que a informalidade e os custos trabalhistas ainda são elevados, apesar da Reforma.

Sazonalidade e repasses

Construção civil (7,56 p.p.) apresentou a maior taxa de rotatividade, embora tenha sido um dos setores econômicos do Amazonas a fechar no azul em todas as comparações. A atividade avançou 0,13% em novembro, embora o número de postos de trabalho não tenha passado de 27. Houve alta nos acumulados do ano (+11,80% e +2.261) e dos últimos 12 meses (+7,91% e +1.570).

O diretor de Relações de Trabalho do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), José Carlos Paiva, lembra que a rotatividade é característica do setor, em função da não especialização da mão de obra e dos contratos de trabalho, e diz que a queda de ritmo é sazonal. “O que deve melhorar agora são as vendas do mercado imobiliário. Mas, a construção civil ainda tem problemas de baixo investimento em obras públicas e atrasos de três a quatro meses nas faixas 1 e 1,5 do Minha Casa Minha Vida”, encerrou.

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