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Taxa de inadimplência no comércio do Amazonas é mantida

Ao longo do mês de janeiro, 29.250 cadastros entraram para a lista vermelha do SPC Brasil

Por Marco Dassori

11 Fev 2020, 12h40

Crédito: Acervo JC

A taxa de inadimplência no varejo do Amazonas chegou a 3,2% ao final de janeiro, apenas 0,1 ponto percentual abaixo da média dos 12 meses de 2019. A queda foi um pouco maior em comparação ao número registrado no mesmo mês do ano passado (3,5%). As informações foram fornecidas pela CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus), com base nos dados do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito).

Ao longo do mês, 29.250 cadastros entraram para a lista vermelha e 28.100 conseguiram sair, levando o estoque de negativados do Amazonas a fechar janeiro com 383 mil inscritos – com dívidas contabilizadas nos últimos cinco anos. Segundo a CDL-Manaus, a divisão dos inadimplentes por gênero segue igual: 55% dos devedores é do sexo feminino e 45%, do masculino. Não há informações sobre o tipo de dívida ou classe econômica dos consumidores em questão.  

O número nacional de janeiro ainda não foi divulgado. Dados apurados pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e pelo SPC Brasil mostram que o volume de brasileiros com contas em atraso caiu pelo segundo mês seguido e encerrou 2019 com uma pequena queda de -0,2% na comparação com o ano anterior. Em torno de 61 milhões de brasileiros começaram 2020 com alguma conta em atraso e com o CPF restrito para contratar crédito ou fazer compras parceladas.

O Amazonas foi um ponto fora da curva da região Norte, que liderou a alta do percentual de consumidores com dívidas em atraso (4,8%) em todo o país. Em termos proporcionais, o Norte é a localidade mais inadimplente do Brasil, com 47,2% de seus residentes (5,9 milhões) na lista vermelha. Para efeito de comparação, o Sudeste, que concentra a maior parte da população brasileira, tem 37,4% de seus consumidores (25,2 milhões) nessa situação.

As entidades atribuem as retrações na inadimplência à melhora gradual da conjuntura econômica, assim como à liberação de recursos do FGTS e campanhas de renegociação de dívidas. Promovida pela CDL-Manaus e pelo SPC-Brasil, a mais recente edição da campanha ‘Limpe seu Crédito e Faça seu Nome Brilhar’ tirou 41.260 amazonenses do vermelho, em novembro e dezembro.

A taxa e negativados, contudo, ainda é elevada e dificulta o acesso ao crédito. No final do ano, 21% dos brasileiros que tentaram comprar a prazo, tiveram o pedido negado. O percentual foi semelhante no Amazonas, onde o principal motivo da recusa foi a entrada do consumidor no rotativo do cartão de crédito (32% dos casos). Cadastro devolvido (26%), nome inscrito em cadastros de devedores (18%), falta de comprovante de renda (14%) e renda insuficiente para a operação (10%) foram as demais ocorrências registradas no período.   

Risco maior

O presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayag, atribui o pequeno recuo do percentual de mal pagadores do Estado na reta final do ano à melhora relativa da economia, com inflação e juros mais baixos. Cita também a maior geração de empregos – “principalmente no comércio” – e a abertura de mais de 70 empresas na capital no segundo semestre como fatores positivos. 

Embora destaque que a redução do percentual de inadimplência é um dado positivo para os lojistas, o dirigente lamenta que a retração esteja vindo em um ritmo muito menor do que o esperado para o setor e bem abaixo do necessário para impulsionar a economia brasileira em uma rota ascendente sustentada. Assayag lembra que a meta da entidade ainda é situar a taxa em, no máximo, 2,9%.

“Isso [a queda] não significa muito, porque quando a empresa vende mais, arrisca mais. Quando a taxa vai a 3,5%, acende um sinal amarelo no setor. Quando passa de 3,9%, o alerta é vermelho. O ideal é vendermos mais com menos inadimplência e, por isso, norteamos nossos associados a sempre consultarem mais, antes de vender a crédito. Orientamos também a não fazerem a negativação no automático e negociarem sempre, para não perderem o cliente. O Cadastro Positivo deve ajudar a reduzir mais a taxa, neste ano”, assinalou.

“Passos lentos”

Na mesma linha, o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, considerou os números refletem um cenário de recuperação de crédito. “A expectativa é que a inadimplência siga em queda nos próximos meses, mas a passos lentos. A aceleração desse quadro passa pela continuidade da melhora econômica e, em especial, do emprego e da renda. As famílias ainda enfrentam dificuldades para honrar seus compromissos em dia”, ponderou, em material distribuído pela assessoria de imprensa da CNDL.

Em relação às negativas de crédito, o presidente do SPC Brasil ressalta que os modelos atuais de análise são limitados por entregarem uma visão com maior peso na inadimplência em detrimento da adimplência. “A tendência é que o Cadastro Positivo mude essa cultura e uma parcela maior de consumidores possa ter acesso a empréstimos e financiamentos com condições adequadas a seu perfil de risco”, concluiu. 

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