Indústria

COMPARTILHE

Sondagem mostra recuperação da capacidade instalada na indústria

Por Marco Dassori

25 Nov 2019, 08h36

Crédito: Divulgação

A utilização da capacidade instalada da indústria aumentou 1 ponto percentual entre setembro e outubro e alcançou 70%, o maior nível desde novembro de 2014 (73%). A produção também subiu, seguindo a sazonalidade, mas atingiu 55,2 pontos, a maior marca para outubro desde 2010. O emprego, contudo, ficou em 49,5 pontos, muito próximo da linha divisória dos 50 pontos e, portanto, estagnado..

Os dados estão na Sondagem Industrial, realizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) e divulgada nesta sexta (22). Os indicadores variam de zero a cem pontos, sendo que patamares acima dos 50 pontos mostram aumento dos indicadores. O levantamento foi feito de 1º a 12 de novembro, com 1.962 empresas, de pequeno (787), médio (690) e grande porte (485).

Outro dado positivo foi o ajuste dos estoques. O índice efetivo em relação ao planejado caiu 0,3 ponto no mês passado frente a setembro e ficou em 51,1 pontos, indicando que os estoques estão praticamente dentro do planejado pelos empresários. Diferente dos demais indicadores, marcas abaixo da linha divisória dos 50 pontos são desejáveis.

Os números positivos do presente estimularam a ampliação do horizonte de expectativas para o futuro, com melhora nas intenções de investimentos para os próximos seis meses. Todos os indicadores relativos a estimativas ficaram acima dos 50 pontos, mostrando que os empresários esperam aumento da demanda, da compra de matérias-primas, das exportações e do número de empregados nos próximos seis meses. 

O índice de intenção de investimentos (56,2 pontos) subiu 2,1 pontos em relação a outubro e ficou 1,2 ponto maior do que o registrado em novembro de 2018 e 6,9 pontos acima da média histórica. A sinalização de aportes produtivos é maior nas grandes empresas (62,3 pontos). Na média, ficou em 55 pontos e, nas pequenas, em 45 pontos. O indicador varia de zero a cem pontos. 

Confiança sem segurança

No entendimento do vice presidente da Fieam e presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, Nelson Azevedo, os números da indústria brasileira refletem a situação vivida pela indústria da Zona Franca de Manaus, que é de recuperação nos níveis de produção, com a gradual melhora no ambiente de negócios brasileiro, bem como na demanda.

“Isso já era esperado, em função da agenda econômica do país. A confiança do consumidor e do investidor está voltando, o crédito está ficando mais fácil e esperamos alguma melhora na questão da segurança jurídica. Isso faz com que o setor tenha um melhor desempenho, dado o fato de que a ZFM produz para o mercado interno, e gera mais ânimo para nossa economia. Vamos crescer neste ano e esperamos resultados melhores em 2020”, comentou Nelson Azevedo.     

Na mesma linha, o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Perico, também considera que as reformas de Estado e a chagada de festas de fim de ano ajudaram a alavancar os números da indústria brasileira em geral, assim como os do Polo Industrial de Manaus, mas salienta que o ziguezague na hermenêutica da corte jurídica máxima do país em assuntos diversos - incluindo a prisão em segunda instância - contribui para alimentar a insegurança para as empresas. 

“Seguimos na mesma linha. A sazonalidade, somada ao otimismo e aos encaminhamentos das necessárias reformas da Previdência, Administrativa e Tributária trouxeram esses resultados. No entanto, após esse anúncio, tivemos deduções desastrosas por parte do STF [Supremo Tribunal Federal]. Espero que isso não afete a confiança dos investidores. Vamos acompanhar”, asseverou Wilson Périco.

Processo virtuoso

Na análise da CNI, os dados de outubro mostram a aceleração do processo de retomada da atividade industrial, já que a maior utilização da capacidade instalada é fundamental para acelerar a recuperação da economia brasileira, à medida que estimula novas contratações e investimentos. “Cada vez mais aumentos adicionais da demanda irão se traduzir em mais produção e uso da capacidade instalada, realimentando o processo”, afirma o texto da pesquisa. 

Para o gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, a recuperação da atividade segue na esteira da melhora do ambiente econômico, com juros e inflação em baixa, além da aprovação da Reforma da Previdência e da gradual recuperação do mercado de trabalho. “Tudo isso contribuiu para o reaquecimento do consumo, que também foi estimulado pela liberação de recursos do FGTS”, concluiu, em texto veiculado à imprensa. 



 

Veja Também