Opinião

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Só compro ovo de granjas do Amazonas

Só compro o ovo regional por ser de melhor qualidade

Por Thomaz Meirelles

20 Fev 2020, 11h34

Crédito: Divulgação

Vi no supermercado DB a cartela com trinta ovos, produzida no estado de Mato Grosso, sendo vendida ao preço de R$ 9,99. A cartela do ovo regional, produzido no Amazonas, estava em torno de R$ 13,00. Mesmo com preço muito mais alto, só compro o ovo regional por ser de melhor qualidade, muito mais fresco do que os vindos de fora e com melhor aproveitamento. Contudo, está evidente que muitos granjeiros do nosso estado, de pequenos a grandes, vão quebrar com essa concorrência do ovo importado, pois é impossível produzir no Amazonas com baixo custo por não termos, nem teremos em grande escala por limitações ambientais,  o milho e a soja (insumos básicos da ração) para atender a demanda interna. Semana passada, o nosso centenário Jornal do Commercio, o JC, fez uma boa matéria sobre o assunto.

Algo urgente precisa ser feito, e tá com os deputados federais e senadores a iniciativa mais estratégica. A Federação de Agricultura e Pecuária do Amazonas, a FAEA, e não é de hoje, na pessoa de seu presidente, Muni Lourenço, vem se movimentando para encontrar uma saída para esse momento de alta no preço do milho. O secretário Petrucio Magalhães também tem se esforçado, mas precisam de aliados, principalmente da bancada federal, pois o Governo Federal pode e deve ajudar. Algumas sugestões:

  1. A bancada federal precisa agendar, urgente, audiência com a ministra Tereza Cristina;
  2. No encontro, mostrar que o programa federal Vendas em Balcão no Amazonas está praticamente sem venda em razão dos altos preços praticados, e ainda nem entrega o grão nem vende a prazo. O relatório que pode ser extraído no site da própria Conab mostra o que estou dizendo;

  3. No caso do item acima, item 2, é urgente a volta do subsídio aos Estados do Norte;

  4. Outro caminho. Nos últimos meses, por causa da alta do milho, o governo federal, por meio da Conab, vem vendendo estoque público de milho. Já venderam mais de 300 mil toneladas, mas nenhum criador rural do Amazonas participou dos leilões em decorrência das regras estabelecidas;

  5. No caso do item acima, item 4, é urgente a necessidade do governo federal destinar um prêmio/bônus ao adquirente do Amazonas nos leilões, até para todos os Estados do Norte;

Algumas fundamentações para os pleitos acima:

  • Não temos produção de milho e soja no Amazonas, mas temos 97% da floresta em pé para manter a saúde do planeta. Dizem que fazemos chover em todo o mundo;
  • Esse custo tem sido alto para nossa população, metade na pobreza, segundo o IBGE;

  • A quebradeira nessa cadeia produtiva de ovos vai ser grande no Amazonas. Será do pequeno ao grande quebrando, portanto, não é justo mais desemprego num estado que faz chover no mundo, mas que tem 49,2% na miséria;

  • O estoque de milho que está sendo vendido em Mato Grosso foi feito com dinheiro público para ajudar os produtores de Mato Grosso que não estavam sendo bem remunerados quando quiseram vender o grão;

  • Agora, no momento de vender esse estoque público os criadores do Amazonas não estão conseguindo acessar pelas condições que só beneficiam quem está em Mato Grosso, perto do armazém;

  • Já vi o governo federal socorrer a cadeira produtiva da borracha, da uva, laranja e outras, concedendo subvenção/prêmio para escoar a produção, então porque não conceder subvenção/bônus para os adquirentes de milho desses leilões que estão sendo feitos com estoque em Mato Grosso;

  • Temos ataques constantes ao modelo PIM/ZFM, e sem apoio do Governo Federal para nosso setor primário, no caso a cadeia de ovos, a situação vai agravar no Estado mais preservado do planeta;

  • Estou fazendo essas sugestões porque sei que o Governo Federal está usando recursos públicos para ajudar os criadores rurais nesse momento de crise do milho, mas essa ajuda não está chegando ao Amazonas preservado;

*Thomaz Antonio Perez da Silva Meirelles, servidor público federal aposentado, administrador, especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: thomaz.meirelles@hotmail.com 

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