Opinião

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Questão ambiental e o agronegócio no Amazonas

A questão ambiental e o agronegócio precisam de balanceamento

Por Thomaz Meirelles

21 Jan 2020, 01h18

Crédito: Divulgação

Estou falando do agronegócio familiar e empresarial, ou seja, do pequeno ao grande produtor rural do Amazonas. Defendo, integralmente, o cumprimento do código florestal brasileiro. Nem poderia ser diferente, mas não posso aceitar que dentro dos 20% permitidos para a atividade produtiva em nosso estado o processo de liberação da licença ambiental seja extremamente lenta, motivo de inúmeras reclamações e até perda de empreendedores para estados vizinhos. Na última quinta (16), na sala de investidores da FIEAM, participei de encontro para debater o interesse de empresas japonesas nos resíduos dos nossos peixes. Esta foi a terceira vez que o meu amigo Teruaki, um dos coordenadores do Comitê de Apoio ao Agronegócio da FIEAM/FAEA - CADAAM, apresenta pleito do Japão que ainda não temos como atender. Teruaki está fazendo sua parte, assim como o CADAAM (FIEAM/FAEA) também. Mais uma vez ficou muito claro que o aproveitamento integral do pescado é mais um gigantesco potencial que temos, assim como também ficou muito claro que enquanto não resolvermos a questão ambiental no Amazonas o empresariado vai continuar fugindo do nosso estado, ou seja, em vez de produtos vamos exportar empreendedores. Quem esteve presente ao encontro mencionado acima ouviu alguns relatos, e um deles foi que uma empresa tentou o licenciamento por 3 (três) anos, desistiu, foi embora, e em 6 (seis) meses conseguiu em Rondônia. Sugeri ao CADAAM para convocar a SEMA/IPAAM (titulares) para sempre estarem presente às reuniões mensais e ter espaço reservado para se pronunciar, dizer o que vem sendo feito pelo órgão em prol do desenvolvimento do agronegócio familiar e empresarial o Amazonas, apresentar seus gargalos estruturais para agilizar o licenciamento ambiental, informar como está a utilização  da tecnologia para beneficiar o produtor rural, não somente para fiscalizar e multar, entre outros.  Ficou muito claro que nossos pesquisadores do INPA, UFAM e EMBRAPA já tem muito conhecimento produzido. É lógico que a pesquisa não pode parar, mas o que já existe vem sendo aproveitado por outros estados, pouco pelo Amazonas.

Não evolui, cansa, fica improdutivo...

O motivo é simples, o nosso empreendedor não sente segurança em investir no Amazonas, e a questão que envolve o meio ambiente é o maior gargalo sem nenhuma dúvida. É o que ouço sempre, e não é de hoje, vem de décadas, mas continua na atual gestão, e não pode continuar. Entendo que temos como ser ágeis dentro da total legalidade. Entendo que não podemos mais realizar encontro do setor produtivo sem a presença da SEMA e do IPAAM, fica improdutivo, não evolui, cansa, ficamos patinando, é ruim pro estado. Queremos a floresta em pé pra toda a vida, mas o povo feliz, e não com 49,2% passando FOME. Esse é o caminho, sem isso vamos evoluir lentamente e, lamentavelmente, exportando empreendedores. Se essa for a intenção, deixa como está, mas sei que não é, e tenho certeza que o governador e vice adotarão medidas para agilizar o licenciamento ambiental dentro do percentual de 20% permitidos por lei. Foi um bom bate papo na FIEAM coordenado pelo Teruaki e Leocy. Agradeço a gentileza do convite.

*Thomaz Antonio Perez da Silva Meirelles, servidor público federal aposentado, administrador, especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: thomaz.meirelles@hotmail.com

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