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Promoções salvaram o ano no comércio local

13 Jan 2020, 18h11

Crédito: Divulgação

Longe de manifestar o mesmo otimismo de outras entidades, a CDL Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus) faz um balanço de 2019 como um ano duro, difícil, que frustrou muitas as expectativas do comércio local, já abalado pela crise que se estendeu durante os últimos cinco anos no País. O crescimento foi atípico, os negócios ficaram praticamente emperrados, estagnados, e foram necessárias muitas promoções para estimular o consumo.

Mesmo assim, as estratégias mostraram-se insuficientes para motivar ainda mais os consumidores a irem às compras, ao contrário de outras épocas em que a população tinha mais acesso ao dinheiro e sobravam recursos para gastar, permitindo um maior incremento nas atividades econômicas. A avaliação é do presidente da CDL Manaus, Ralph Assayag. “Se as pessoas podem comprar mais, todos ganham – empresários, o governo e o próprio consumidor”, acrescenta ele. “Mas não foi o que aconteceu”. 

Assayag também vê como pífia a atuação dos políticos brasileiros. Ele avalia que a turbulência econômica é reflexo da pendenga travada hoje entre parlamentares e o governo Jair Bolsonaro. Desacreditado pela maioria dos parlamentares no Congresso Nacional, o presidente tem dificuldades para implementar novas medidas e empreender as reformas, que andam a passos de cágado. 

“E qualquer notícia veiculada por uma declaração bombástica do presidente, que muitas vezes chega a bizarrice, é suficiente para desestabilizar todos os segmentos econômicos – a bolsa despenca, os investidores recuam, a indústria produz menos, as vendas caem no comércio e o desemprego aumenta”, afirma o dirigente. “O presidente e os políticos em geral deveriam ter mais cuidado ao falar porque o dinheiro sai na hora e é direcionado para outros lugares que não a ZFM”, diz.

“Se as pessoas podem comprar mais, todos ganham – empresários, o governo e o próprio consumidor”, Ralph Assayag - presidente da CDL Manaus

Burocratização

 Segundo Assayag, o excesso de burocracia é outro grande gargalo que afeta a atividade comercial. Os encargos são caros, a mão de obra sempre onera os custos e poucos empreendedores têm condições financeiras de arcar com as despesas.  Enfim, o custo Brasil, que envolve todos os investimentos na produção, impacta diretamente na competitividade das empresas.     

“O custo Brasil ainda é muito alto. Então, é muito difícil manter hoje uma empresa trabalhando regularmente com um cenário econômico tão insolvente, retraído, e com exigências de leis que só causam retração nos negócios. Existe muita burocracia para trabalhar. Tem que destravar para dar mais liberdade aos empresários”, ressalta Ralph Assayag.

No Brasil, para se abrir uma empresa até ela funcionar regularmente, demora pelo menos de 30 a 60 dias. E em países da Europa todo esse processo pode ser feito de dois a três dias, sem praticamente restrições. “É preciso simplificar para motivar os negócios e atrair mais investimentos”, diz o empresário.

De acordo com Ralph Assayag, o segmento comercial espera que a queda dos juros possibilite um incremento nas atividades a partir do próximo ano. “Com juros oscilando entre 4% e 4,5%, esperamos que 2020 seja melhor em relação a 2019. Investidores começam a se voltar de novo para o potencial do mercado brasileiro, vislumbrando um bom cenário econômico. Com maior disponibilidade de dinheiro, com certeza a economia vai crescer, podendo retomar o mesmo fôlego de anos anteriores”, prevê.  

Em 2020, o comércio de Manaus espera crescer pelo menos 5% com o estímulo na redução das taxas que incidem sobre o crédito e nas atividades financeiras, um recuo que não se via há décadas no Brasil, segundo as estimativas da CDLM-Manaus. 

Balanço

Ralph Assayag revela que 40 novas empresas foram criadas ao longo de 2019 nos mais diversos nichos do comércio. Os negócios ganharam mais fôlego nas comemorações do Dia das Mães, a melhor data do comércio depois do Natal e das festas de fim de ano, e nas promoções da Black Friday. Some-se a isso o Dia dos Pais e o Dia das Crianças, mas nada que se assemelhe aos desempenhos registrados no segmento nas épocas de ‘vaca gorda’. 

Em 2018, pelo menos 280 lojas físicas e online aderiram à Black Friday e a estimativa é que aproximadamente 400 estabelecimentos participaram das promoções em 2019. “Nos outros anos obtivemos um melhor desempenho porque a população tinha mais recursos para comprar, sem dúvida”, diz Assayag.

Em 2019, os descontos na Black Friday variaram de 50% a 70%. As promoções sempre antecipam as compras de Natal e muitos consumidores aproveitaram para comprar os presentes que seriam entregues durante as festas natalinas.

Em 2019, a CDL Manaus estimou um crescimento de até 3,5% nas vendas no Dia das Mães, com destaque para calçados e vestuário, que lideraram os negócios em relação aos outros produtos. Para 2020, as expectativas dos empresários são de um maior incremento nas atividades – algo em torno de 6%.

Saiba Mais – CDL Manaus

A CDL Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus) é uma entidade voltada para o desenvolvimento do comércio local com foco na organização de seus filiados e na prestação de serviços.

Possui hoje uma rede tecnológica que conecta todos os seus associados, dando apoio para realização de eventos, na expansão de negócios, soluções de problemas de toda ordem, além da promoção de medidas para estimular novos investimentos e na diversificação das atividades. 

Suas ações são sempre um referencial de mercado para empresários e consumidores, garantindo credibilidade em termos de crédito, captação de recursos e maior segurança aos lojistas.   

Os seus associados podem contar com uma infraestrutura que atende a todos os seus interesses, desde o trato diário com os clientes até estratégias de marketing, hoje uma necessidade para quem quer crescer num mercado tão competitivo.

 


Ralph Assayag defende maior atuação de representantes no Congresso

 

Entrevista - Ralph Assayag (Presidente da CDL Manaus)

1. Jornal do Commercio – O senhor se revela um crítico contumaz dos políticos e atribui a eles a fuga de investimentos do Brasil, principalmente da ZFM, que hoje tem pelo menos 500 empresas operando em Manaus. É uma referência ao presidente Jair Bolsonaro?

Ralph Assayag – Não só dele. Declarações bombásticas vêm afugentando os recursos, tanto do presidente quanto de sua equipe econômica, e ainda de outros políticos. O dinheiro sai do País em poucas horas e migra para outros destinos a cada fala de Bolsonaro, que se esmera em dizer coisas bizarras. Acho que todos deveriam ter mais cuidados com o que dizem. Não se engane – os investidores estão de olho em nosso mercado.

2. JC – Então, como mudar um cenário de quase recessão em 2019 para uma economia mais fortalecida em 2020?

RA – O final de 2019 abriu o caminho para um bom desempenho no próximo ano. Os juros caíram e devem chegar até 4,5% ou 5%, uma boa medida para alavancar a economia e cria as condições adequadas para a entrada de novos investimentos. Nunca na história do Brasil se viu uma redução tão acentuada nas taxas, o que certamente vai motivar os investidores a trazerem o seu dinheiro. Estamos mais esperançosos, sem dúvida.

3. JC – O senhor diz que uma empresa tem vida curta no Brasil e muitas quebram até mesmo antes de completar um ano. Quais os motivos?

RA – Existe um excesso de burocracia no País que dificulta a abertura de empresas. Os encargos são muito caros, a mão de obra não é barata e a rede financeira exige muito para liberar recursos. Falta mais confiança do sistema financeiro em relação ao empresário. Faz-se necessário derrubar mais as restrições que só encarecem as contas dos empresários. Então, como sobreviver por muito tempo num mercado com tantas normas burocráticas, que acabam minando a atividade do empresário? É complicado. Tem que liberar mais para se poder crescer.

4. JC – Como o senhor define o empresário brasileiro?

RA – Um otimista que não se deixa intimidar mesmo nas situações mais adversas. Falta mais apoio de nossos representantes no Congresso, que eles estejam realmente compromissados com as empresas e a população em geral.

5. O Jornal do Commercio completa 116 anos em 1º de janeiro de 2020. Como o senhor avalia a atuação do jornal durante todos esses anos no Amazonas?

 Ralph Assayag – O Jornal do Commercio é hoje um grande referencial de credibilidade no trato com as informações que disponibiliza aos seus leitores diariamente. É uma grande fonte de pesquisa para quem deseje conhecer a fundo a história do Amazonas. Espero que o veículo continue por mais 100 anos levando conhecimentos e esclarecendo a população sobre os mais diversos assuntos.

 

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